Lages, 17/02/2014, Correio Lageano, por Adecir Morais
O preço do pedágio nas cinco praças da BR-116 (três em Santa Catarina e duas no Paraná) é de R$ 3,80 para veículos de passeio. Uma viagem de ida e volta entre Lages e Curitiba (PR) custa R$ 38,00. Para o caminhoneiro João Gilmar Corona, de 51 anos, o valor da tarifa é 11,40. “Pelo preço, a rodovia poderia ter pista dupla”, sugere.
Natural de Lages, mas residente em Itapema, no Litoral Catarinense, Corona é um dos usuários da rodovia. Apesar de conhecê-la de ponta a ponta, não sabe que o preço do pedágio pode ser reduzido, caso a Autopista Planalto Sul descumpra o que prevê o contrato de concessão.
Nesta segunda parte da reportagem sobre a BR-116, o Correio Lageano aborda o acordo feito pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a concessionária, firmado por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O acordo obriga a Autopista Planalto Sul a realizar integralmente as obras previstas.
Termo
Pelo TAC, a ANTT faz o acompanhamento mensal da execução das obras, com consolidação trimestral. Se a concessionária deixar de cumprir os prazos será punida com a redução do pedágio. Não serão considerados os atrasos por imprevistos, como chuvas.
A Planalto Sul pertence ao mesmo grupo da Autopista Litoral Sul, concessionária que administra o trecho Norte da BR-101, no Litoral do Estado, que em 2013 foi alvo de investigação da ANTT devido à irregularidades no trecho do Litoral.
Estudo enumera obras importantes que são adiadas
Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), que elaborou um estudo sobre as obras atrasadas no trecho com pedágio da BR-116, a construção das vias laterais em Mafra é uma das obras que tiveram o cronograma alterado. O levantamento ainda aborda a desproporção de investimentos em comparação com a arrecadação no Estado.
Os serviços iniciaram no fim do ano passado. Com 7,38 quilômetros, a construção é tida como essencial para desafogar o trânsito no município. Além disso, dentre as obras não feitas em Santa Catarina, está a construção das terceiras faixas na Serra do Espigão, na região de Monte Castelo, e na Serra do Pelotas, na divisa de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A obra foi adiada para 2020, quando a previsão inicial de termino era 2018. Ao todo, a Planalto Sul é obrigada a construir 48 quilômetros de terceiras faixas em Santa Catarina.
Também entra na lista das obras não realizadas, a remodelação do trecho no cruzamento com a BR-280, em Mafra. O local é tido como um dos mais perigosos da 116, e já foi palco de inúmeros acidentes. Os trabalhos estão previstos para iniciar este ano.
Nos quilômetros 107, 108,7 e 123, na Serra do Espigão, obras para corrigir deslizamentos de terrenos em inclinação também foram postergadas, segundo a Fiesc. Os problemas põem em risco os motoristas que trafegam pelo local.
Algumas obras pendentes em SC
Construção de ruas laterais:
7,38 km em Mafra (SC).
Construção de trevo em desnível no entroncamento com a BR-280, em Mafra.
Execução de terceiras faixas:
48,3 quilômetros, sendo 6,6 (14%) no PR e 41,7% (86%) em SC (a maior parte na Serra do Espigão, entre Santa Cecília e Monte Castelo).
Ele perdeu o pai, e ela foi atropelada
De todos os moradores que residem às margens da BR-116, talvez ninguém esteja tão próximo como a terapeuta Neuza Tatara, de 57 anos. Ela reside em Mafra, no Norte Catarinense, no entroncamento com BR-280, e tem a casa praticamente colada à rodovia.
“Moro aqui desde que nasci. Às vezes, a gente nem dorme por causa do barulho, mas fazer o quê? O movimento de carros aumentou nos últimos anos”, diz a moradora, destacando que já perdeu a conta de quantos acidentes presenciou no trevo.
Ela própria foi atropelada no trevo. Isso ocorreu há 15 anos, numa véspera de Natal, quando passeava com o marido e uma irmã. “Fomos atropelados por um automóvel, eu quebrei uma perna e o marido quebrou a clavícula. Por sorte, minha irmã sofreu apenas uns arranhões”, lembra.
