Brasília, 25/06/2013, Correio Lageano
Como resposta à onda de manifestações que ocorrem no país há mais de uma semana e que teve origem na reivindicação do Movimento Passe Livre pela redução da tarifa de ônibus em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff se reuniu nesta segunda-feira (24), com representantes dos movimentos populares, com prefeitos das capitais e governadores para discutir as reivindicações dos manifestantes, e fez alguns anúncios, além de propor a convocação de um plebiscito que autorize uma Constituinte para fazer a reforma política.
“O Brasil está maduro para avançar e já deixou claro que não quer ficar parado onde está”, disse a presidente.
Propôs, ainda, uma nova legislação que considere a “corrupção dolosa [quando há intenção] como crime hediondo”, com penas mais severas.
A presidente pediu agilização na implantação da Lei de Acesso à Informação e defendeu o pacto de responsabilidade fiscal, com o objetivo de manter a estabilidade da economia e o controle da inflação.
Passe Livre não saiu satisfeito
Integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) presidenta Dilma Rousseff, não saíram satisfeitos do encontro com a presidente Dilma Rousseff, apesar de reconhecer a abertura do diálogo.
“Eles [governo] não mostraram nenhuma pauta concreta de fato para modificar a situação do transporte no país, que é de fato muito precária, como podemos ver pelas mobilizações que seguem firmes neste sentido. Não vimos nenhuma pauta concreta saindo desta reunião”, disse o estudante Marcelo Caio Nussenzweig Hotimsky, ao sair da reunião com a presidenta.
Partidos defendem reforma política
Diante da onda de manifestações que tomaram as ruas de várias cidades nas últimas semanas, representantes dos principais partidos políticos do país consideram que a aprovação de uma reforma política e a adoção de medidas para melhorar a mobilidade urbana, a saúde e a educação, principalmente, seriam uma resposta ao clamor popular.
Mesmo sem apresentar ações concretas para dar resposta às manifestações, representantes de nove partidos – PMDB, PSDB, PSOL, DEM, PV, PSB, PCdoB, PDT e PP – disseram que os políticos precisam interpretar o clamor das ruas e promover mudanças. O PT não se posicionou.
Democratas - entende que há uma “dessintonia” entre as agendas do governo e da sociedade.
PSDB - o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse que as manifestações demonstram uma “aguda crítica à corrupção e à impunidade que persistem na base do sistema político, impedindo transformações e agredindo diariamente os brasileiros”.
PSOL - “A população saiu às ruas para questionar “direitos que estão sendo negados”, ressaltou o presidente, deputado Ivan Valente (SP).
PMDB - o presidente, senador Valdir Raupp (RO), defendeu a necessidade de mais agilidade nas ações do Executivo e do Legislativo. Para ele, a burocracia faz com que muitas políticas sociais demorem a sair do papel.
PDT - o vice-presidente da Executiva Nacional, deputado André Figueiredo (CE), disse que “algo que precisa ser feito é uma reforma política, com novos parâmetros de representação popular, com democracia direta, realização de plebiscitos e referendos. Temos que aproveitar este momento e não deixar cair no vazio.”
PSB - o primeiro secretário nacional do partido, Carlos Siqueira, disse que a população não compreende os gastos feitos com as obras dos estádios da Copa do Mundo de 2014 enquanto convive com limitações diárias de mobilidade e moradia. “[A população] não vai entender, por exemplo, que, em uma cidade como Brasília, que tem um enorme problema de mobilidade, assim como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e tantas outras, seja construído um estádio de R$ 1,5 bilhão.”
PV - também enfatizou a necessidade de uma reforma política, parada no Congresso Nacional há mais de 20 anos. “Defendemos que o debate ocorra em uma constituinte específica que tenha partes deste movimento [popular] representadas”, disse o presidente do partido, José Luiz Penna (SP).
PCdoB - o presidente do Renato Rabelo disse que os protestos revelaram o estresse da população dos grandes centros urbanos. Defendeu uma reforma urbana que inclua soluções principalmente para os problemas habitacionais e de mobilidade urbana.
PP - por meio da assessoria de imprensa, informou que o partido tem buscado maior interação com a população e promovido uma restruturação para melhor compreender as demandas do eleitorado.
Governo anuncia R$ 50 bilhões para a mobilidade urbana
A presidente Dilma Rousseff anunciou que o governo vai disponibilizar mais R$ 50 bilhões para investimentos em obras de mobilidade urbana.
Ela se reuniu com representantes do MPL e fez o anúncio ao abrir uma reunião com 27 governadores e 26 prefeitos de capitais no Palácio do Planalto. “O Brasil tem tido grande investimento na área de transporte coletivo urbano. Nosso pacto precisa assegurar uma grande participação da sociedade na discussão política do transporte, com maior transparência no cálculo das tarifas”, disse.
A presidenta anunciou a criação de um Conselho Nacional de Transporte Público, com a participação da sociedade, com versões municipais.
Saúde - Na área de saúde, Dilma reforçou a intenção do governo de contratar médicos estrangeiros para trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente em regiões onde faltam mais profissionais.
“Quando não houver disponibilidade de profissionais brasileiros, contrataremos médicos estrangeiros para trabalhar exclusivamente no SUS. Não se trata de medida hostil ou desrespeito com os nossos profissionais, trata-se de ação emergencial e localizada. Sempre ofereceremos primeiro aos brasileiros as vagas, só depois chamaremos os estrangeiros”, declarou.
Dilma convocou os governadores e prefeitos para que acelerem os investimentos já contratados em hospitais, unidades de Pronto-Atendimento e unidades básicas de Saúde e a ampliar a adesão de hospitais filantrópicos ao programa que troca dívidas por atendimentos.
Educação - Para aumentar investimentos em educação – outro ponto do pacto nacional – Dilma reiterou que o governo defende a utilização de 100% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do pré-sal para o setor. A proposta depende de aprovação do Congresso Nacional. “Confio que os senhores congressistas aprovem esse projeto que tramita com urgência no Congresso Nacional. Acredito que todos nós sabemos que o esforço de investir em educação transforma um país em uma nação desenvolvida”.
Ao finalizar o discurso, Dilma voltou a dizer que seu governo está ouvindo “a voz das ruas” e que é possível aproveitar este “impulso” para melhorar o país.
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Foto: Antônio Cruz/ABr/Divulgação
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