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sábado, 5 de julho de 2014

Javalis destroem 50 mil sacas de milho

Javalis destroem 50 mil sacas de milho
Serra Catarinense, 05 e 06/07/2014, Correio Lageano, por Adecir Morais




Produtores rurais da Serra estão acumulando prejuízos. Javalis atacam lavouras de grãos, que estão em período de colheita. Eles já destruíram cerca de 50 mil sacas de milho, o que, a preços atuais, representa R$ 1,25 milhão no mercado. Desestimulados, agricultores reduziram entre 35% e 50% o tamanho das lavouras.



O agricultor Reni Correa Camargo, de 35 anos, que tem propriedade na localidade de Pinheiro Marcado, em Campo Belo do Sul, reclama dos prejuízos. Ele plantou 1,5 hectare de milho, que é usado para o consumo na propriedade. Reni estima que perdeu 50% da lavoura para os javalis. “Tenho que colher logo o que resta na lavoura. Os animais atacam em bando de 20 a 30 porcos”, afirma, destacando que outros produtores da região também reclamam com o ataque dos animais.



Segundo o funcionário da Copercampos Marcos Brocker, estima-se que os produtores da região perderam o equivalente a 50 mil sacas de milho na safra 2013/2014 por causa dos javalis. Por conta dos sucessivos prejuízos, a área plantada de milho teve uma redução entre 35% a 50%. Hoje, os municípios de Campo Belo do Sul, Anita Garibaldi, Capão Alto e Cerro Negro produzem juntos entre 250 a 300 mil sacas do cereal.



O javali é um animal exótico que pode chegar a 250 quilos. Eles vivem na refloresta e buscam alimento à noite, atacando principalmente plantações de grãos. Surgiram há quatro anos na região, vindos, provavelmente do Rio Grande do Sul.



Além de derrubar e comer o milho, os animais pisoteiam a plantação e arrancam as sementes na época do plantio, atingindo inclusive as lavouras de soja. Quando não encontram alimentos, chegam a fuçar na vegetação nativa. Além disso, são violentos e podem atacar outros animais e até as pessoas.



Caça controlada


Para reduzir a população de javalis, a Polícia Ambiental libera a caça controlada. Para ter a autorização, o produtor deve apresentar os documentos da arma e as informações da área da caça. “A arma precisa estar registrada e seu transporte precisa ser autorizado pela Polícia Federal ou o Exército”, explica o subtenente da Polícia Ambiental de Lages Luiz Claudio de Araújo Schneider.



Ele esclarece, ainda, que desde 2010 vigora uma portaria estadual que permite a caça de javali. Entretanto, o abate deve ser feito somente dentro da propriedade de quem a solicitou. Já os animais abatidos não podem ser retirados do local para o comércio, por exemplo.



Problema é recorrente  em Campo Belo do Sul


Desde 2010 agricultores perdem suas lavouras para os javalis. Longe de seus predadores naturais, os animais se reproduzem livremente e destroem plantações. Autoridades discutem formas de manejo para eliminá-los, mas eles vivem no mato e são rápidos, o que dificulta o abate.  Mesmo com a autorização para o abate, os agricultores acreditam que a quantidade de animais aumenta a cada ano, principalmente em Campo Belo, principal produtor de grãos da região.



Foto: Adecir Morais

terça-feira, 23 de julho de 2013

Permissões para abate de javali aumentam

Serra Catarinense, 24/07/2013, Correio Lageano




Após flagrantes de caça de javali sem permissão e os esclarecimentos encaminhados à imprensa, em menos de duas semanas vários interessados procuraram a Polícia Militar Ambiental (PMA), de Lages. Do dia 3 até ontem, 27 permissões foram concedidas em Lages, sendo que no ano passado o número foi de apenas quatro.



Somente na circunscrição da PMA de Lages, que compreende os municípios de Capão Alto, Campo Belo do Sul e São José do Cerrito, foram expedidas desde 2011, 66 autorizações para o abate de javali.