Morte
Outra vítima da rodovia é o motorista de transporte escolar, Ataídes Colete Padilha, de 45 anos. Morador em Lebon Regis, no Meio-Oeste Catarinense. Ele conta que perdeu o pai no trevo com a SC-302, que dá acesso ao município, há quatro anos.
“Ele estava transitando de carro, nisso veio um caminhão e bateu nele. Morreu no hospital. Não é fácil. Foi uma perda incalculável. Meu pai tinha 85 anos, mas ainda cuidava dos negócios da família”, lamenta Padilha.
Dados mostram que na BR-116, entre Curitiba e a divisa com o Rio Grande do Sul foram 1.860 acidentes, em 2009, e 2.863, em 2012, um aumento de 53,9%.
Ruas laterais são uma das principais obras em SC
Uma das principais obras estruturais da BR-116 em solo catarinense é a construção das ruas laterais de Mafra, no Norte do Estado. A obra é esperada há anos pela população, pois além de agilizar o fluxo de automóveis no local, vai acabar com a poeira e o barro da rua.
O torneiro mecânico Emredi Schunemann, de 56 anos, lembra que a execução da obra era esperada havia mais de 20 anos pela população. Ele tem uma tornearia ao lado da rodovia e, da porta do estabelecimento, vê os operários executando as obras, que se iniciaram em dezembro do ano passado.
Apesar de considerar a obra essencial para o município, Schunemann, porém, incomoda-se devido à possibilidade de ter que deixar o local, pois a tornearia onde trabalha está instalada no limite da área de domínio.
“Já faz 20 anos que a gente trabalha aqui. Os comerciantes vizinhos também estão preocupados. Talvez a gente tenha que sair daqui. Mas a obra é preciso. Vai melhora bastante porque aqui tem muita poeira”, comenta.
A série
fim de semana
Catarinenses pagam mais e têm menos obras
segunda-feira
Autopista descumpre contrato e ANTT ameaça reduzir pedágio
terça-feira
Plano da concessionária
quarta-feira
Entidades cobram cumprimento de contrato
Fotos:Adecir Morais
O preço do pedágio nas cinco praças da BR-116 (três em Santa Catarina e duas no Paraná) é de R$ 3,80 para veículos de passeio. Uma viagem de ida e volta entre Lages e Curitiba (PR) custa R$ 38,00. Para o caminhoneiro João Gilmar Corona, de 51 anos, o valor da tarifa é 11,40. “Pelo preço, a rodovia poderia ter pista dupla”, sugere.
Natural de Lages, mas residente em Itapema, no Litoral Catarinense, Corona é um dos usuários da rodovia. Apesar de conhecê-la de ponta a ponta, não sabe que o preço do pedágio pode ser reduzido, caso a Autopista Planalto Sul descumpra o que prevê o contrato de concessão.
Nesta segunda parte da reportagem sobre a BR-116, o Correio Lageano aborda o acordo feito pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a concessionária, firmado por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O acordo obriga a Autopista Planalto Sul a realizar integralmente as obras previstas.
Termo
Pelo TAC, a ANTT faz o acompanhamento mensal da execução das obras, com consolidação trimestral. Se a concessionária deixar de cumprir os prazos será punida com a redução do pedágio. Não serão considerados os atrasos por imprevistos, como chuvas.
A Planalto Sul pertence ao mesmo grupo da Autopista Litoral Sul, concessionária que administra o trecho Norte da BR-101, no Litoral do Estado, que em 2013 foi alvo de investigação da ANTT devido à irregularidades no trecho do Litoral.
Estudo enumera obras importantes que são adiadas
Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), que elaborou um estudo sobre as obras atrasadas no trecho com pedágio da BR-116, a construção das vias laterais em Mafra é uma das obras que tiveram o cronograma alterado. O levantamento ainda aborda a desproporção de investimentos em comparação com a arrecadação no Estado.
Os serviços iniciaram no fim do ano passado. Com 7,38 quilômetros, a construção é tida como essencial para desafogar o trânsito no município. Além disso, dentre as obras não feitas em Santa Catarina, está a construção das terceiras faixas na Serra do Espigão, na região de Monte Castelo, e na Serra do Pelotas, na divisa de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A obra foi adiada para 2020, quando a previsão inicial de termino era 2018. Ao todo, a Planalto Sul é obrigada a construir 48 quilômetros de terceiras faixas em Santa Catarina.
