Lages, 12/07/2013, Correio Lageano, por Suzani Rovaris
Ela passou a vida toda prestando serviços sociais com as crianças.
Com um dom para cuidar de crianças, Alzira da Silva, mais conhecida como Tia Bira, passou a vida prestando serviços sociais. Hoje, é ela quem precisa de auxílio. Aos 78 anos, passa seus dias na cama aos cuidados dos filhos adotivos. Vive da aposentaria, mas a renda não é suficiente para as despesas com remédio, higiene pessoal e alimentação.
Há muito tempo, Tia Bira cuidou de crianças. Não teve filhos biológicos, mas já abrigou mais de 100 debaixo de um mesmo teto. Com 14 anos, ajudava a mãe a cuidar dos filhos de outras pessoas que saiam para trabalhar, na maioria prostitutas. Muitas nunca voltaram para buscá-los. Aos 20 anos, a mãe morreu e toda a responsabilidade ficou para Alzira.
Tia Bira abrigou centenas de crianças de zero a 7 anos e cuidou de todas elas. Na época, década de 1980, a sociedade de Lages se comoveu com os serviços que ela prestava e promoveu campanhas de donativos para ajudá-la. Em 1993, Tira Bira recebeu novamente o apoio de membros da sociedade para abrir uma instituição filantrópica.
Naquela época, as crianças ficavam em tempo integral na instituição e tinham acompanhamento de alunas do magistério que faziam estágio. A partir de 1994, a frequência passou a ser apenas diurna. À noite, em feriados, fins de semana e férias, os pequeninos ficavam com Tia Bira.
Em 2003, foi acordado um contrato de comodato com a Prefeitura de Lages e a escola passou a atender outras crianças dos bairros Santo Antônio, Morro Grande, São Luiz e Centenário, com professores formados. A partir de 2006, a escola passou a ser inteiramente do município e denominada como Centro de Educação Infantil (Ceim) Tia Bira.
O que era apenas um abrigo para crianças passou a ser uma instituição escolar com seis turmas com idade entre zero e 6 anos. O corpo docente é formado por 14 professoras que compõem um quadro de quase 30 funcionários. Os alunos são estimulados pedagogicamente para a alfabetização, além da coordenação motora para desenvolverem a escrita e a linguagem.
Adotivos retribuem o carinho recebido
Depois de muitos anos, agora é Tia Bira quem recebe ajuda de seus filhos adotivos e netos, além de pessoas anônimas. Mesmo assim, o salário mínimo que recebe da aposentadoria não é suficiente para a alimentação, remédios e fraldas geriátricas.
Quando perguntado do que ela precisava, Tia Bira relutou em responder, pois diz que não se sente bem em pedir, mas reitera que precisa de alimentos. Outra doação necessária seria uma cadeira de banho, pois ela não consegue mais ficar de pé. São os filhos e netos que limpam ela na cama. As doações de alimentos ou outros objetos podem ser levados até sua residência.
(49) 3223 8705 é o telefone de contato para quem estiver disposto a ajudar Tia Bira.
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