Bocaina do Sul, 12/04/2013, Correio Lageano, Suzani Rovaris
O hospital de Bocaina do Sul não tem recursos para reforma e também não são realizados atendimentos clínicos.
Bocaina do Sul enfrenta sérios problemas na área da saúde. O único hospital que existe no município não tem condições financeiras para melhorias de infraestrutura. Por isso a instituição deixou de atender problemas clínicos e a maioria dos pacientes precisa ser transferida para Lages.
O Hospital São José foi inaugurado em 1968 e nunca passou por uma reforma. Alguns pacientes reclamam de problemas de infiltração, goteira e até animal no forro. A equipe do Correio Lageano teve acesso ao andar térreo. Além do corredor principal, uma sala que está desativada e duas paredes tinham mofo. As pessoas entrevistadas, preferiram não se identificar.
Um homem, que ficou por alguns dias internado, diz que havia goteira forte e por isso, alguns pacientes tiveram que trocar de quarto. Outra pessoa da comunidade bocainense, que já esteve nos andares superiores, disse que o local tem paredes de quartos e corredores com infiltração, mofo e fiação elétrica antiga.
Uma terceira pessoa relatou que, constantemente, aparecem morcegos no forro do hospital. Segundo ela, geralmente é feito dedetização, mas não é o suficiente para acabar com o problema.
A diretora do hospital, Dayhane Gamba da Silva reconhece que existem problemas estruturais. Segundo ela, há cerca de duas semanas, quando choveu no município, parte de um corredor teve goteiras, mas ela acrescenta que a situação foi resolvida imediatamente. Um dos funcionários, que trabalha na manutenção do hospital, diz que a estrutura é antiga e todo o encanamento é de ferro, por isso, geralmente acontecem casos semelhantes.
Despesas ultrapassam renda mensal
Segundo a direção do Hospital São José, a instituição sobrevive dos valores pagos pelo SUS por cada internação. São 60 leitos. De acordo com a tabela, o valor individual é de R$ 57,00. Desse total, R$ 7,22 é repassado para o médico.
A diretora Dayhane da Silva diz que a renda mensal do hospital é de R$ 70 mil a R$ 80 mil. Já as despesas, que se resumem em alimentação, medicação, água e a folha de pagamento, variam entre R$ 90 mil e R$ 100 mil.
Uma dívida com a Celesc e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) impede a instituição de ter a Certidão Negativa de Débito (CND). Sem o documento, o hospital é impossibilitado de conseguir recursos através de convênios.
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR), até agora nenhum projeto foi protocolado no órgão para reforma do hospital de Bocaina do Sul.
Vigilância Regional realiza vistoria
A Vigilância Sanitária Regional realizou, no dia 4 de abril, uma vistoria do Hospital São José para averiguar problemas estruturais. A vistoria foi feita por quatro técnicos de Florianópolis. Até o fechamento da edição, a Vigilância Regional não havia recebido o relatório, que pode chegar hoje. A Vigilância Regional não pode antecipar se o hospital corre o risco de ser interditado, mas confirmou que determinados problemas deverão ser imediatamente solucionados.
Sem emergência e internamentos
Até dezembro do ano passado, o Hospital São José tinha parceria com a prefeitura de Bocaina para atender clinicamente. Até esta data, a comunidade tinha atendimento emergencial e local para internamentos.
Como o contrato não foi renovado, hoje os bocainenses são atendidos na unidade de saúde, das 8 horas às 12 horas e das 13 horas às 17 horas. A unidade é compostas por cinco médicos, que prestam serviço um em cada dia, e duas enfermeiras.
Após as 17 horas, o paciente que sofre com qualquer problema, desde um pequeno corte até problemas mais sérios, são encaminhados para Lages. A secretária da Saúde, Soraia Shlichting, conta que diariamente recebe ligação das pessoas da comunidade solicitando transporte para Lages.
A Secretaria da Saúde informou que encaminhou proposta para renovar o contrato. Já a presidência da Associação Hospital São José diz que recebeu a proposta e encaminhou contraproposta, mas até agora não recebeu resposta.
Segundo o presidente, Célio José Assink, a proposta da prefeitura é administrar todo o hospital, não somente o setor de Urgência e Emergência, além de algumas mudanças no estatuto. “Nossa contraproposta é o hospital administrar somente a emergência”, afirma.
Foto: Suzani Rovaris
Nenhum comentário:
Postar um comentário