Também entra na lista das obras não realizadas, a remodelação do trecho no cruzamento com a BR-280, em Mafra. O local é tido como um dos mais perigosos da 116, e já foi palco de inúmeros acidentes. Os trabalhos estão previstos para iniciar este ano.
Nos quilômetros 107, 108,7 e 123, na Serra do Espigão, obras para corrigir deslizamentos de terrenos em inclinação também foram postergadas, segundo a Fiesc. Os problemas põem em risco os motoristas que trafegam pelo local.
Algumas obras pendentes em SC
Construção de ruas laterais:
7,38 km em Mafra (SC).
Construção de trevo em desnível no entroncamento com a BR-280, em Mafra.
Execução de terceiras faixas:
48,3 quilômetros, sendo 6,6 (14%) no PR e 41,7% (86%) em SC (a maior parte na Serra do Espigão, entre Santa Cecília e Monte Castelo).
Ele perdeu o pai, e ela foi atropelada
De todos os moradores que residem às margens da BR-116, talvez ninguém esteja tão próximo como a terapeuta Neuza Tatara, de 57 anos. Ela reside em Mafra, no Norte Catarinense, no entroncamento com BR-280, e tem a casa praticamente colada à rodovia.
“Moro aqui desde que nasci. Às vezes, a gente nem dorme por causa do barulho, mas fazer o quê? O movimento de carros aumentou nos últimos anos”, diz a moradora, destacando que já perdeu a conta de quantos acidentes presenciou no trevo.
Ela própria foi atropelada no trevo. Isso ocorreu há 15 anos, numa véspera de Natal, quando passeava com o marido e uma irmã. “Fomos atropelados por um automóvel, eu quebrei uma perna e o marido quebrou a clavícula. Por sorte, minha irmã sofreu apenas uns arranhões”, lembra.
Morte
Outra vítima da rodovia é o motorista de transporte escolar, Ataídes Colete Padilha, de 45 anos. Morador em Lebon Regis, no Meio-Oeste Catarinense. Ele conta que perdeu o pai no trevo com a SC-302, que dá acesso ao município, há quatro anos.
“Ele estava transitando de carro, nisso veio um caminhão e bateu nele. Morreu no hospital. Não é fácil. Foi uma perda incalculável. Meu pai tinha 85 anos, mas ainda cuidava dos negócios da família”, lamenta Padilha.
Dados mostram que na BR-116, entre Curitiba e a divisa com o Rio Grande do Sul foram 1.860 acidentes, em 2009, e 2.863, em 2012, um aumento de 53,9%.
Ruas laterais são uma das principais obras em SC
Uma das principais obras estruturais da BR-116 em solo catarinense é a construção das ruas laterais de Mafra, no Norte do Estado. A obra é esperada há anos pela população, pois além de agilizar o fluxo de automóveis no local, vai acabar com a poeira e o barro da rua.
O torneiro mecânico Emredi Schunemann, de 56 anos, lembra que a execução da obra era esperada havia mais de 20 anos pela população. Ele tem uma tornearia ao lado da rodovia e, da porta do estabelecimento, vê os operários executando as obras, que se iniciaram em dezembro do ano passado.
Apesar de considerar a obra essencial para o município, Schunemann, porém, incomoda-se devido à possibilidade de ter que deixar o local, pois a tornearia onde trabalha está instalada no limite da área de domínio.
“Já faz 20 anos que a gente trabalha aqui. Os comerciantes vizinhos também estão preocupados. Talvez a gente tenha que sair daqui. Mas a obra é preciso. Vai melhora bastante porque aqui tem muita poeira”, comenta.
A série
fim de semana
Catarinenses pagam mais e têm menos obras
segunda-feira
Autopista descumpre contrato e ANTT ameaça reduzir pedágio
terça-feira
Plano da concessionária
quarta-feira
Entidades cobram cumprimento de contrato
Fotos:Adecir Morais
Nenhum comentário:
Postar um comentário