sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Álcool mata 15 pessoas em dois anos

Álcool mata 15 pessoas em dois anos
Lages, 12/10/2012, Correio Lageano, por Susana Küster





De acordo com dados do Caps-ad, o álcool em Lages matou em dois anos, 15 pessoas que tinham a bebida como vício




A coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras drogas (Caps-AD), Vanessa Freitas, alerta para os perigos do consumo de álcool. Ela diz que 15 pessoas morreram em Lages em dois anos, devido a problemas de saúde originados pelo consumo da substância. “Quando o álcool começa a influenciar negativamente a vida da pessoa é um sinal de que o consumo virou um vício”, salienta.



Ela acredita que por Lages ter um clima frio na maior parte do ano, as pessoas tendem a ingerir mais bebidas alcoólicas. “É também uma questão cultural, tem pais que ensinam os filhos que beber é coisa de homem”, diz a coordenadora.



Vanessa também comenta que o organismo da pessoa que bebe álcool fica resistente aos efeitos da bebida, com o tempo. “Isso faz com que a pessoa beba cada vez mais e muitas vezes, não percebe isso”, salienta.



Ela lembra que o álcool é considerado uma droga e chega a ser influência para as pessoas usarem drogas ilícitas, como maconha, cocaína e crack. “Várias pessoas que atendemos dizem que possuem vontade de usar droga, somente quando bebem”, conta.



Vanessa diz que o fato do convívio social induzir a pessoa a tomar bebida alcoólica, faz com que algumas comecem, desde cedo, a se tornarem dependentes. Foi o que aconteceu com Saulo Inácio Pereira, 57 anos. Ele está em tratamento há quatro anos no Caps-AD de Lages e há 9 meses não bebe.



Ele começou a beber com 19 anos em festas com os amigos e só parou com 53 anos. Foi quando percebeu que o consumo tinha se tornado um vício. “Minha vida poderia estar melhor. Eu poderia ter um emprego fixo, hoje estou desempregado, com problemas de saúde e retomando minha vida aos poucos”, lamenta.



Pereira diz que agora quer parar de fumar cigarro. “Antes eu fumava quatro ou cinco carteiras de cigarro por dia, agora fumo duas ou três. Só não paro de vez porque sou relaxado, mas já fico até três dias sem fumar”, diz.




Álcool influencia número de ocorrências

De acordo com a Polícia Militar de Lages, a maioria das ocorrências denominadas vias de fato, são decorrentes do uso de álcool pelo agressor.



O capitão Guilherme Ricardo Bez, diz que as ocorrências de tentativa de homicídio, geralmente envolvem como motivo rixas antigas. “Mas muitas vezes o álcool influencia também”, comenta.
Segundo o inspetor chefe da Polícia Rodoviária Federal (PRF), de Lages, João José Blomer, geralmente os acidentes que envolvem mortes, são causados por pessoas embriagadas ao volante. “O motorista alcoolizado tem seus reflexos mais lentos e isso prejudica muito na direção”, diz.



Blomer lembra que não é preciso fazer o teste do bafômetro para constatar que o motorista está bêbado. “Pode-se fazer o auto de constatação de embriaguez, pois a fala arrastada e a dificuldade para se manter em pé, são sinais de que a pessoa está bêbada”, afirma o policial.



Os efeitos do álcool no organismo

No cérebro
1. Quando o etanol carregado pelo sangue chega ao cérebro, ele estimula os neurônios a liberar uma quantidade extra de serotonina. Esse neurotransmissor - substância que leva mensagens entre as células - serve para regular o prazer, o humor e a ansiedade. Por isso, um dos primeiros efeitos do álcool é deixar a pessoa desinibida e eufórica.



No estômago

1. O etanol das bebidas irrita a mucosa do estômago, dificultando a digestão e aumentando a produção de ácido gástrico no órgão. Isso gera sensação de enjoo.


Nos rins

Quem bebe tem mais vontade de urinar. O etanol age na hipófise, uma glândula no cérebro. Lá, ele inibe a produção de um hormônio que controla a absorção de água


No coração

E um efeito colateral do excesso de urina. É que pela urina são eliminados minerais como magnésio e potássio que ajudam a manter o batimento cardíaco.




Foto:Susana Küster

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