Lages, 21/03/2012,Correio Lageano, por Adecir Morais
Mortes ocorreram no trecho entre Lages e Bocaina do Sul; para as autoridades, a imprudência, como o excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas, é a principal causa das tragédias no trânsito, que não param de ceifar vidas
As tragédias na BR-282 parecem não ter fim. Só este ano, foram três acidentes graves no trecho entre Lages e Bocaina do Sul, na Serra Catarinense, em um trecho de apenas 25 quilômetros de extensão. As três tragédias ceifaram a vida de 12 pessoas, chocando a população da região.
O primeiro acidente ocorreu no Km 200, em Lages, na manhã de 9 de janeiro. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), um Peugeot bateu na traseira de um Celta, desgovernou-se e despencou da ponte do Rio do Peixe. Três pessoas morreram na hora e uma no hospital.
No dia 8 de fevereiro, dois carros bateram sobre a ponte do rio Ponte Alta, em Bocaina do Sul, no Km 185. Com o impacto, os veículos pegaram fogo. Duas pessoas morreram carbonizadas, dentre elas, uma professora da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac). Devido ao calor do fogo, até parte do asfalto no local derreteu. Outro envolvido morreu no hospital.
A última tragédia ocorreu na última sexta-feira. Dois veículos bateram de frente em uma curva no Km 175, também em Bocaina do Sul. Quatro pessoas da mesma família morreram na hora, e uma quinta (que estava no outro carro) no hospital. Apenas um bebê de três meses se salvou.
O CL visitou os três pontos das tragédias. Com exceção do primeiro, onde há uma curva, porém com uma boa pista, os demais são trechos de reta. Assim, a PRF acredita que as colisões poderiam ter sido evitadas se os motoristas tivessem mais cuidado.
O policial rodoviário Lorivaldo Bocate lembra que recentemente foram executadas obras de melhorias no trecho entre o KM 175 e 200. Pontos do asfalto foram reformados, melhorando a aderência dos pneus com o solo. No Km 180 foi instalado um radar fixo. Melhorias na sinalização também foram executadas.
Ele diz que era incomum tragédias nestes locais, e acredita que o excesso de velocidade e as ultrapassagens indevidas foram as principais causas dos acidentes. Para ele, o atual quadro só vai mudar a partir do momento que o motorista se conscientizar e a escola começar a educar o jovem e futuro motorista.
Educação é o caminho
“A educação no trânsito deve começar na escola. Acho que esse é o principal caminho para reduzirmos o número de acidentes e mortes, porque educar o adulto é uma tarefa mais difícil e complicada”, entende o policial.
Ele condena o comportamento de alguns motoristas, que, ao se aproximarem de um radar ou de uma viatura da polícia, reduzem a velocidade do veículo, mas em seguida pisam no acelerador e extrapolam os limites de velocidade. Outros costumam avisar os demais usuários sobre o desenvolvimento de uma operação policial de fiscalização com sinal de luz.
- No Km 200, onde ocorreu a primeira tragédia, o trecho é de reta e o asfalto é bom. No local, porém, é comum os motoristas abusarem da velocidade e alguns até fazem ultrapassagens em cima da ponte, o que é ilegal. Perto dali, há um trevo perigoso.
- Em relação ao KM 175, palco do último acidente, o local também possui uma boa pista, porém, o trecho é de curva, o que exige uma maior atenção dos motoristas. Poças d?água se formam na faixa de quem anda sentido Lages. O asfalto no local também apresenta irregularidades.
- O local da segunda tragédia também é de pista boa, no entanto, para quem transita do Litoral a Lages, justamente no sentido que viajava a professora da Uniplac, precisa prestar atenção com uma curva
- O acidente ocorreu na manhã de 9 de janeiro. Miria Regina Dutra, de 43 anos, dirigia o Peugeot e teria colidido na traseira de um Celta, durante uma ultrapassagem. Com o impacto, o Peugeot se desgovernou e despencou de uma ponte. Além de Miriam, também morreram a irmã Leila Lúcia Dutra, 36; a filha Dayane Dutra Machado, 24; e a sobrinha Letícia Dutra, de 10 anos. As vítimas moravam em Anita Garibaldi e voltavam de férias. O motorista do Celta de Lages, nada sofreu.
- A professora da Uniplac Maria Aparecida Gomes, de 58 anos, e o marido Antônio Sérgio Gomes, de 62, viajavam sentido Litoral-Lages quando bateram de frente em cima de uma ponte com um Focus de Caxias do Sul (RS), no Km 185, em Bocaina. Os dois carros pegaram fogo e o casal morreu carbonizado. No Focus estavam José Roberto Teixeira Barreiro Junior, de 41 anos e Elenita da Silva Porto Barreiros, de 40 anos, que tiveram lesões graves. José morreu no hospital, dias depois.
- A última tragédia foi na início da noite da última sexta-feira, no KM 175, em Bocaina do Sul. Envolveu um Peugeot e um Honda Civic. Adão Elbio Ribeiro, de 37 anos; a mulher Calani Holler Ribeiro, 34; o pai Benevenuto Neves Ribeiro, 75; e a mãe Maria Eliza da Rosa Ribeiro, 84, todos ocupantes do Peugeot, morreram. No carro estava, ainda, um bebê de três meses que se salvou. Geovani Bonzan, de 32 anos, que conduzia o Honda, morreu um dia depois no hospital em Lages.
Foto: Adecir Morais/ Silviane Mannrich/Núbia Garcia e Divulgação
Nenhum comentário:
Postar um comentário