Abdon Batista, 12/12/2013, Correio Lageano, por Adecir Morais
Manifestantes bloqueiam um dos acessos da Usina Garibaldi, em Abdon Batista, no Meio-Oeste catarinense, desde a última terça-feira (10). O grupo reivindica o direito de famílias atingidas pelo alagamento da barragem.
Há divergências sobre o número de manifestantes que estão no local. A empresa Triunfo Rio Canoas, responsável pela usina, diz que são entre 50 a 60. Já a Polícia Militar, que está no local, alega que o número chega a 150 pessoas.
Segundo o assessor de imprensa da usina, Sidnei Luís Andrioli, a ocupação ocorreu por volta das 13horas. Afirma que alguns manifestantes chegaram encapuzados e usando porretes. Imediatamente, invadiram a área do escritório, obrigando funcionários a saírem do local. Em seguida, recuaram e se instalaram do lado de fora da obra.
Ele afirma que a ocupação, porém, não afetou a geração de energia. Diz que os manifestantes se identificaram como “apoiadores” de famílias atingidas pelo alagamento da barragem, e que reivindicam indenizações.
Garante que a maioria das pessoas eram desconhecidas. “O grupo não pertence ao movimento dos atingidos, mas do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Além disso, não tem uma pauta de reivindicação definida”, diz o assessor, alegando que os manifestantes estão impedindo a passagem no portão.
Tac: Andrioli alega, ainda, que os manifestantes não assinaram o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que estabelece critérios para a negociação entre atingidos e empresa, e garante que a Triunfo está cumprindo o acordo.
Diz que a empresa aguarda a reintegração de posse com base em um interdito, que impede que manifestantes cheguem a menos de dois quilômetros e meio da usina. O documento foi emitido em agosto pela Justiça e já está nas mãos da PM.
Sem acordo, impasse entre movimento e Triunfo segue
Esta é a segunda vez que os manifestantes ocupam um dos acessos da usina em menos de dois meses. No início de novembro, um grupo de cerca de 100 pessoas acampou no mesmo lugar, mas saiu três dias depois, após um acordo com a Polícia Militar.
O movimento alega que nem todos os acordos firmados teriam sido cumpridos pela Triunfo. Por isso, até uma mudança foi feita no TAC, mesmo assim, o impasse segue.
Cinco dias após a desocupação, foi realizada uma reunião entre membros dos atingidos, representantes da empresa e Ministérios Público Federal e Estadual, com relação ao TAC, mas não houve acordo entre a usina e os atingidos. Na ocasião, o procurador da República em Lages, Nazareno Jorgealém Wolff, manifestou-se alegando que não há necessidade de novas alterações no TAC.
Nesta quarta-feira (11) a reportagem do Correio Lageano tentou conversar, por telefone, reiteradas vezes, com representantes dos atingidos, mas a ligação caiu na caixa postal.
Foto: Arquivo/CL
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