Lages, 15/02/2013, Correio Lageano
O túnel por onde passa o rio Ponte Grande está parcialmente bloqueado
Os moradores do bairro São Sebastião, próximos ao rio Ponte Grande,
temem a possibilidade de futuras enchentes às margens da BR-282. Eles
reclamam que a passagem da água por baixo da rodovia foi parcialmente
bloqueada.
Duas galerias foram feitas em ambas as marginais da BR-282, para a
passagem do rio Ponte Grande sob o trecho. O problema é a quantidade de
terra colocada acima dessas galerias foram caindo ao longo do tempo
dentro do rio, provocando uma pequena barragem.
Por menor que a barreira seja, quando chove, os moradores contam que o
rio enche rapidamente e os túneis não dão conta de drenar a água para o
outro lado da rodovia, conforme o volume do rio. Em consequência, o rio
transborda e invade residências próximas ao local.
A residência do morador Antônio de Souza Lima fica a poucos metros de
uma das marginais e do rio Ponte Grande. Ele ergueu um muro, com cerca
de dois metros de altura, para evitar que a água invada o terreno.
Segundo ele, antes das obras da BR-282, a família não tinha problemas
com enxurradas ou enchentes, mas depois vive com medo da casa ser
invadida pela água. Com a chuva dos últimos dias, a marca da água no
muro de Antônio tem uma altura de cerca de um metro. “Não choveu forte
nos últimos dias e já ficamos apreensivos. Imagine se ocorrer um período
de grandes chuvas como já ocorreu em Lages. Não sei o que fazer”.
Ele acrescenta que procurou a Secretaria do Meio Ambiente para
solucionar o problema. “Eles prometem olhar o problema, mas nunca
aparecem”. A máquina que pode retirar a terra desses túneis está parada
aqui na obra. Não iria demorar nem 20 minutos para melhorar a passagem
do rio”, acrescenta.
A vizinha de Antônio, Mariana Bueno, também vive o mesmo drama. Há 20
anos ela mora à beira da BR-282 e do rio Ponte Grande. Já enfrentou
diversos problemas em função da chuva dos últimos dias. A maior delas,
foi o motor do carro que estragou com o acúmulo de água na garagem. Uma
das paredes está rachando com a umidade e o jardim está destruído com a
lama que se fomou. “Estou desolada porque quero deixar minha casa
arrumada e não posso”.
O engenheiro do Dnit de Lages, Ênio Spieker, explicou que vai verificar o
local para analisar o que estaria obstruindo a passagem da água. Ele
adianta, que antes da obra iniciar, foram realizados limpeza,
alargamento do rio e retirada de materiais para aumentar a profundidade e
melhorar os escoamento da água.
Foto: Suzani Rovaris