Lages, 25/06/2013, Correio Lageano, por Silviane Mannrich
A violência contra a mulher continua a revelar números alarmantes em Lages. O caso de Júlia Graziele Velaske, que no início de maio sofreu agressões do marido com uma machadinha, foi o mais grave registrado este ano. No entanto, mesmo com as leis mais rígidas como a Lei Maria da Penha, as agressões continuam acontecendo. No domingo, a Polícia Militar atendeu mais dois casos de violência contra a mulher, um no bairro Popular e o outro no Bela Vista.
Segundo informação da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mullher e Idoso, só em 2013 foram registrados 673 boletins de ocorrência de casos que caracterizam a Lei Maria da Penha. No mesmo período, de janeiro a junho de 2012, foram 793 casos. Na Lei Maria da Penha não se enquadram apenas casos de violência física, mas também psicológica, moral, sexual e patrimonial.
De acordo com os registros da PM, de janeiro até ontem foram 117 casos de violência contra a mulher. A agressão física que normalmente é acompanhada de uma agressão psicológica acontece principalmente nos fins de semana, entre 18 e 23 horas.
Santa Helena aparece como o bairro mais violento, seguido pelo Centro e Guarujá. A maioria das ocorrências é cometida por homens entre 25 e 34 anos e com o ensino fundamental incompleto. “Quanto maior a instrução dos homens menor é o índice de violência contra a mulher”, analisa a tenente Sandra Bender, da Polícia Militar.
Novo comportamento
Para a tenente Sandra, com a Lei Maria da Penha, as mulheres se sentem mais protegidas e encorajadas a denunciar o agressor. “A violência contra a mulher sempre existiu, mas as mulheres tinham medo, eram ameaçadas e acabavam não buscando ajuda”, ressalta Sandra.
Antes da lei entrar em vigor em 2006, no momento da ocorrência era realizado um termo circunstanciado e o agressor era liberado. Hoje, o crime é considerado de maior potencial ofensivo, é realizado um auto de prisão em flagrante e o agressor é encaminhado ao presídio.
Mais de um terço das mulheres do mundo sofre
Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado na semana passada apontou que mais de um terço de todas as mulheres do mundo é vítima de violência física ou sexual. Isto representa um problema de saúde global com proporções epidêmicas, conforme análise da Organização.
A grande maioria das mulheres sofre agressões e abusos de seus maridos ou namorados, e sofrem problemas de saúde comuns que incluem ossos quebrados, contusões, complicações na gravidez, depressão e outras doenças mentais, diz a pesquisa.
O relatório, concluiu que quase dois quintos (38%) de todas as mulheres vítimas de homicídio foram assassinadas por seus parceiros, e 42% das mulheres que foram vítimas de violência física ou sexual por parte de um parceiro sofreram lesões como consequência.
Foto: Arquivo CL

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