Lages, 15/05/2013, Correio Lageano, por Silviane Mannrich
As lixeiras que estão localizadas no centro de Lages, não são suficientes para abrigar todo o lixo que é reunido por comerciantes durante o dia. Quando as lojas e restaurantes terminam o expediente, por volta das 19 horas, o lixo é acumulado em frente aos seus estabelecimentos. E só será recolhido várias horas depois.
O lixo não é separado e é deixado em muitos pontos. Na rua Coronel Córdova, por exemplo, em muitos locais há lixo acumulado. O mesmo acontece na Praça João Costa e no Caldação Túlio Fiúza e em outras ruas do centro. Muitas vezes até o lixo ser recolhido, a noite e no outro dia, ele é espalhado por cachorros e até moradores de rua, que buscam restos de alimento. Catadores de lixo também separam e recolhem o que pode ser vendido.
O secretário municipal do Meio Ambiente, Hampel Vieira Mushue, explica que o recolhimento do lixo acontece por volta das 23 horas, ou seja, o lixo fica exposto na rua, por cerca de 4 horas. “Sabemos da nossa deficiência é que precisamos melhorar a coleta de lixo, mas precisamos oferecer uma logística para isso. Não podemos cobrar dos comerciantes sem dar opção”, afirma Hampel.
Ele diz que a prefeitura solicitou, em fevereiro, 300 lixeiras que possuem 1,40 metro de altura e cerca de 1,20 metro de largura, para distribuir ao longo das ruas. Porém, ainda não há prazo para que sejam instaladas. “Vamos fazer um trabalho de conscientização entre os comerciantes, donos de restaurantes e similares para que separem o lixo seco do lixo orgânico e que os restos de alimento sejam depositados pela manhã e não à noite”, salienta o secretário.
CDL realizou campanha de conscientização
O diretor executivo da Câmara de Dirigentes Lojistas de Lages (CDL), Jhonathan Roberto da Silva, explica que em 2011 e 2012 a CDL realizou uma campanha entre os lojistas, com a distribuição de fôlderes com os horários de coleta, a fim de evitar o acúmulo de lixo no centro da cidade. “Conversamos com a secretário do meio ambiente e juntos vamos estudar uma forma para que haja um local específico onde os comerciantes possam depositar o lixo, sem que ele fique espalhado nas ruas”, salienta Jhonathan.
Para comerciantes, faltam lixeiras
Às 19 horas, quando fecha a loja, a comerciante Ana Carolina Duarte deposita o lixo em frente ao seu local de trabalho, na Coronel Córdova. O lixo principal é papel e caixas de papelão. “Faço como todos fazem, deposito em algum ponto da rua, não temos onde colocar, faltam lixeiras. Pelo menos todos tiram no mesmo horário, imagina se fosse durante o dia”, comenta Ana Carolina.
Para o comerciante Sérgio Franzoi, o lixo do comércio não é tão ruim, o pior são os resíduos das lanchonetes. “Quando eu chego para trabalhar de manhã ainda tem restos de comida na calçada. O caminhão do lixo passa muito tarde, perto da meia noite, até esse horário, os cachorros de rua já têm espalhado o lixo por todo canto”, lembra Sérgio.
O balconista de lanchonete, Jucemar Santos, recolhe o lixo por volta das 21h30min, além do lixo seco, há também o lixo orgânico. “Acaba ficando tudo junto, tiramos quando vamos fechar porque sabemos que o caminhão passa mais tarde”, comenta Jucemar.
Ele diz, ainda, que antigamente havia lixeiras fechadas que ficavam atrás da base da polícia militar. “As lixeiras deveriam continuar ali, era mais organizado e o local era fechado”, afirma o balconista.
Caxias do Sul dá o exemplo de coleta e destino
Há uma conscientização sobre a separação do lixo orgânico. Na cidade gaúcha os dejetos são recolhidos quatro vezes ao dia
A cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande, é referência nacional na coleta de lixo. Das 450 toneladas de lixo produzidas diariamente pela população, 90 toneladas são de resíduo seletivo. A coleta urbana é realizada de forma manual e mecanizada quatro vezes ao dia, além de contar com programas especiais de educação ambiental que estimulam a separação e destinação correta dos dejetos.
Implantado em 2007, o sistema mecanizado emprega dois caminhões por rota na coleta de lixo orgânico. O primeiro recolhe os dejetos. O segundo lava o reservatório, de cor verde, para recolocá-lo na rua. Com isso, diminui-se a emissão de maus cheiros.
Cada uma das 1.340 quadras atendida pelo sistema mantêm um outro contêiner, de cor amarela, para produtos recicláveis, que são entregues gratuitamente às associações de recicladores de Caxias do Sul.
Cada uma das 1.340 quadras atendida pelo sistema mantêm um outro contêiner, de cor amarela, para produtos recicláveis, que são entregues gratuitamente às associações de recicladores de Caxias do Sul.
Muitos governos
O secretário do Meio Ambiente de Caxias, Adivandro Rech, destaca que este é um trabalho de muitos governos, que começou de maneira singela e foi ampliado ao longo dos anos. “É um processo lento que depende de toda um estrutura e o custo é elevado, mas foi uma exigência da população”, afirma.
O valor gasto anualmente com a coleta do lixo orgânico, seletiva, manutenção do aterro sanitário, corte de grama e manutenção da cidade, gira em torno de R$ 40 milhões.
“Na nossa cidade chove muito e se não tratássemos o lixo, teríamos sérios problemas com alagamentos e entupimento de bueiros. É uma forma de planejar a cidade para o desenvolvimento e o crescimento da população”, ressalta Adivandro. Atualmente, a cidade possui aproximadamente 500 mil habitantes.
A coleta
O lixo orgânico recebe tratamento dentro dos padrões ambientais desde a década de 1990. As cerca de 360 toneladas de lixo orgânico recolhidas diariamente são encaminhadas à Central de Tratamento de Resíduos, preparada para garantir proteção ambiental de acordo com as exigências dos órgãos licenciadores. Possui camadas de argila compactada e membranas de polietileno de alta densidade (Pead) que evitam qualquer tipo de contaminação do solo. A previsão de sua vida útil é de 50 anos.
Os benefícios
O sistema é administrado pela Companhia de Desenvolvimento de Caxias, de economia mista. A coleta mecanizada trouxe benefícios.
Com o sistema, os moradores podem descartar o lixo a qualquer hora, sem se preocupar com o horário da coleta. Além disso, com o confinamento dos resíduos em contêineres, a cidade ficou mais limpa, reduzindo problemas com lixo espalhado nas ruas e com alagamentos na cidade, provocados pelo entupimento de bueiros e bocas de lobo, mau cheiro e evita a ação de animais e proliferação de insetos. O lixo seletivo é encaminhado para galpões onde é processado por 150 recicladores legais e por integrantes de cooperativas sociais.
Fotos: Silviane Mannrich
Nenhum comentário:
Postar um comentário