terça-feira, 9 de abril de 2013

Policiais militares são acusados de homicídio



Policiais militares são acusados de homicídio
São Jaoquim, 10/04/2013, Correio Lageano, por Adecir Morais



A denúncia é do Ministério Público e foi aceita pelo juiz de São Joaquim




Quatro policiais militares de São Joaquim, na Serra, foram denunciados pelo Ministério Público (MP) por homicídio. Eles teriam espancado Valmir Velho da Silva, o “George Maicon”, em 24 de março do ano passado, durante uma ocorrência policial, até a morte. O crime ocorreu em uma lanchonete, na Rua Egídio Martorano, no centro da cidade.



A acusação, já aceita pelo juiz da 2ª Vara Criminal do Fórum de São Joaquim, Ronaldo Denardi, foi feita com base em um inquérito da Polícia Civil do município. Mário Roseli Chaves, João Batista Wolff da Silva Sobrinho, Maicol Rodrigues e Carlos Alberto Silveira Alves foram denunciados por “homicídio doloso duplamente qualificado por meio cruel e sem possibilidade de defesa da vítima”.



De acordo com as denúncias, os militares chegaram à lanchonete por volta das 23h40min e, “após reprimirem Silva”, que antes havia se envolvido em uma discussão com outro homem no estabelecimento, “passaram a desferir golpes de cassetete e chutes contra ele, causando-lhe vários ferimentos”.



Na denúncia, o promotor de Justiça Carlos Renato Silvy Teive afirmou que a vítima morreu em razão das “lesões e sem possibilidade de defesa”, uma vez que os “PMs estavam em maior número e investido de autoridade policial”.




Por telefone, o cunhado da vítima, Celso Adão de Oliveira, disse ao Correio Lageano que, antes de morrer, Silva pediu socorro na casa da sobrinha, cerca de 400 metros distante da lanchonete. Com a ajuda do marido, a mulher o levou para dentro de casa.
“Ela (sobrinha de George Maicon), perguntou se ele queria ir para o hospital, mas disse que não. Falou que queria apenas descansar um pouco para ir para casa, mas no dia seguinte, amanheceu morto sentado no sofá”, relatou.



Enquanto pedia ajuda, Oliveira lembrou que a vítima rastejava e estava muita machucada. “Ele pedia socorro e dizia estar todo arrebentado”, acrescentou. Segundo o Instituto Geral de Perícias (IGP), a certidão de óbito atestou que Silva morreu de anemia, que pode ser ocasionada pela perda de sangue. A vítima tinha 36 anos, era pintor, morava no bairro Nossa Senhora de Fátima, usava álcool e droga. Filho de família humilde, estava separado e deixou três filhos.



PM e defesa rebatem acusação


Em nota, o comandante da Polícia Militar de São Joaquim, tenente Nilvo Pfleger, negou as acusações. Disse que, na época dos fatos, a PM instaurou um Inquérito Policial Militar, cuja conclusão apontou que “não havia indícios de crime ou transgressão disciplinar praticados pelos policiais”.




A nota explica que a “vítima foi agredida no local da ocorrência antes da chegada da guarnição da PM, e que existem relatos de testemunhas que não houve nenhuma agressão por parte dos PMs”.



Além disso, a nota diz que o inquérito da PM apurou que  George Maicon “foi visto na madrugada de 25 de março sendo agredido por dois masculinos nas proximidades de sua casa, no bairro Lagarto, distante do local da ocorrência, sendo que os agressores não foram identificados pelas testemunhas”.



O documento observa, ainda, que os policiais serão julgados pela Justiça comum, uma vez que a Militar julgou-se incompetente para tratar da matéria. Até agora, o Judiciário não solicitou ou determinou o afastamento dos policias de suas funções. Atualmente, três deles trabalham em São Joaquim o quarto na Polícia Militar Estadual.



A advogada de defesa dos policiais, Janaina Ferri Maines, alegou que não tem autorização dos acusados para falar sobre o caso, entretanto, observou que o processo está em fase inicial e que deve apresentar a defesa hoje. “As acusações não conferem a verdade dos fatos”, resumiu a advogada.



Foto: São Joaquim Online/Divulgação

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