sábado, 7 de julho de 2012

Pastor Valdir Pereira diz não ter omitido socorro para João Maria Alves Dias

Pastor Valdir Pereira diz não ter omitido socorro para João Maria Alves Dias
Lages, 07 e 08/07/2012,Correio Lageano



O pastor Valdir Pereira, que teria tentado curar um homem através de orações (matéria publicada no dia 02/07 no Correio Lageano) dá sua versão do fato. O homem morreu. Ele diz que não houve negligência de sua parte e que chamou a família.



O falecido João Maria Alves Dias era morador de rua e chegou a ser personagem em uma das matérias do Correio Lageano sobre moradores de rua, publicada no dia 10 de junho de 2011. Ele dizia não ter família, e falava que vivia “há um milhão de anos” na rua. Era conhecido por levar um carrinho com símbolo da Volkswagen, uma porta de armário e duas rodas de bicicleta. Usava para catar papelão e lata.



A vida nas ruas pesou nos últimos meses, trazendo-lhe problemas de saúde. Reconciliou-se com a família e voltou para casa, já debilitado. Segundo Valdir, ele estava “desenganado” pela medicina tradicional e gostaria de participar de um culto na sua casa de orações.



Valdir mora com um irmão de João, e relata que a própria família ajudou a colocar o ex-morador de rua no carro que foi para a casa de orações. Isso teria sido por volta de seis horas da tarde, segundo Valdir. “Geralmente começo o culto as 19h30min, mas, como vi que ele estava muito fraco, comecei as 19 horas”, relata.



O pastor diz que estava de costas, e o irmão de João, que estava na casa de orações, relata que o falecido não gemeu, não gritou, nem reclamou ou avisou que estava mal. “Pensei que ele estava dormindo”, disse Valdir.



O próximo passo, segundo o pastor, foi comunicar a família, que chegou em dez minutos, e chamaram o Samu. “Enquanto a gente esperávamos, ficamos rezando, mas jamais omitimos socorro. Estávamos tentando fazer algo que a medicina convencional não consegue fazer, porque na Bíblia diz que Jesus cura causas impossíveis”, relata. O pastor afirma que a família fez declarações, mas não estava presente quando aconteceu o fato.




As posses se resumiam a um carrinho e um rádio de pilhas



João Maria Alves Dias não realizou seu sonho, que havia confidenciado ao Correio Lageano, que era ter dois pedaços de tábua para se proteger da chuva. Segundo a diretora de alta complexidade da Secretaria de Assistência Social, Maria Leonilde Manfroi, ele foi recolhido e levado ao hospital com pneumonia. João sempre havia se recusado a participar do Projeto Acolher, que dá casa e tratamento para moradores de rua. Os motivos da recusa eram sempre os mesmos: seus cachorros.




Eram dois cães, que por vezes chamava de Vininho e Toquinho e também de Pelé e Xuxa. Porém, Maria Leonilde explica que ele sofria de alcoolismo, sendo sua única dependência. No Projeto Acolher não se permite bebidas alcoolicas, e é feito o tratamento para dependentes químicos.



Neste último recolhimento de João pela Secretaria de Assistência Social, ele ficou dois dias na casa do Projeto Acolher (após o internamento no hospital). Foi a única vez que João aceitou ficar. Em seguida, conseguiu-se a reinserção na família, onde continuou se tratando.



João dizia que vivia na rua há “um milhão de anos”, desde quando era criança. O pastor Valdir Pereira, diz que eram mais de duas décadas. ‘Morou’ muito tempo em uma varanda na rua Carlos Joffre do Amaral, e carregava todos os seus pertences em um carrinho. Não se separava dos cães, falava alto e adorava ouvir o programa do Maneca pela manhã, em um rádio de pilha. Admirava o prefeito Renatinho, e dizia que amava muito Lages.  “Sou trabalhador”, dizia João.

 Foto: Arquivo/Cl

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