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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Família denuncia ter sido vítima de PMs

Família denuncia ter sido vítima de PMs
Lages, 15/01/2013, Correio Lageano, por Susana Küster


Mulher de vítima alega que também sofreu agressão de policiais militares e promete que irá levar o assunto à Corregedoria



Pelo menos oito policiais militares foram até a casa de Nilceu da Silva, 38 anos, no loteamento Lourival Bet, no domingo, por volta das 11 horas. Segundo a mulher dele relatou na Polícia Civil, os PMs bateram, algemaram e o levaram para um terreno  no bairro Ferrovia. Neste local, ele teria sido agredido a ponto de não conseguir se levantar.



A mulher, Fátima Maciel da Silva, diz que também foi agredida nos olhos com spray de pimenta quando indagou aos policiais o motivo da agressão no marido. “Vários vizinhos viram a agressão e dizem que se a situação for investigada todos testemunharão a nosso favor”, afirma.



A PM vai investigar o caso quando a vítima registrar a agressão na Corregedoria.
Porém, para o caso ser investigado, testemunhas ou as vítimas devem registrar a denúncia, que não pode ser anônima.



“Não tem motivo para ter medo. Eles podem vir aqui que tudo será investigado”, diz o aspirante a oficial Marco Antônio Marason Junior.



O policial militar conta que Nilceu da Silva tem uma audiência marcada para o dia 3 de outubro, no Juizado Especial Criminal (Jecrim), para responder ao processo de resistência à prisão e desacato. “Foi usada a força necessária para contê-lo. Se houve abuso de autoridade, vamos investigar e punir os envolvidos”, finaliza.


Polícia diz que Nilceu iniciou tumulto


O aspirante a oficial Marco Antônio Marason Junior afirma que um vizinho de Nilceu da Silva se envolveu em um acidente de trânsito no bairro Penha, na avenida Manoel Antunes Pessoa.



De acordo com Marason, o vizinho de Nilceu não prestou socorro ao motociclista ao qual cortou a frente e fugiu. Porém, o motociclista anotou a placa do veículo e a polícia encontrou ele em sua casa. “Segundo relato da guarnição, neste momento, Nilceu começou a desacatar os policiais e deu chutes e socos em um policial. A guarnição o prendeu com uso de força e o levou para a delegacia”, conta.



O vizinho vai responder um Termo Circunstanciado devido ao acidente em que se envolveu e não prestou socorro. Já Nilceu está com o pulmão perfurado, três costelas quebradas, com hematomas no ombro direito, na barriga e nas duas pernas.



De acordo com sua mulher, ele ficará internado no Hospital Nossa Senhora dos Prazeres para passar por procedimento cirúrgico e drenagem no pulmão.



O sentimento dela é de medo. Mesmo assim, ontem no final da tarde, ela disse que vai até a corregedoria da Polícia Militar hoje. “Quando descobriram que ele não era o cara certo, pararam de bater nele e levaram para o hospital. Mesmo assim, falaram para ele não dizer o que tinha acontecido, porque senão matavam ele e eu”, contou. Fátima diz que o marido foi abordado pelos policiais em frente à casa deles, e, começou a ser agredido sem nenhuma explicação.



Ela registrou o caso na Polícia Civil Nilceu da Silva fará exame de corpo delito no Instituto Geral de Perícias (IGP). “Policiais nos agrediram e nos ameaçaram de morte. Tudo sem motivo. Medo nós temos, mas não vamos ficar quietos, queremos justiça”.



O aspirante a oficial Marco Antônio salienta que, caso seja constatado abuso de autoridade, os policias responderão um processo na justiça militar e podem ser afastados da corporação.


Hospital confirma lesões graves


No Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, a informação passada para a imprensa é de que Nilceu da Silva está com pneumotórax (perfuração no pulmão), e três costelas quebradas. Além de possuir hematomas na barriga, pernas e rosto. No final da tarde ontem, ele estava na emergência do hospital, aguardando leito para ser internado.


O que fazer em casos de abuso de autoridade cometido por policiais


• Anotar placa da viatura e o nome dos policiais que cada um possui na farda.
• Registrar o caso na corregedoria de polícia.
• Tentar tirar fotos ou filmar a agressão.
• Fazer exame de corpo delito no Instituto Geral de Perícias (IGP).



Foto:Susana Küster

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Lourival Bet tem problemas, mas agrada

Lourival Bet tem problemas, mas agrada
Lages, 19/10/2012, Correio Lageano




Moradores elogiam as casas e dizem que as adversidades não incomodam. São cerca de 600 pessoas morando no loteamento


Foram três anos em construção, mas em dezembro do ano passado, os moradores do loteamento Lourival Bet, no bairro Penha, receberam a notícia que já poderiam morar nas casas entregues pela prefeitura. Ainda há alguns problemas para resolver: posto de saúde é longe, há um permanente cheiro de esgoto, não há pavimentação ou calçadas, as cartas não chegam e faltam vagas nas creches. Apesar disso, os quase 600 moradores gostam do lugar e já começam a construir os primeiros muros e ampliações.


