Lages, 07/06/2013, Correio Lageano, por Afonso Rodrigues
Morte em casa levantou novamente a discussão sobre a falta de Serviço de Verificação de óbitos.
Ainda segue indefinida a implantação do Serviço de Verificação de Óbitos em Lages. Há quase seis anos, a disponibilidade do serviço vem sendo estudada como forma de garantir a agilidade na obtenção da certidão de óbito das pessoas que morrem em casa e, por isso, não possuem médicos que atestem as causas do falecimento, ou ainda para diagnosticar causas de mortes que são muitas vezes relacionadas à óbitos indefinidos.
A gravidade da situação, mais uma vez, se constatou depois que uma mulher de 62 anos, que morreu nesta quarta-feira, ficar sem atestado de óbito porque os médicos do Pronto Socorro não emitiram o documento alegando não ter conhecimento das condições clínicas da paciente.
Segundo Eliane Moura, de 36 anos, sobrinha da senhora, a espera pelo documento demorou cerca de três horas. “Chamamos o Samu, que tentou reanimar minha tia, mas logo foi constatado o óbito. O corpo foi levado para o Pronto Socorro para ser feita a certidão de óbito, mas eles se recusaram a fazer porque ela faleceu em casa e ninguém sabia da causa”, comentou. O documento só foi expedido porque o vice-prefeito pediu para a secretária de Saúde da cidade, que é médica, fazer a confirmação do falecimento e atestar o óbito.
Serviço ainda depende de recursos
De acordo com a Coordenadora Regional do Consórcio Intermunicipal de Saúde, Nalu Terezinha Júlio, a licitação para o início da operação do serviço só será aberta depois que os primeiros recursos para o funcionamento da unidade sejam recebidas.
A ideia é que o Serviço de Verificação de Óbitos seja regionalizado e seja oferecido não só para Lages, mas também para os municípios da Amures, já que se ficasse apenas na cidade ele se tornaria ocioso.
“A maioria dos municípios aceitou a proposta para uma contrapartida proporcional à população. Por enquanto apenas oito cidades fecharam o acordo, mas estamos cobrando a participação de todos”, afirma. O governo federal deverá enviar R$ 11 mil mensais para custear o serviço, que deverá custar no total em torno de R$ 30 mil.
Segundo a coordenadora, uma empresa terceirizada irá fazer o trabalho de contratação dos funcionários e operação do Serviço. Nalu comenta que as causas de morte indefinidas já estão em terceiro lugar entre os registros de óbito.
Com a instalação do Serviço, segundo ela, será possível saber com mais detalhes o tipo de falecimento que ocorre e promover, com isso, o repasse de verbas mais específicas.
Procurada diversas vezes, a secretária de Saúde não foi encontrada para comentar o caso.
Procurada diversas vezes, a secretária de Saúde não foi encontrada para comentar o caso.
Foto:Arquivo CL
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