Lages, 25 e 26/08/2012, Correio Lageano
Cidade investe abaixo do normal em outras cidades, mas tem água barata. Somente 20% do esgoto gerado é tratado
Lages trata cerca de 20% do esgoto, tem uma das águas mais baratas de
Santa Catarina e não investe quase nada na área sanitária. Os dados são
de 2010, quando a Semasa disponibilizou 0,4% da sua receita para
melhorias no sistema de água e esgoto, muito abaixo da normal, que é
17%.
São 5.264 ligações de esgoto. Apenas treze em cada grupo de cem casas
possui tratamento de resíduos. É o oposto das ligações de água. 98% dos
lageanos que moram na cidade recebem água encanada. Se levar em conta a
área rural, esse número cai para 96,4%. Um exemplo explítico está na
residência de Alzira Santos de Oliveira. Moradora do bairro São Luiz,
joga seu esgoto no rio, como todo mundo de sua rua e o bairro da outra
margem. “Quando dá um dia quente, isso fica insuportável”.
Ela diz que não tem dinheiro para comprar o sistema de fossa e filtro.
“Não tem nem para a conta de água às vezes”. A Semasa, explica Alzira,
só aparece para cortar a água quando ela não consegue pagar.
Mesmo em área verde, ela ressalta que não tem problemas para religar a
água. Alzira, como seus vizinhos do São Luiz, pertecem aos 4.738
domicílios que tem esgoto a céu aberto em seu entorno.
Número da água em Lages*
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96,4% dos moradores tem água
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São 43.897 ligações
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A tarifa média é de R$ 1,90 por 1000 litros
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A despesa da Semasa para enviar a água até as casas é de R$ 1,76 para cada 1000 litros
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O lageano consome, em média 143,5 litros de água por dia
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Nos dois últimos anos, a Semasa investiu R$ 1,6 milhão na distribuição de água
Número do esgoto em Lages*
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13,8% dos domicílios tem ligação de esgoto
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São 5.264 ligações
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20% de todo o esgoto produzido é tratado
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Desde 2005 se investiu R$ 4.128.515 em esgotamento sanitário
Em 2010 a Semasa:
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Recebeu R$ 19.480.767
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Investiu R$ 80.083
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Teve R$ 17.261.306 de despesas
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Tinha 314 funcionários
Comparativo com outras cidades:
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Lages trata menos esgoto que Chapecó, Jaraguá do Sul e Florianópolis
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Entre as 10 maiores cidades do estado foi a que menos investiu em águas e saneamento no ano de 2010
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A Semasa tinha mais funcionários que as empresas de água e saneamento de Chapecó e Jaraguá do Sul somadas
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A água em Lages é 28% mais barata que a média estadual
PAC ainda não liberou recursos para esgotamento
Lages foi uma das cidades beneficiadas pelo Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC 2) para receber verbas destinadas a solucionar a
questão de esgotamento sanitário.
São seis contratos que, desde 2005, deveriam trazer verbas para melhorar as condições sanitárias.
Os dois maiores contratos ainda estão em fase inicial e nenhum real
chegou aos cofres municipais. Um se destina a canalização do rio Ponte
Grande e deve injetar R$ 57 milhões na cidade. Outro, já teve um edital
de licitação lançado, mas fracassou. São R$ 24 milhões para tratar 80%
do esgoto em Lages. Para isso é necessário construir a tubulação e levar
todos os resíduos para estações de tratamento.
Outros quatro menores já estão em fase de execução. Um sistema de
tratamento de resíduos sólidos já te 42,45% concluído. Outro, referente a
esgotamento, está 80% pronto. O mesmo percentual do terceiro contrato,
para melhorias sanitárias. Já um contrato referente ao abastecimento de
água está concluído. No total, são mais de R$ 7 milhões investidos
nestas áreas. Deste total, R$ 1,4 milhão é verba municipal. Do total de
contratos, o município ainda tem, quase R$ 82 milhões para receber e
investir nas melhorias.
Contratos com o governo federal
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Melhorias sanitárias
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R$ 1.637.097,05
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80% pronto
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Esgotamento
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R$ 5.160.644,96
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80% pronto
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Sistema de resíduos sólidos
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R$ 935.289,98
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42,45% pronto
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Obras do PAC - Ampliação do sistema de esgoto
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R$ 24 milhões
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Em fase licitatória
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Canalização do Ponte Grande
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R$ 57 milhões
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Não iniciou
Falta água para 1.900 casas
Mesmo com os investimentos, falta água No fim do ano passado e início
deste ano, o verão, combinado com estiagem resultou em torneiras secas
para grande parte da cidade. Um ano antes, a Semasa havia investido
exatos R$ 1.533 nesta área.
Para universalisar a distribuição de água, o município precisa aumentar
a rede para mais 1.900 casas, segundo dados do IBGE. A maioria delas
fica na área rural. Até junho de 2012, a prefeitura já investiu ao menos
R$ 321 mil em melhorias no abastecimento e ampliação do sistema de
abastecimento de água. O foco são dois reservatórios e a região dos
bairros Santa Catarina e Santa Clara. Ano passado, a região do entorno
do Guarujá e da Habitação foram os beneficiados, com investimentos de R$
647.738.
O município figurava nos dados de 2010 como um dos que mais havia
desperdício de água durante a distribuição. 48,2% do que era enviado
para as casas se perdia. A Semasa investiu R$ 639.067 em um sistema de
telemetria, que facilita o diagnóstico e acaba diminuindo as perdas
durante a distribuição.
Foto: Thomas Michel