sábado, 11 de maio de 2013

Onda de assaltos gera mais insegurança


Onda de assaltos gera mais insegurança
Lages, 11 e 12/05/2013, Correio Lageano, por Joana Costa



População se sente vulnerável devido ao aumento de ocorrências. Para o Ministério Público, este tipo de crime é sazonal



A sensação de insegurança e a necessidade de estar sempre alerta é constante para quem trabalha em estabelecimentos que ficam abertos até mais tarde, como farmácias, panificadoras ou postos de gasolina. Isso se intensifica com os assaltos ocorridos na cidade nos últimos dias. A Polícia Militar informa que o trabalho de combate à criminalidade é constante.

 


Kele Aparecida dos Santos tem 29 anos e trabalha como frentista em posto de gasolina na Avenida Presidente Vargas. Ela conta que prefere não pensar no assunto violência, mas ainda sim fica preocupada quando a criminalidade aumenta. “Quando a gente vai atender um carro fica atento, pensando quem está ali”, afirma.



O proprietário de farmácia João Carlos Heinzen diz que frequentemente enfrenta problemas com segurança, especialmente envolvendo menores, que entram em grupos de três na farmácia, e se sente impotente e vulnerável. “Estamos à merce da sorte e de mãos atadas, porque não podemos falar nada, somos agredidos com palavrões e nada podemos fazer”, declara.



Quem compartilha do mesmo sentimento é a proprietária de panificadora no bairro Guarujá, Rosilene de Fátima Vitório Furlan. “A gente trabalha porque precisa, risco tem até dentro de casa, o que a gente precisava na segurança era ter mais policiais circulando e não existe isso”, comenta.  Rosilene  não descarta a possibilidade de passar a fechar seu estabelecimento mais cedo se a criminalidade continuar. “Só trabalho até as 20 horas, se for o caso de começar a acontecerem muitos assaltos, a gente se obriga a fechar mais cedo para ter um pouquinho de segurança”.




O sub-comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar de Lages, major Fernando dos Anjos, informa que cada caso de assalto está sendo mapeado e que os agentes responsáveis pelo surto de ocorrências do gênero no mês de abril foi preso em ação conjunta com a Polícia Civil.




Segundo ele, os assaltos deste mês foram cometidos por grupos diferentes, pois os criminosos apresentaram outra forma de abordagem e aconteceram em pontos diferentes da cidade.



Histórico de ocorrências



  • 6 de abril - A PM registrou assalto contra pessoa na Avenida Luiz de Camões, por volta das 8h10min. Uma mulher de 42 anos foi  agredida com um soco na cabeça. O assaltante levou R$ 400.



  • 22 de abril - Por volta das 18h40min, uma padaria na avenida Duque de Caxias foi assaltada. Dois homens armados entraram e anunciaram o assalto. Foram levados doces, salgados e R$ 100, além da bolsa de uma cliente e um veículo Golf .



  • 22 de abril - Por volta das 17h30min, um homem relatou à PM que havia estacionado o carro no bairro Copacabana para atender o celular, quando foi abordado por dois homens que tentaram assaltá-lo. Quando o homem saiu do carro, começou a gritar por socorro, assustando os assaltantes que fugiram sem levar nada.



  • 24 de abril - Quatro homens abordaram uma mulher na Rua Prudente de Moraes, Bairro Coral. Segundo a vítima, dois homens estavam em um carro e portavam armas de fogo; levaram sua bolsa com os documentos pessoais e um celular.


  • 24 de abril - Panificadora na rua Hercílio Granzotto foi assaltada. O proprietário relatou que dois homens entraram no local e anunciaram o assalto. Um deles estava armado. Foram levados entre R$ 100 e R$ 200, um talão de cheques e maços de cigarros.


  • 6 de maio -  Farmácia assaltada, na Castro Alves, Centro, por volta das 21 horas. A vítima afirmou que um homem armado entrou e anunciou o assalto, levando dinheiro, um relógio de pulso e outros produtos.


  • 6 de maio - Por volta das 20h40 o assalto ocorreu em uma farmácia do Copacabana, onde os dois funcionários foram rendidos por um homem armado. O assaltante levou R$ 160, xampus, desodorantes e o relógio de pulso de um funcionário. A PM informou que pelas características fornecidas pelas vítimas, os dois assaltos do dia 6 foram feitos pela mesmo meliante.


  • 9 de maio -  Desta vez o assalto foi na rua Frei Gabriel, no cruzamento com a avenida Belisário Ramos, por volta das 22h50min. A vítima informou à PM que viu quatro homens, caminhando em sua direção e anunciaram o assalto. Um deles estava armado com uma faca e levou R$ 400 reais em dinheiro que estavam na carteira. A vítima levou três golpes com a faca. De acordo com o major Fernando, existe suspeita sobre as reais circunstâncias do assalto. A vítima tem passagens pela polícia por outros crimes. “Tudo leva a crer que seja uma disputa por droga, nós não temos histórico de crimes naquele local e horário”, completa. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.




Drogas motivam esse tipo de crime


A maioria dos crimes, segundo o major Fernando, é motivada por droga. A orientação para a população facilita  o trabalho da polícia, informando ao 190 qualquer situação que considere suspeita. Ele destaca que o policiamento está sendo intensificado. “Nós estamos reforçando a ronda, com policiamento velado, policiais à paisana fazendo rondas sem fardas e veículos descaracterizados”, acrescenta.



O promotor Fabrício Nunes, da 11ª Promotoria de Justiça vinculada à 1ª Vara Criminal, explica que esses crimes acontecem de forma sazonal. “São quadrilhas, grupos que normalmente agem num determinado tempo e são detidos, presos e acabam paralisando aquela espécie de crime”, afirma. Depois de algum tempo, os crimes voltam a acontecer de outras formas, com outros grupos ou quadrilhas.




O promotor confirma que esses crimes, na maioria das vezes são motivados pelas drogas, especialmente, o craque. “É o próprio usuário que não tendo  condições de adquirir a droga, acaba cometendo furtos como forma de conseguir o dinheiro para conseguir manter seu vício”, esclarece.



Para a população que se sente insegura, o promotor pede que confie na justiça e busque eleger representantes que se comprometam com o combate e declínio da criminalidade. “O estado em particular tem que se concentrar de maneira firme na busca da efetiva punição ao tráfico e do tratamento do usuário para que consigamos minimizar essas sequelas, esses efeitos causados pelo tráfico”, completa.



Fotos: Joana Costa

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