O pastor Valdir Pereira, que teria tentado curar um homem através de orações (matéria publicada no dia 02/07 no Correio Lageano) dá sua versão do fato. O homem morreu. Ele diz que não houve negligência de sua parte e que chamou a família.
O falecido João Maria Alves Dias era morador de rua e chegou a ser personagem em uma das matérias do Correio Lageano sobre moradores de rua, publicada no dia 10 de junho de 2011. Ele dizia não ter família, e falava que vivia “há um milhão de anos” na rua. Era conhecido por levar um carrinho com símbolo da Volkswagen, uma porta de armário e duas rodas de bicicleta. Usava para catar papelão e lata.
A vida nas ruas pesou nos últimos meses, trazendo-lhe problemas de saúde. Reconciliou-se com a família e voltou para casa, já debilitado. Segundo Valdir, ele estava “desenganado” pela medicina tradicional e gostaria de participar de um culto na sua casa de orações.
Valdir mora com um irmão de João, e relata que a própria família ajudou a colocar o ex-morador de rua no carro que foi para a casa de orações. Isso teria sido por volta de seis horas da tarde, segundo Valdir. “Geralmente começo o culto as 19h30min, mas, como vi que ele estava muito fraco, comecei as 19 horas”, relata.
O pastor diz que estava de costas, e o irmão de João, que estava na casa de orações, relata que o falecido não gemeu, não gritou, nem reclamou ou avisou que estava mal. “Pensei que ele estava dormindo”, disse Valdir.
O próximo passo, segundo o pastor, foi comunicar a família, que chegou em dez minutos, e chamaram o Samu. “Enquanto a gente esperávamos, ficamos rezando, mas jamais omitimos socorro. Estávamos tentando fazer algo que a medicina convencional não consegue fazer, porque na Bíblia diz que Jesus cura causas impossíveis”, relata. O pastor afirma que a família fez declarações, mas não estava presente quando aconteceu o fato.
As posses se resumiam a um carrinho e um rádio de pilhas
João Maria Alves Dias não realizou seu sonho, que havia confidenciado ao Correio Lageano, que era ter dois pedaços de tábua para se proteger da chuva. Segundo a diretora de alta complexidade da Secretaria de Assistência Social, Maria Leonilde Manfroi, ele foi recolhido e levado ao hospital com pneumonia. João sempre havia se recusado a participar do Projeto Acolher, que dá casa e tratamento para moradores de rua. Os motivos da recusa eram sempre os mesmos: seus cachorros.
Eram dois cães, que por vezes chamava de Vininho e Toquinho e também de Pelé e Xuxa. Porém, Maria Leonilde explica que ele sofria de alcoolismo, sendo sua única dependência. No Projeto Acolher não se permite bebidas alcoolicas, e é feito o tratamento para dependentes químicos.
Neste último recolhimento de João pela Secretaria de Assistência Social, ele ficou dois dias na casa do Projeto Acolher (após o internamento no hospital). Foi a única vez que João aceitou ficar. Em seguida, conseguiu-se a reinserção na família, onde continuou se tratando.
João dizia que vivia na rua há “um milhão de anos”, desde quando era criança. O pastor Valdir Pereira, diz que eram mais de duas décadas. ‘Morou’ muito tempo em uma varanda na rua Carlos Joffre do Amaral, e carregava todos os seus pertences em um carrinho. Não se separava dos cães, falava alto e adorava ouvir o programa do Maneca pela manhã, em um rádio de pilha. Admirava o prefeito Renatinho, e dizia que amava muito Lages. “Sou trabalhador”, dizia João.
Foto: Arquivo/Cl
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