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sábado, 9 de março de 2013

Javalis deixam rastro de destruição nas lavouras



Javalis deixam rastro de destruição nas lavouras
Campo Belo do Sul, 09 e 10/03/2013, Correio Lageano


Plantações de milho e soja sofrem com aumento de população e ataques



Javalis voltam a tirar o sono dos agricultores em Campo Belo do Sul. Os animais, longe de seus predadores naturais, se reproduzem livremente e destroem plantações. Autoridades discutem formas de manejo para eliminá-los.



O produtor de milho Paulino Dal Piza conta que frequentemente encontra javalis circulando por sua propriedade e nas regiões vizinhas. Segundo ele, os animais causaram aproximadamente 40% de prejuízo na sua última safra e teme pela atual. “Esse ano foi um dos que eles mais atacaram”, afirmou.



Sem predadores naturais e com fartura de alimento, esses animais se reproduzem com facilidade. Eles vivem no mato e são rápidos, o que dificulta o abate. Os javalis destroem os pés de milho na fase de plantio, revirando os carreiros onde os grãos de milho foram plantados. Na floração  eles derrubam os pés de milho e mastigam as espigas. “É uma destruição”, relata Dal Piza.



O presidente da associação de produtores Amigos da Terra, Antonio Zanette, relata que este ano o que chama atenção é o aumento da população de javalis. “A gente vê que o aumento  foi maior que 50% do rebanho”, disse.



Na época de plantio o prejuízo para o produtor fica em torno de 20% e na floração a média de perda é de 10% a 20%, variando conforme a localização. Cabe a cada produtor fazer o controle dentro de sua propriedade.



Portaria permite abate controlado



O Ibama proíbe a caça de javalis no Brasil, mas em Santa Catarina a portaria 004/2010 permite o abate da espécie dentro das propriedades. No entanto, a ação só pode acontecer com autorização da Polícia Militar Ambiental.



A portaria orienta que o abate deve ser feito seguindo métodos e técnicas adequadas, evitando a prática da crueldade. O produtor precisa ter a autorização para a atividade, recebendo as orientações da Polícia Ambiental.



O rifle é a arma indicada para a caça de manejo, por ser mais seguro e eficaz. Depois de abatido, o javali deve ser enterrado longe das Áreas de Preservação Permanente, levando em conta questões sanitárias.



Estudo vai contabilizar o número de animais



O engenheiro agrônomo da cooperativa Copercampos, Jocelino Mattos, informa que estudo sobre os javalis vai ser realizado no município, em parceria com a Cooperativa Caipora, especializada neste tipo de animal.



Será contabilizada a população de javalis na região e como eles vivem. “É para ter um controle maior sobre eles e o monitoramento”, declarou.



O prefeito Edilson José de Souza compara o problema a uma epidemia. Para ele é preciso encontrar uma solução rápida. “Estamos envolvendo a sociedade, órgãos públicos e a Caipora, que trabalha a questão do javali. Eles destroem as plantações, a fauna e flora locais”, acrescentou.



Foto: Divulgação