Cidade investe abaixo do normal em outras cidades, mas tem água barata. Somente 20% do esgoto gerado é tratado
Lages trata cerca de 20% do esgoto, tem uma das águas mais baratas de Santa Catarina e não investe quase nada na área sanitária. Os dados são de 2010, quando a Semasa disponibilizou 0,4% da sua receita para melhorias no sistema de água e esgoto, muito abaixo da normal, que é 17%.
São 5.264 ligações de esgoto. Apenas treze em cada grupo de cem casas possui tratamento de resíduos. É o oposto das ligações de água. 98% dos lageanos que moram na cidade recebem água encanada. Se levar em conta a área rural, esse número cai para 96,4%. Um exemplo explítico está na residência de Alzira Santos de Oliveira. Moradora do bairro São Luiz, joga seu esgoto no rio, como todo mundo de sua rua e o bairro da outra margem. “Quando dá um dia quente, isso fica insuportável”.
Ela diz que não tem dinheiro para comprar o sistema de fossa e filtro. “Não tem nem para a conta de água às vezes”. A Semasa, explica Alzira, só aparece para cortar a água quando ela não consegue pagar.
Mesmo em área verde, ela ressalta que não tem problemas para religar a água. Alzira, como seus vizinhos do São Luiz, pertecem aos 4.738 domicílios que tem esgoto a céu aberto em seu entorno.
Número da água em Lages*
- 96,4% dos moradores tem água
- São 43.897 ligações
- A tarifa média é de R$ 1,90 por 1000 litros
- A despesa da Semasa para enviar a água até as casas é de R$ 1,76 para cada 1000 litros
- O lageano consome, em média 143,5 litros de água por dia
- Nos dois últimos anos, a Semasa investiu R$ 1,6 milhão na distribuição de água
Número do esgoto em Lages*
- 13,8% dos domicílios tem ligação de esgoto
- São 5.264 ligações
- 20% de todo o esgoto produzido é tratado
- Desde 2005 se investiu R$ 4.128.515 em esgotamento sanitário
Em 2010 a Semasa:
- Recebeu R$ 19.480.767
- Investiu R$ 80.083
- Teve R$ 17.261.306 de despesas
- Tinha 314 funcionários
Comparativo com outras cidades:
- Lages trata menos esgoto que Chapecó, Jaraguá do Sul e Florianópolis
- Entre as 10 maiores cidades do estado foi a que menos investiu em águas e saneamento no ano de 2010
- A Semasa tinha mais funcionários que as empresas de água e saneamento de Chapecó e Jaraguá do Sul somadas
- A água em Lages é 28% mais barata que a média estadual
PAC ainda não liberou recursos para esgotamento
Lages foi uma das cidades beneficiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) para receber verbas destinadas a solucionar a questão de esgotamento sanitário.
São seis contratos que, desde 2005, deveriam trazer verbas para melhorar as condições sanitárias.
Os dois maiores contratos ainda estão em fase inicial e nenhum real chegou aos cofres municipais. Um se destina a canalização do rio Ponte Grande e deve injetar R$ 57 milhões na cidade. Outro, já teve um edital de licitação lançado, mas fracassou. São R$ 24 milhões para tratar 80% do esgoto em Lages. Para isso é necessário construir a tubulação e levar todos os resíduos para estações de tratamento.
Outros quatro menores já estão em fase de execução. Um sistema de tratamento de resíduos sólidos já te 42,45% concluído. Outro, referente a esgotamento, está 80% pronto. O mesmo percentual do terceiro contrato, para melhorias sanitárias. Já um contrato referente ao abastecimento de água está concluído. No total, são mais de R$ 7 milhões investidos nestas áreas. Deste total, R$ 1,4 milhão é verba municipal. Do total de contratos, o município ainda tem, quase R$ 82 milhões para receber e investir nas melhorias.
Contratos com o governo federal
- Melhorias sanitárias
- R$ 1.637.097,05
- 80% pronto
- Esgotamento
- R$ 5.160.644,96
- 80% pronto
- Sistema de resíduos sólidos
- R$ 935.289,98
- 42,45% pronto
- Obras do PAC - Ampliação do sistema de esgoto
- R$ 24 milhões
- Em fase licitatória
- Canalização do Ponte Grande
- R$ 57 milhões
- Não iniciou
Falta água para 1.900 casas
Mesmo com os investimentos, falta água No fim do ano passado e início deste ano, o verão, combinado com estiagem resultou em torneiras secas para grande parte da cidade. Um ano antes, a Semasa havia investido exatos R$ 1.533 nesta área.
Para universalisar a distribuição de água, o município precisa aumentar a rede para mais 1.900 casas, segundo dados do IBGE. A maioria delas fica na área rural. Até junho de 2012, a prefeitura já investiu ao menos R$ 321 mil em melhorias no abastecimento e ampliação do sistema de abastecimento de água. O foco são dois reservatórios e a região dos bairros Santa Catarina e Santa Clara. Ano passado, a região do entorno do Guarujá e da Habitação foram os beneficiados, com investimentos de R$ 647.738.
O município figurava nos dados de 2010 como um dos que mais havia desperdício de água durante a distribuição. 48,2% do que era enviado para as casas se perdia. A Semasa investiu R$ 639.067 em um sistema de telemetria, que facilita o diagnóstico e acaba diminuindo as perdas durante a distribuição.
Foto: Thomas Michel
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