“É tranquilo, como um sítio”, diz Jucele Silva Garcia, que morava na Várzea, em uma edícula, atrás da residência da sua mãe. A casa, ela garante, “não tem o que reclamar, está ótima”. Dos problemas citados, ela reclama apenas do cheiro do esgoto. “No verão acho que a gente vai ter que se mudar, porque não tem como aguentar”, conta.


O cheiro ruim provém da estação de tratamento que há no bairro. É uma estação de tratamento que atende 134 casas e custou R$ 550 mil. O sistema de utiliza uma tecnologia chamada ‘Wetland’. A falta de um sistema de tratamento de esgoto foi um dos motivos do atraso na entrega das casas.


Sonara Borges, uma das beneficiadas mora ao lado da estação de tratamento, onde o cheiro ruim é mais forte. Por outro lado, ela fica ao lado do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), que ajuda a resolver outro problema: a falta de creche. Dois dos quatro filhos precisam ir ao Centro para estudar. Segundo a Secretaria de Educação, um Centro de Educação Infantil (Ceim) para 180 alunos será construído na Rua dos Lírios, vizinha do Lourival Bet.


Esta rua é a mesma que o ex-secretário e agora vereador eleito Juliano Polese (PP) confirmou como o endereço de um posto de saúde. Isso porque os moradores do Nadir e do Lourival Bet têm que subir um morro e caminhar 1 quilômetro a pé para ter um atendimento de saúde. “É muito bom lá”, diz Sonara. O problema da distância é alvo de uma militância da vereadora reeleita Aida Hoffer (PSD) que já fez dois pedidos para que a prefeitura construísse um posto no local. O prefeito Renato Nunes de Oliveira (PP) prometeu a construção durante a entrega das chaves, em dezembro de 2011, mas até agora nada foi feito. Há um cadastro no Ministério da Saúde para a benfeitoria, mas ainda não foi dado parecer.


Das obras que o poder público prometeu, apenas o Cras e a estação de tratamento estão prontos. Nem nome as ruas possuem.


O assunto já foi pauta de duas matérias do Correio Lageano, uma em abril, outra em agosto. Jucele não se importa. “Conta de água e luz chega, então está tudo bem”, afirma.


As casas são elogiadas pelos moradores e Jucele diz que não há brigas (versão contestada por Sonara). No início de outubro houve uma briga de grandes proporções que deixou quatro feridos. Houve tiros, facadas e uma “batalha campal”, como definiu a testemunha Iolita Santos. Ela disse na edição do Correio Lageano do dia 2 de outubro que a culpa é do Lourival Bet. “Desde que o loteamento veio para cá, não tivemos mais paz”. Já Jucele, diz que as brigas ficam “lá em cima”, em referência ao vizinho Nadir. “Todo mundo é gente boa, são as pessoas que fazem a Cohab”, ressalta Jucele.


Mau cheiro é temporário


O engenheiro da Semasa Marcos Tibúrcio afirma que todo o tratamento da estação de tratamento é natural e existe um “prazo de maturação”, que varia de 6 a 12 meses. Ele explica que com a chegada do verão, a maturação pode ser mais rápida.


Tibúrcio afirma que em três ou quatro meses o cheiro pode acabar. Se isso não ocorrer, será feito um sistema artificial para tratamento do odor. “A Semasa está preocupada”, afirma, ressaltando que ainda esta semana passará pelo local para ver se algo está desregulado.
A estação de tratamento é necessária para que todo o esgoto do loteamento seja tratado e enviado ao córrego que existe ao lado do Lourival Bet. Isto é uma exigência do Conama, que, garante Tibúrcio, está sendo cumprida.


Fotos: Thomas Michel

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Homem encontrado no Lourival Bet teve morte natural

Lages, 28/09/2012, CLMais, por Fabiana Nonjah, com informações do Instituto Geral de Perícias (IGP) e do boletim enviado à imprensa pela Polícia Militar (PM)




O corpo de Altieri Vargas Chaves, de 29 anos,encontrado ao lado de uma casa do loteamento Lourival Bet, no bairro Penha, em Lages, no início da manhã desta quinta-feira (27) não foi periciado pelo Instituto Geral de Perícias (IGP). A informação no órgão é que por não existirem marcas de violência ou ferimentos, a declaração de óbito foi dada por um médico da Secretaria da Saúde do município.



