Lages, 18/03/2013, Correio Lageano, por Suzani Rovaris
O primeiro é um dos maiores bairros de Lages, e o segundo, um dos mais antigos. Moradores do Santa Helena reclamam a falta de postos bancários e de abastecimento
Apesar de estar no lado oposto à região que mais cresce em Lages, o Bairro Santa Helena é um dos maiores do município, ficando atrás somente do Guarujá. É neste cenário, apontando os principais elementos do bairro e os aspectos sociais da comunidade, que o Correio Lageano inicia a segunda etapa do CL Comunidade deste ano. A primeira contemplou o Guarujá.
O Bairro Santa Helena é formado por 8.862 habitantes. Fica localizado na região sudoeste da cidade e faz limite com os bairros Copacabana, Triângulo, Santo Antônio, Promorar, Bela Vista, Ipiranga e Petrópolis.
Ele é cortado por duas principais vias: Avenida Caldas Júnior e Rua Mateus Junqueira. Outras, como a Rua Marechal Deodoro, Sete de Setembro e Benjamin Constant, também o ligam ao Centro.
Santa Helena, como é chamado, é uma homenagem a santa Flávia Júlia Helena, de Bitínia (hoje na Turquia), que também dá o nome à capela. Tem pouco mais de quatro décadas e foi povoado principalmente por famílias de Anita Garibaldi, Campo Belo do Sul e Capão Alto.
Ainda não é considerado autosuficiente, mas compreende uma grande quantidade de estabelecimentos comerciais e, por isso, deixa de ser um bairro exclusivamente residencial.
As famílias que nele fixaram residência, moram em casas e uma pequena parcela em apartamentos. A média de renda mensal da população, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de R$ 559,89, valor 17% menor que o salário mínimo.
Falta banco e posto
O comércio é formado por oficinas de automóveis, farmácias, sorveterias, panificadoras, cabeleireiras, materiais de construção, confecções e calçados, laboratórios, revenda de gás, pizzaria e até um local para financiamento e loterias. Concentra uma grande quantidade de selarias. Só ainda não tem posto de combustíveis e banco.
Curiosa é a quantidade de mercados e mercearias. Os moradores do Santa Helena não precisam caminhar muito para as compras. Alguns estão espalhados pela principal avenida, mas a maioria é formada por empreendimentos familiares instalados em ruas secundárias.
Na área da saúde, o bairro é dividido em três zonas, todas correspondentes à Unidade Básica de Saúde. A taxa de alfabetização, conforme o IBGE, é de 94%. Duas escolas estaduais atendem no Santa Helena, a EEB São Judas Tadeu e Escola Básica Professora Ilza Amaral de Oliveira.
O bairro que já foi de apenas um dono
Relato de moradores indica que o Bairro Santa Helena foi, em meados de 1960, uma área particular, de propriedade do engenheiro João Pedro Arruda. Segundo documento oficial do Instituto Dirceu Carneiro, onde há o depoimento de Manuel Nunes da Silva Neto, então secretário de Educação de Lages, entre 1979 e 1983, as terras foram loteadas em duas etapas, formando o bairro Santa Helena.
Foi nessa época, em 1971, que o casal Maria Francisca Ribeiro e João Francisco Ribeiros, saíram de Capão Alto e se mudaram para Lages. Quando chegaram, havia apenas seis casas. “Fomos nós, os primeiros a abrir um mercadinho, se chamava São João. Atendemos durante 23 anos”.
A capela Santa Helena foi a família Ribeiro quem ajudou a construir. “Nós organizávamos festas, bailes, bingos e, com as doações, construímos a primeira versão da capela”, conta Maria Francisca. Hoje, a capela dá lugar à estrutura nova.
Como o bairro não tinha transporte escolar (o único chegava até o Copacabana), foi no mercado São João que Maria Francisca reuniu 200 assinaturas e, com o abaixo-assinado, conseguiu uma linha de ônibus.
O lageano e também morador do bairro Santa Helena, João Inácio de Oliveira, de 74 anos, lembra de um cenário formado somente por campos e lavouras. “Os campos eram divididos em três áreas, uma para o gado leiteiro, outra para o gado de cria e a última para o gado que puxava carroça e charrete.”
Padre rebatizou o antigo bairro Banhados
O Copacabana começou a se desenvolver em meados da década de 1940. Era conhecido como Banhados e só recebeu o atual nome a partir de 1950, por intermédio do padre Luiz Gonzaga, que na época era o pároco da Igreja São Judas Tadeu.
Antigamente, o bairro tinha até bordel, ou como dizem os moradores mais idosos, uma “zona de meretriz”. Nomes de destaque em Lages, como Ivandel Xavier Soares, Maximiliano Fernandes e Vitorino Caon tinham residências no bairro. O comércio da época era limitado e alguns armazéns e bares eram os únicos que atendiam os moradores.
Considerada uma das principais e mais movimentadas ruas do bairro, a São Joaquim foi a primeira a receber lajotas, em 1972. O Copacabana se desenvolveu principalmente após a construção do Hospital Tereza Ramos, quando familiares de pacientes aproveitaram para fazer compras gerando maior renda.
Um dos bairros mais nobres de Lages
O Bairro Copacabana é um dos mais antigos de Lages e considerado pela população, entre os mais nobres. Geograficamente fica localizado abaixo do Santa Helena, mas também faz limite com Triângulo, Brusque, Centro e o Bairro Beatriz. Nesta segunda edição do CL Comunidade, o Correio Lageano também vai contar um pouco da história do Copacabana e enfatizar suas principais características.
Atualmente, o Copacabana tem 4.709 habitantes. A região é cortada por uma das principais avenidas de Lages, a Belisário Ramos. Também pelas ruas Mateus Junqueira, São Joaquim, Sete de Setembro, Benjamin Constant e Marechal Deodoro.
A maior parte do bairro está concentrada a oeste da Avenida Belisário Ramos, a maioria dos imóveis ao longo desta avenida é residência. Alguns empreendimentos se restringem em oficinas, posto de combustível, chapeação, materiais de construção, ferramentas e bares. O comércio do bairro se concentra nas principais avenidas. As demais ruas são residenciais. De acordo com o IBGE, a média da renda mensal dos moradores é de R$ 904,15.
Apesar de não ser um bairro populoso, concentra um grande número de pessoas em função de dois supermercados que movimentam a economia da região. É de fácil acesso e por estar próximo ao Centro, os moradores não dependem de transporte.
Na área da educação, o Copacabana tem duas escolas: Emeb Santa Helena e Ceim Marco Floriano Bordim. A taxa de alfabetização é de 97,4%.
Curiosidade
- O colégio que leva o nome do padroeiro do bairro Copacabana, São Judas Tadeu, fica localizado no bairro Santa Helena. Já a Escola Municipal Santa Helena se situa no bairro Copacabana.
Fotos:Suzani Rovaris
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