quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Mais de 200 famílias são atingidas

Mais de 200 famílias são atingidas
São José do Cerrito, 06/12/2013, Correio Lageano, por Silviane Mannrich


O colchão encharcado estava no canto da cama,  dando lugar a móveis, roupas e pertences. Os equipamentos eletrônicos foram cobertos com plástico.  Na tentativa de evitar que eles fossem danificados. A rotina de Carla Graziela Waltrick mudou na madrugada de quinta-feira, juntamente com mais de 200 famílias de São José do Cerrito.



Eram 3h30min quando Carla acordou assustada com pedras de granizo invadindo a sua casa. Todo o telhado foi destruído. “Corremos para a área para tentar nos proteger. Não deu tempo de tirar nada de casa”, conta Carla.



Ela mora em uma casa de duas peça atrás da casa de sua mãe que também foi atingida pela chuva. Ela estima que nas duas casas terão um prejuízo de R$ 3 mil para reconstruir o telhado.


Pedras do tamanho de um ovo


Na casa de Dionei dos Santos Ferreira, as pedras de granizo a deixaram totalmente descoberta. “Chovia igual na rua. Saímos correndo para a casa da minha mãe. Minha filha se assustou e chorava muito”, conta Dionei.


Ele mora com a esposa e com a filha de quatro anos, ele ainda não sabe o quanto perdeu, mas a televisão e outros aparelhos eletrônicos estragaram. “Acho que também vou perder o sofá, o guarda-roupa e a cozinha, porque ficou tudo muito molhado”, afirma Dionei. Ele mora em São José do Cerrito há 10 anos e esta foi a primeira vez que sua casa foi atingida. De forma emergencial sua casa foi coberta com lona.



Casas sem forro sofreram os maiores estragos

A chuva de granizo que durou cerca de 30 minutos deixou a casa de Solange Matias de Oliveira alagada. Ela mora no bairro Nossa Senhora Aparecida, um dos  mais atingidos de São José de Cerrito. Foram 28 casas que tiveram o telhado perfurado pelas pedras.


Ela mora com um filho e quando a chuva começou, foi para a casa de sua mãe.
“Fiquei com muito medo. No meu quarto os furos no telhado foram enormes. Não tenho forro, então tudo ficou molhado, o colchão e as roupas”, conta Solange.
Esta foi a segunda vez que a casa de Solange é atingida por chuva de granizo. Nem as folhas duplas de eternite foram suficientes. Ela aguarda, agora, a ajuda da prefeitura para trocar o telhado.


Tarde para reconstruir e limpar as casas



Muitos moradores de São José do Cerrito não foram trabalhar ontem para poder colocar em ordem suas casas. A cidade decretou situação de emergência. A Defesa Civil do Estado foi acionada e a expectativa é que até a manhã de hoje cheguem 5 mil folhas de eternite no município.



“O nosso trabalho começou ainda na madrugada. O prefeito acionou todas as secretarias e dividimos as equipes para avaliarmos os estragos. Nem tudo foi computado. Nosso município tem mais de 900 km de extensão e 40 comunidades”, destaca o vice-prefeito Moacir Ortiz.



Os estragos nas comunidades do interior da cidade ainda não foram todos registrados. De acordo com um relatório da Epagri, 300 hectares de milho, feijão, soja e hortaliças foram destruídos pelo granizo. Ainda não foi feito o levantamento dos prejuízos. O ginásio de esportes, e o Parque de Exposições da cidade foram atingidos. Algumas estradas do interior também ficaram danificadas.



Lonas: A prefeitura disponibilizou lonas de forma emergencial para cobrir o telhado das casas. “Cobri a casa com lona. Tentei comprar eternite, mas não tinha. Hoje nem fui trabalhar para ficar limpando a casa. Nosso colchão molhou, mas graças a Deus os móveis não ficaram danificados”, conta Delminda Couto. A prefeitura disponibilizou o telefone (49) 3242-1111 para doações.



Estragos atingiram outras cidades

Cerro Negro, Ponte Alta e Bom Jardim da Serra também foram atingidas pelo granizo e pelo vento. Em Cerro Negro, 90% das casas ficaram destelhadas, atingindo 250 famílias. A chuva derrubou  árvores no centro. De acordo com a Defesa civil, até o final da tarde, o município estava sem luz e sem linha telefônica. A cidade deverá decretar situação de emergência.


Em Bom Jardim da Serra, o vendaval atingiu 20 casas, segundo relatório da Defesa Civil Estadual. Em virtude do mau tempo, a Celesc informou que, até às 14h30min de ontem, o fornecimento de energia elétrica foi interrompido em 210 mil unidades consumidoras no Estado, cerca de 8% das unidades atendidas pela Empresa.



As interrupções são causadas, principalmente, pela queda de vegetação sobre a rede e por descargas atmosféricas, e o granizo. Na região de Lages, 23 mil unidades ficaram sem energia e 19 equipes trabalharam para recuperar o sistema.



Fotos Silviane Mannrich

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