Lages, 26 e 27/01/2013, Correio Lageano,
por Susana Küster
Todos os finais de semana, acontecem no Estado pelo menos 20 eventos tradicionalistas. Destes, 10 ocorrem na Serra Catarinense
Todos os finais de semana, pelo menos um rodeio acontece na Serra
Catarinense. A agenda de eventos do gênero está lotada no Estado. De
acordo com o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), não há mais espaço
para novos eventos. Toda esta movimentação afeta positivamente a
economia dos locais que recebem os rodeios, gerando milhões.
A indústria do laço é abrangente e gira uma engrenagem fabulosa na
região. Além do laço em si, envolve tratadores de animais, comércio de
alimentos e bebidas, deslocamentos de pessoas e de animais, hospedagem,
venda de ingressos. Enfim, estes eventos fazem uma montanha de dinheiro
trocar de mãos. Quanto? Qualquer valor estimado seria um chute.
Um caso típico de como os eventos tradicionalistas influenciam a
economia é o do comerciante lageano José Pereira Martins, mais conhecido
no ramo em que trabalha como Juca.
A paixão em atuar com artigos usados em rodeios veio de seus pais e avós
e é alimentada por ele há 25 anos em seu comércio do bairro Santa
Helena. Martins empregou as duas filhas e a mulher no seu
empreendimento, que possui grande clientela.
Ele vende uma variedade de produtos da indumentária gaúcha, como
bombachas, chapéus, botas, lenços, cintos, camisetas, entre outros. Mas o
comerciante também produz todos os produtos de montaria, como botas,
laços, lático (o que aperta a sela), e arreio.
Segundo ele, para sobreviver no ramo é preciso, além de vender, fazer
alguns produtos. “Tem pessoas que querem uma bota exclusiva, algumas
possuem problema na panturrilha ou outra necessidade que precisa de uma
bota sob medida”, explica.
O comerciante formou clientela quando ia para os eventos
tradicionalistas que ocorriam no final de semana, o que faz até hoje de
forma atualizada, pois possui e-mail e site com os produtos que vende.
Ele viaja com sua equipe para os grandes eventos tradicionalistas de
Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
MTG possui 50 mil filiados em SC
O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) possui atualmente 50 mil
filiados no Estado. O presidente da entidade, Orides Luiz Pompeu, afirma
que a quantidade de eventos tradicionalistas é maior na Serra
Catarinense, do que em outras regiões.
Na região, pelo menos um rodeio acontece todo final de semana, mas no
Estado, o número salta para 20. “É importante esta cultura, porque
incentiva o respeito e a disciplina. Nossos jovens ocupam seu tempo
livre nos eventos, com atividades saudáveis”, afirma.
Várias atividades profissionais se desenvolveram com esta cultura, como
domador, narrador, juízes de prova e criadores de cavalo crioulo. Os
filiados do MTG contribuem anualmente com uma taxa. O valor arrecadado é
investido na divulgação e apoio para os eventos.
CTG Barbicacho Colorado vai completar 52 anos em fevereiro
Em Lages, o Centro de Tradição Gaúcha (CTG), Barbicacho Colorado, é
um dos mais antigos da cidade. Em fevereiro, completará 52 anos. O
patrão do CTG, Mário Sérgio Arruda Antunes, conta que o grupo ganhou
várias premiações na parte cultural e campeira.
Fazem parte do CTG, 350 filiados e um grupo folclórico que realiza 130
shows por ano e já fez apresentações em programas de televisão e
festivais de dança. “Toda semana, o grupo faz shows em fazendas de
turismo da região”.
Para Antunes, participar de eventos tradicionalistas é uma forma de
reunir a família em uma atividade relaxante e saudável, relacionada com a
cultura da região. “Quando vamos para os eventos, em torno de 200
pessoas vão em caravana para acampar”, diz.
Mais de 100 troféus foram conquistados em rodeios
Incentivado pelo pai, Arno Junior Vieira, conhecido como Juninho,
conquistou junto com sua equipe, que é formada pelo seu pai Arno Vieira,
seu irmão Guilherme e seu compadre Alexandre Córdova, mais de 100
troféus, um carro, uma moto e valores em dinheiro nos torneios em que
participa.
Apesar de todo o rodeio ter premiação em dinheiro, Vieira diz que é
inviável sobreviver somente desta atividade. Ele é administrador e
participa dos torneios em seu tempo livre. “Pretendo continuar
participando sempre, vou até nos torneios do litoral. No Rio Grande do
Sul, fica mais difícil de ir, devido ao trabalho”, comenta.
Ele explica que para participar de um rodeio, o custo de manutenção da
equipe é caro. “Tem o custo do transporte, do cavalo, das inscrições e
do acampamento”, completa.
Rodeios de janeiro e fevereiro
- 26 e 27 de janeiro
- Local: Correia Pinto / CTG Esteio da Tradição
- 26 e 27 de janeiro
- Local: Painel / CTG Rodeio Painelense
- 26 e 27 de janeiro
- Local: Campo Belo do Sul / CTG Mangueira Campobelense
- 1 a 3 de fevereiro
- Local: São Joaquim / CTG Fronteira do Rio Pelotas
- 2 e 3 de fevereiro
- Local: Correia Pinto / CTG Chilenas de prata
- 2 e 3 de fevereiro
- Local: Otacílio Costa / Piquete Alma de Campeiro
- 2 e 3 de fevereiro
- Local: Capão Alto / CTG Galpão da Querência
- 2 e 3 de fevereiro
- Local: Anita Garibaldi / Piquete Pé no Estribo
- 9 e 10 de fevereiro
- Local: São José do Cerrito / CTG Estância Velha
- 9 e 10 de fevereiro
- Local: Lages / CTG Tio Side
- 9 e 10 de fevereiro
- Local: Cerro Negro / CTG Pelego Preto
- 15 e 16 de fevereiro
- Local: Anita Garibaldi / Piquete Porteira da Serra
- 16 e 17 de fevereiro
- Local: Palmeira / CTG Rodeio de São Sebastião
- 16 e 17 de fevereiro
- Local: São José do Cerrito / CTG Sesteada da Querência
- 16 e 17 de fevereiro
- Local: Campo B. do Sul / Piquete Os Tauras
- 23 e 24 de fevereiro
- Local: Lages / CTG Estância da Palmeirinha
- 23 e 24 de fevereiro
- Local: Lages / Piquete Estância Xucra
- 23 e 24 de fevereiro
- Local: Otacílio Costa / CTG Liberdade Nativa
- 23 e 24 de fevereiro
- Local: Anita Garibaldi / CTG Fulvio Ramos Furtado
- 23 e 24 de fevereiro
- Local: Anita Garibaldi / Piquete Presilha da Amizade
CTG’s da região
- Lages: 29
- Correia Pinto: 14
- Capão Alto: 10
- Anita Garibaldi: 9
- Campo Belo: 8
- Otacílio Costa: 7
- São Joaquim: 6
- Cerro Negro: 6
- Bocaina: 6
Foto: Susana Küster