Lages, 14/07/2013, Correio Lageano, por Afonso Rodrigues
Um incêndio assustou os hóspedes, funcionários e moradores das redondezas do Map Hotel, no Centro de Lages. Segundo informações, o fogo teria começado no almoxarifado do hotel, próximo à garagem, por volta das 22 horas de sábado (13). Ninguém se feriu, mas as chamas demoraram a ser controladas por conta da dificuldade de acesso ao local do incêndio, que teria começado a partir de um curto circuito.
Cerca de 150 pessoas, em 74 quartos, lotavam as dependências do prédio de nove andares, em função da XVIII edição do Motoneve, programado para ser realizado até este domingo (14). Não se sabe, porém, o número de pessoas que se encontrava no local no momento do incidente.
Todos os quartos foram evacuados e houve um princípio de confusão, por conta do grande volume de fumaça, que chegou a invadir residências vizinhas e assustar os hóspedes.
A orientação dos bombeiros era de que os hóspedes não subissem para buscar os pertences. Mesmo assim, algumas pessoas improvisavam máscaras para poder entrar no hotel em busca de objetos pessoais.
Sem saber para onde correr, hóspedes se misturavam a curiosos, que se aproximaram do hotel para saber o que acontecia.
Bombeira voluntária, Daniele Lima, foi uma das cerca de 20 pessoas que prestaram socorro às vítimas. “Estamos controlando o incêndio. Ainda não está sendo feito o rescaldo. Estávamos em outra ocorrência, mas foi chamado por volta das 22horas. Foi feita a evacuação imediata de tudo e todos foram chamados nos quartos. Toda a energia elétrica do prédio foi cortada”, comentou.
Aloísio, motociclista de São Paulo, foi uma das primeiras pessoas a ver como o fogo começou. “Estou hospedado só hoje aqui no hotel e talvez tenha sido o primeiro que vi quando o incêndio começou. Estava guardando o carro na hora que começou a fumaça. Aí avisei o pessoal. Não havia extintor e não conseguiram controlar porque estava fechado. A hora que eu cheguei não tinha nada. Depois, quando fui sair, já tinha bombeiro”, afirmou.
Ademir, motociclista de São José, diz que quando ficou sabendo do ocorrido voltou imediatamente para o hotel em busca de seus pertences. “Estávamos no Motoneve. Quando soubemos do incêndio, através de um amigo, resolvemos voltar. Pegamos um táxi e viemos para cá correndo, porque nossas motos estavam na garagem. Tivemos um certo impasse, porque nossas motos não podiam sair, devido à grande fumaça. A aguardamos um pouco e graças a Deus conseguimos tirar nossas motos. Com os carros e motos não aconteceu nada, mas agora a gente não sabe o que vai acontecer. Estamos sem eira e nem beira. Todas as minhas coisas estão no quarto. Capacete, roupa, não tem o que fazer. Estou com mais dois amigos. O problema é saber onde vamos ficar”, relatou.
Um dos mais exaltados era Carlos Simões, que estava com a roupa do corpo, depois de sair às pressas do quarto e ouvir gritos do corredor do terceiro andar, onde estava passando a única noite no hotel antes de ir para Curitiba.
“Eu quero uma solução. Não é possível ficar nessa situação. Não sei se vocês foram negligentes ou não, não quero discutir isso. Tenho uma mulher e uma criança que estão aqui, assustados com o que aconteceu. O gerente não aparece. Saí correndo. Ninguém dá a mínima satisfação. Vocês tem a responsabilidade de cuidar dos hóspedes. Eu estou de pijama. Quero saber onde vou ficar. O que eu vou fazer? Vou ficar sentado ali, no chão? Eles precisam prestar informações, nos colocar em algum outro lugar. Eu acho que eles têm que nos dar alguma orientação ou informações. Não está acontecendo nada. Vimos que vamos passar a madrugada. Não ouvi nenhum alarme, só uma gritaria no corredor. Vi que era sério. Depois ouvi um estrondo, uma explosão. Não sei onde foi. Só ouvi. Não sei o que pode ter causado o incêndio ”, argumentou.
Uma vistoria que deve apontar as causas do incêndio será realizada amanhã nas dependências do estabelecimento. Por volta de 1hora, os hóspedes começaram a ser acomodados em outros estabelecimentos, como o Hotel Lages, Le Canard e Pousada do Sesc, além da residência das irmãs franciscanas.
Defesa Civil e Secretaria de Meio Ambiente auxiliaram no atendimento e logística aos hóspedes. Carros da Secretaria de Saúde e um ônibus ajudaram a deixar os clientes do hotel nos outros locais, para que os hóspedes pudessem passar a noite. Todos os custos com o remanejamento dos hóspedes serão pagos pelo Map hotel.
Fotos: Afonso Rodrigues
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