Ainda segundo o IGP repassou ao CLMais na manhã desta sexta-feira (28), a morte foi provocada por causas naturais.



Na Secretaria da Saúde de Lages, a informação da assessoria de imprensa é de que o próprio secretário da Saúde, Paulo Duarte, assinou a certidão de óbito, a pedido do IGP.



O médico examinou o corpo duperficialmente e por não encontrar nenhum trauma, atestou morte por causa desconhecida.



A assessoria lembra que médico do serviço público não pode se negar a emitir certidão de óbito.


O corpo ficou no IGP até o final da tarde de ontem, à espera da chegada de parentes de Chaves, que vivem em Bagé (RS).


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Ruas do Lourival Bet serão identificadas

Ruas do Lourival Bet serão identificadas
Lages, 10/08/2012,Correio Lageano




Há oito meses, moradores têm dificuldades em receber correspondências por falta de nome nas ruas do loteamento




Em dezembro de 2011, 130 famílias receberam as chaves das casas do loteamento Lourival Bet, no bairro da Penha. Até agora, as ruas ainda são identificadas pela letra do lote e o número da quadra. Os moradores querem que as correspondências dos Correios cheguem sem ter que se deslocar até o centro para buscá-las. Outra dificuldade é de ordem financeira para aumentar a área construída, já que a casa tem 30m².



Em abril deste ano, o Correio Lageano publicou uma reportagem sobre a falta de identificação no loteamento. A situação continua a mesma. O local não consta no cadastro dos Correios porque a empresa só trabalha em ruas cadastradas no sistema. A Prefeitura precisa comunicar os nomes das ruas para serem atualizadas.



As obras levaram três anos para serem concluídas e mais de 600 pessoas moram nas 130 casas do loteamento. Dos moradores entrevistados, apenas um afirmou que os Correios passam pelas ruas. Os demais disseram que precisam gastar com ônibus para irem até o Centro buscar as correspondências. Sinal de telefone celular não tem e a comunicação só é possível por meio de telefone fixo.



Eles disseram que, agora há mais um problema. Para aumentar a residência precisam procurar um engenheiro e gastar cerca de R$ 200,00 e só podem fazer mais 5m². “Na reunião que fizeram antes de receberem as chaves, a taxa era de R$ 15,00 e o gasto seria só com o material”, disse Oneide Pinto de Castelo. Ela mora com três filhas, uma de 15, outra de sete e um bebê de três meses.



Na sexta-feira (03) chegou um bilhete assinado pela secretária municipal de Habitação, Anarita Locatelli, para os interessados em ampliar a casa procurarem o engenheiro da Secretaria para receberem orientações. Oneide quer uma área coberta para lavanderia. Toda noite coloca o tanquinho para dentro de casa.



“Daqui a alguns meses muda a prefeitura e nós, como ficamos?”, ressaltou Silvia Santos. A vizinha Elza de Fátima Alves perdeu móveis porque não tinha espaço em casa para colocar e deixou embaixo de lona na parte de fora. Diz que não tem condições de pagar R$ 200,00 para aumentar. Além disso, ela diz que perdeu o curso de costureira industrial que gostaria de fazer, porque o aviso é enviado pelos Correios.



Secretaria não cobra taxa


As casas têm 30 metros quadrados, com sala e cozinha conjugadas, dois quartos e banheiro. As famílias selecionadas não têm renda ou sobrevivem com até três salários mínimos. Todas estavam cadastradas na fila de espera da Secretaria da Habitação.



A secretária Anarita Locatelli esclarece que a Secretaria não cobra nenhuma taxa para a família ampliar o espaço.  Um informativo foi enviado para que os moradores procurem a Secretaria para receber orientações sobre a documentação e procedimentos necessários. A contratação de um profissional para executar a obra é por conta de cada morador. Eles são isentos das taxas, o gasto será com este profissional.



De acordo com a Secretaria de Planejamento, a Câmara de Vereadores já fez contato com indicação de nomes para duas ruas. As outras receberão números para identificação.



Nova sede do CRAS III


A coordenadora Anelise Souza contou que a sede do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) mudou para o loteamento Lourival Bet em maio, antes funcionava na rua Evilásio Ribeiro Koeche. A sede era alugada, agora está maior. Também está com o endereço identificado por meio do número da quadra.



As 130 famílias participam deste CRAS que atende nove bairros. Anelise conta que aumentou a participação na mesma medida em que aumentou o agravo dos casos. Lá, existe atendimento psicológico, de assistência social, oficinas para jovens e adultos. “Criamos vínculos para que as pessoas se interessem em estudar para mudarem de vida e estarem no mercado de trabalho”, afirmou Anelise.

 Foto: Francielli Campiolo