A Ambiental estima que somente em 2013, mais de mil animais sejam abatidos na região. Este número é o resultado de avaliações feitas com base em relatórios que as pessoas autorizadas apresentam à PMA, em função dos abates já realizados nos anos de 2011 e 2012.



Apesar do abate legalizado, o médico veterinário e gerente regional da Cidasc, José Joni Waltrick, explica que a carne não pode ser vendida. “Os javalis selvagens capturados no mato, não são inspecionados e a maneira como são abatidos é no chão, onde tem muita sujeira”, comenta Waltrick.



Mesmo Santa Catarina sendo área livre de febre aftosa sem vacinação, emitido pela Organização Internacional de Saúde Animal, a carne do javali é suscetível às doenças que também atacam o porco e o gado.




Entre as principais enfermidades estão a tuberculose, brucelose e toxi-infecções em geral. “Somente criações autorizadas podem vender esta carne”, completa. O atirador profissional Giovanni Zanella diz que é indispensável que os produtores abatam legalmente. “Existe uma ideia de que não é necessário.  Mas isso é um problema, porque outros animais podem ser abatidos e o proprietário pode sofrer punição pela Polícia Ambiental”, alerta. Zanella e sua equipe possuem certificado de registro no Exército.



Agricultores sofrem com as perdas




Na região, as cidades que mais têm problema com ataques de javali são Capão Alto, Campo Belo e Cerro Negro. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Capão Alto, Sebastião Osni Amaral, conta que neste ano pelo menos 40 propriedades foram atacadas pelos animais. “Algumas lavouras foram completamente destruídas, outras tiveram 50% de perda”, lamenta.



Ele ressalta que o abate é necessário e acredita que vai ser difícil o pequeno produtor se manter, se os ataques de javalis continuarem. “Eles comem o adubo das pastagens que é caro para o produtor comprar”, finaliza.



Quem tiver interesse em abater o animal, que destrói lavouras com sua força, é preciso levar a documentação na Polícia Ambiental com o pedido de abate, descrevendo o local e o nome de um atirador profissional que possa realizar o serviço na propriedade.


Foto: Divulgação

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Quatro caçadores de javalis são pegos no interior de Capão Alto

Quatro caçadores de javalis são pegos no interior de Capão Alto
Capão Alto, 02/07/2013, Correio Lageano


Havia um quinto, que se embrenhou na mata e conseguiu escapar dos policiais ambientais.



A Polícia Militar Ambiental (PMA) de Lages encontrou, no final de semana, cinco homens caçando javali na localidade do Rio Limitão, no interior de Capão Alto. A caça de javali é permitida por portaria estadual, mas é preciso autorização para abater os animais e transportar as armas.



Os homens fugiram quando viram os policiais, que conseguiram capturar quatro. Um deles se embrenhou na mata e desapareceu. Foram encontradas com eles quatro armas: um rifle calibre 22 com 20 munições, duas espingardas calibre 12 com 17 munições intactas e duas deflagradas, uma espingarda calibre 32 com 19 munições intactas, mais cinco munições de calibre 38 intactas e uma deflagrada.




Também foram encontrados com eles dois javalis abatidos. Os homens foram encaminhados para a Polícia Civil de Campo Belo do Sul. Todos foram multados e responderão por porte ilegal de arma, processo criminal e administrativo.



A multa será fixada, mas o valor pode ser contestado pelos acusados. O comandante da PMA, Frederick Rambusch, é quem decide o valor da autuação depois da defesa dos caçadores. O caso descoberto em Capão Alto foi através de denúncia anônima.



Como caçar javali legalmente



Desde 2010, existe a portaria estadual 004, que permite a caça de javali. Mas, para a caça ser permitida é preciso autorização para transportar a arma, que deve estar registrada.


Quem tiver interesse em abater o animal, que destrói lavouras com sua força, é preciso levar a documentação na Polícia Ambiental com o pedido de abate, descrevendo o local e o nome de um atirador profissional para fazer o serviço.


