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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Fumaça anuncia nova atração em Lages



Fumaça anuncia nova atração em Lages
Lages, 19/04/2013, Correio Lageano, por Susana Küster



Locomotiva comprada em 1920 foi reformada e está funcionando nos 787 metros de ferrovia que ficam dentro do 10º BEC.



A fumaça que sai de um motor pressurizado e o barulho dos trilhos da ferrovia, de quase um quilômetro que foi implantada dentro do 10º Batalhão de Engenharia de Construção (BEC), anunciam uma nova atração turística em Lages. Com cerca de três toneladas, a locomotiva desfila na ferrovia que foi denominada “Memórias do 1º Ferroviário”.



A ferrovia foi nomeada assim porque a locomotiva foi utilizada pela 1ª Companhia Ferroviária, no  Rio de Janeiro, extinta em 1932. Depois desta data, foi para o 1º Batalhão Ferroviário, no Rio Grande do Sul, onde ficou até 1948.



Em 1956, ela foi desativada e tombada como monumento ferroviário, no município de Bento Gonçalves/RS. Devido à transferência do 1º Batalhão Ferroviário para Lages, em 1971, ela foi exposta como monumento ferroviário, nas dependências do 10º BEC.



Carinhosamente, ela foi apelidada de Jaguarizinho, porque participou, entre os anos de 1932 a 1937, da construção da Estrada de Ferro (EF), Jaguari – Santiago do Boqueirão, que fica em São Borja, no Rio Grande do Sul.



Após 57 anos desativada, iniciou-se no ano de 2009, um processo de restauração feito pela empresa Tremtur de Rio do Sul/SC. A recuperação foi em parceria entre o exército brasileiro e a associação Tremtur, de Rio do Sul, que visa ao resgate da história e do romantismo da época em que as viagens de trem ainda eram comuns pelo Alto Vale do Itajaí.



Para andar no vagão que será ligado à locomotiva, as pessoas interessadas poderão ir até o 10º BEC, de segunda a sexta-feira, das 8 às 12 horas e das 14 às 18 horas. Não é necessário pagar nenhum valor, mas é preciso reunir um grupo de pelo menos 10 pessoas para agendar o passeio, pois demora uma hora e meia para ela funcionar.



A demora ocorre devido ao motor que funciona a vapor pressurizado. Por enquanto, a Jaguarizinho está em testes práticos. No dia 24 de abril, às 10 horas, toda comunidade está convidada a ver a fumaça, o barulho dos trilhos e o sino que fica dentro dela tocar.



Além de ver, todos poderão andar no vagão e viver no quase um quilômetro de ferrovia, a sensação de que está em 1911, no ano em que foi fabricada pela empresa Kerr Stuart and Co Ltda, da cidade Stoke-on-Trent, no condado de Staffordshire, na Inglaterra.



 A Jaguarizinho, foi fabricada pela Kerr Stuart and Co Ltda, que fica no condado de Staffordshire, na Inglaterra. Essa informação foi descoberta, porque americanos viram ela no batalhão e ficaram admirados em saber, que ainda existe uma locomotiva desta época funcionando.



Fotos: Susana Küster

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Fumaça brota do solo há 11 dias em Itapema


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Uma força-tarefa entre prefeitura, Corpo de Bombeiros e Fundação Ambiental Área Costeira de Itapema (Faaci), em Santa Catarina, atuou durante toda a tarde de quarta-feira para solucionar um problema que há 11 dias atrapalha os moradores da cidade. Uma fumaça fina e de cheiro forte vinda do bairro Morretes afeta todo o município desde 8 de dezembro, quando um incêndio em dois hectares de reflorestamento de eucalipto deu início ao incômodo.

O fogo na superfície foi controlado pouco depois das chamas começarem, mas o alto calor atingiu a terra por meio de raízes, folhas e material orgânico do solo. O resultado é o incêndio incomum na chamada turfa - camada de materiais parcialmente decompostos que se inflama com facilidade.

