Lages, 15/05/2013, Correio Lageano
Um açúde, um campo de futebol e uma bica d’água que existiam lá, hoje estão apenas na lembrança
O músico Marcos Roni de Oliveira, de 66 anos, é testemunha das mudanças que o Morro Grande sofreu ao longo dos anos, conforme revelou o Correio Lageano na edição do último final de semana. A publicação mostrou que a ação de empresas, sobretudo de uma mineradora, está alterando a estrutura do local.
Oliveira mora perto da cruz, no centro do morro, há 26 anos. Ele lembra que antes o cenário do local era outro, diferente de hoje, onde o barulho de máquinas e caminhões quebram a tranquilidade e o silêncio da natureza, principalmente por meio da extração de pedras, cuja ação está mudando a configuração do local.
“Isso tudo pertencia ao padre Frei Rogério, o mesmo que plantou o carvalho (árvore centenária que ficava na esquina das ruas Vidal Ramos Júnior e Caetano Vieira da Costa, no Centro de Lages e que já foi cortada)”, lembra.
De acordo com ele, também havia no local uma bica, onde as pessoas costumavam beber água; e até um campo de futebol, tudo atrás de sua casa, que fica ao lado da estrada que dá acesso ao morro. “Uma vez eu construí até um açude no braço, mas logo vieram as máquinas e destruíram tudo”, lembrou o morador.
Quem também tem boas lembranças do morro são os irmãos gêmeos Neivo Belaver, o “Baleco”, e Nildo Belaver, o “Teco”, de 56 anos, moradores no bairro Santa Rita. Ainda hoje, os dois lembram do tempo que eram jovens e subiam o morro para descansar e apreciar a cidade lá do alto. Para eles, o morro sofreu mudanças ambientais profundas.
“Cansamos de beber água na bica, isso na década de 70. Lembramos disso como se fosse hoje, mas agora tudo está diferente. A vertente secou e o campo desapareceu. Estão destruindo o morro”, entendem os irmãos.
Mineradora tem licença para agir
Pelo o que apurou o CL, mesmo provocando danos à natureza, a mineradora que opera no morro está com todas as licenças ambientais em dia, segundo a Fundação de Meio Ambiente (Fatma). “O empreendimento cumpre todas partes de proteção ambiental”, afirma o gerente regional do órgão, Willy Brun.
Além da licença da Fatma, a pedreira tem autorização do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que emite a portaria de lavra liberando a exploração. Para tanto, precisa ter um plano de recuperação da área degrada, que prevê ações como o retaludamento (estrutura de contenção) e recomposição da área pelo empreendimento, dentre outras ações.
Para Marcos Roni de Oliveira, entretanto, não há nenhuma ação de recuperação da área degradada. “Não vejo nada disso acontecendo”, diz.
Morro Grande
• Possui cerca de 1 milhão de metros quadrados, destes, aproximadamente 80 mil já sofreu a ação do homem.
• O morro também é ponto turístico religioso e recebe, por ano, cerca de 50 mil vistantes na quaresma.
Fotos: Divulgação e Adecir Morais
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