Depois da polícia permitir o abate, a pessoa precisa levar o documento para a Polícia Federal ou para o Exército. Somente associados a clubes de caça e tiro levam a documentação para o Exército.



Os dois órgãos examinarão a legalidade da arma. Se tudo tiver certo é emitida a guia de transporte definindo o dia e local que a arma pode transitar legalmente.



Depois disso, o abate pode ser feito. A Polícia Militar Ambiental ressalta que a carne de javali não pode ser vendida por ser espécie exótica e nem consumida, por se tratar de carne de porco e ter possibilidade de causar risco à saúde humana.



A Polícia Ambiental verifica, depois do abate, se a carne foi enterrada no local que foi permitida a caça. Segundo informações da Polícia Ambiental, neste ano 12 permissões foram concedidas, o que representa um número pequeno diante da quantidade de javalis na região.



Foto: Divulgação/Polícia Militar Ambiental

sábado, 9 de março de 2013

Javalis deixam rastro de destruição nas lavouras



Javalis deixam rastro de destruição nas lavouras
Campo Belo do Sul, 09 e 10/03/2013, Correio Lageano


Plantações de milho e soja sofrem com aumento de população e ataques



Javalis voltam a tirar o sono dos agricultores em Campo Belo do Sul. Os animais, longe de seus predadores naturais, se reproduzem livremente e destroem plantações. Autoridades discutem formas de manejo para eliminá-los.



O produtor de milho Paulino Dal Piza conta que frequentemente encontra javalis circulando por sua propriedade e nas regiões vizinhas. Segundo ele, os animais causaram aproximadamente 40% de prejuízo na sua última safra e teme pela atual. “Esse ano foi um dos que eles mais atacaram”, afirmou.



Sem predadores naturais e com fartura de alimento, esses animais se reproduzem com facilidade. Eles vivem no mato e são rápidos, o que dificulta o abate. Os javalis destroem os pés de milho na fase de plantio, revirando os carreiros onde os grãos de milho foram plantados. Na floração  eles derrubam os pés de milho e mastigam as espigas. “É uma destruição”, relata Dal Piza.



O presidente da associação de produtores Amigos da Terra, Antonio Zanette, relata que este ano o que chama atenção é o aumento da população de javalis. “A gente vê que o aumento  foi maior que 50% do rebanho”, disse.



Na época de plantio o prejuízo para o produtor fica em torno de 20% e na floração a média de perda é de 10% a 20%, variando conforme a localização. Cabe a cada produtor fazer o controle dentro de sua propriedade.



Portaria permite abate controlado



O Ibama proíbe a caça de javalis no Brasil, mas em Santa Catarina a portaria 004/2010 permite o abate da espécie dentro das propriedades. No entanto, a ação só pode acontecer com autorização da Polícia Militar Ambiental.



A portaria orienta que o abate deve ser feito seguindo métodos e técnicas adequadas, evitando a prática da crueldade. O produtor precisa ter a autorização para a atividade, recebendo as orientações da Polícia Ambiental.



O rifle é a arma indicada para a caça de manejo, por ser mais seguro e eficaz. Depois de abatido, o javali deve ser enterrado longe das Áreas de Preservação Permanente, levando em conta questões sanitárias.



Estudo vai contabilizar o número de animais



O engenheiro agrônomo da cooperativa Copercampos, Jocelino Mattos, informa que estudo sobre os javalis vai ser realizado no município, em parceria com a Cooperativa Caipora, especializada neste tipo de animal.



Será contabilizada a população de javalis na região e como eles vivem. “É para ter um controle maior sobre eles e o monitoramento”, declarou.



O prefeito Edilson José de Souza compara o problema a uma epidemia. Para ele é preciso encontrar uma solução rápida. “Estamos envolvendo a sociedade, órgãos públicos e a Caipora, que trabalha a questão do javali. Eles destroem as plantações, a fauna e flora locais”, acrescentou.



Foto: Divulgação