Com o calor abafado correndo por dentro da terra se forma o processo de pirólise, em que ocorre a decomposição pelo calor. A camada da turfa pode ter mais de um metro de profundidade e centenas de focos de calor, o que dificulta o controle do incêndio interno.

O trabalho em Itapema consistiu em abrir grandes valas ou trincheiras em lugares estratégicos para esfriar os pontos mais quentes. Ao longo das semanas a intensidade da fumaça varia conforme as condições do tempo.

Com sol e temperaturas elevadas, a tendência é que ela ganhe força. O dia de ontem foi escolhido para a atividade conjunta porque o clima colaborou. Com pancadas de chuva e céu encoberto, a ação é mais fácil.

- O incêndio por baixo do solo continua até queimar toda a turfa que existir na região. Com esse processo de alagamento esperamos resolver o problema - diz o capitão do Corpo de Bombeiros de Itapema, Ricardo José Steil.

Meio ambiente

Toda a fauna terrestre do subsolo acaba morrendo com a queima da turfa, e há riscos de propagação do fogo para áreas maiores de vegetação. A fumaça gerada no incêndio inicialmente traz poucos prejuízos ao ser humano, se restringindo mais à irritação.

Caso o efeito se prolongue e tenha pouco vento na região, a situação se torna mais grave. Mesmo assim os danos são menores dos observados na queima de borracha ou resíduos químicos, por exemplo.

-  Quando tem pouca circulação do ar a fumaça pode ser tóxica. Mas no momento há controle e o perigo é pequeno - destaca o presidente da Faaci, Juaci do Amaral.

Por enquanto não se trabalha com a possibilidade de incêndio criminoso, e sim com a hipótese de fogo acidental. Ainda não foram apuradas informações sobre as causas, a circunstância e o horário exato em que as chamas começaram.

Fenômeno alcança longas distâncias

Morador de Itapema há cinco meses, Luiz Carlos Horsp, 66 anos, chegou a pensar que a fumaça vinha de um lixão. O cheiro forte fez com que o senhor e a família fechassem por muitas vezes a janela do apartamento, localizado na Rua 213, no começo do Bairro Meia Praia.

Ele diz que percebeu o problema há quatro dias, e destaca que mesmo estando longe da origem da fumaça é possível sentir o cheiro ruim.

- Não sei como as pessoas que moram lá perto conseguem aguentar essa situação - observa.

Conforme o presidente da Faaci, Juaci do Amaral, as condições do tempo permitem que a fumaça alcance grandes distâncias. Ele conta que a própria cidade de Itapema já teve um episódio, nos anos 1990, em que a queima da turfa durou 35 dias até ser controlada. Em Santa Catarina, houve um caso em que o incêndio se estendeu por três meses.

- Esses dias fui para Florianópolis e consegui ver e sentir o cheiro da fumaça perto do pedágio, em Tijucas - comenta.

Até ontem à tarde restavam cerca de 50 focos do incêndio no subsolo, com expectativa de extinguir todos nos próximos dias. A situação será monitorada pelos bombeiros e pela Faaci para evitar que o fogo recomece.

O que é a turfa

A turfa é um material de origem vegetal, parcialmente decomposto e encontrado em camadas, geralmente em regiões pantanosas e também sob montanhas (turfa de altitude). Forma um solo rico em matéria orgânica que pega fogo muito fácil. É um estágio anterior ao carvão.

É oriunda de matéria orgânica depositada nas várzeas dos rios (juncos, árvores etc) durante um longo período geológico e que, por causa da umidade, não sofreu decomposição e transformou-se em mineral.

A turfa é uma rocha com alto teor de substâncias húmicas e com capacidade de segurar água e sais minerais, além de reter vários metais pesados, contribuindo para o equilíbrio do meio ambiente. É importante nos solos arenosos, ampliando a retenção de água e, nos argilosos, reduz a densidade, aumentando a porosidade.