Lages, 31/01/2013, Correio Lageano, por Suzani Rovaris
Caminho alternativo usado pela empresa de alimentos está gerando
problemas, pois o trecho, antes intransitável, é mais longo e oferece
riscos a motoristas e moradores. Secretaria de Planejamento irá
apresentar opção ao prefeito de Lages
O novo acesso à empresa alemã Vossko do Brasil tem produzido transtornos
para quem trafega pelo trecho, para os moradores da área e
principalmente à empresa. A interdição foi feita pela concessionária
responsável pela BR-116, por questões de segurança, mas até agora só tem
causado transtornos.
Até o dia 7 de janeiro, a principal entrada e saída de veículos para a
Vossko do Brasil e o grupo Transmissoras Brasileiras de Energia (TBE)
era na BR-116, após o KM-239, sentido Sul. Depois disso, a Autopista
Planalto Sul bloqueou.
Como alternativa, a Vossko criou um acesso secundário que passa ao lado
da chácara da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). A estrada é de chão e
tem 1,5 quilômetro. O diretor da Vossko, Joaquim Gerechet, conta que a
empresa precisou melhorar a estrada com cascalho para tapar os buracos.
Ele acrescenta que a diretoria está desanimada e conta que semana
passada, clientes da Finlândia visitaram o local e ficaram assustados.
“Eles não acreditaram na quantidade de poeira e informaram que só vão
voltar quando o acesso estiver pronto. Além disso, outras empresas
visitam a área para futuros investimentos, mas ficam desanimadas”,
afirma Joaquim.
Segundo o gerente, o melhoramento dos acessos deveria ser da prefeitura.
“O nosso serviço é produzir e gerar emprego e do poder público é
garantir bons acesso”, afirma. De acordo com o gerente industrial,
Christian Wilkenshoff, a cada seis meses os funcionários são premiados e
o valor total chega a R$ 200 mil. “Esse dinheiro vai diretamente para o
comércio lageano, assim como os salários dos funcionários, em
contrapartida, é dessa maneira que somos retribuídos”, diz.
A unidade emprega 450 funcionários e está entre as dez maiores empresas
de Lages. Exporta cerca de R$ 8 milhões a R$ 9 milhões e possui um
faturamento de R$ 100 milhões ao ano. O fluxo diário de veículos passa
de 100, e de pessoas, mais de 500.
Moradores reclamam
No acesso alternativo, existem cerca de 30 moradores, que estão
indignados com a situação. A dona de casa e representante comercial Vera
Lúcia Alano diz que já pensou em se mudar em função dos transtornos.
Ela conta que antes a área era silenciosa, pois dificilmente passava
um carro. “Hoje, a poeira é demais. Não podemos deixar roupa na rua, a
casa não fica limpa, não podemos usar a piscina. Às vezes molhamos a
rua, mas não abusamos pela falta de água e o desperdício, mas não tem
condições de viver assim”.
O morador e proprietário da fábrica de embalagens, Tecopel, Alyz Correa,
conta que nos últimos 15 dias teve dificuldade para dormir em função da
poeira e o tempo seco, inclusive, a filha está sofrendo de rinite.
“Nunca deu nenhum tipo de alergia nela”, afirma.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Luiz Carlos Pinheiro,
informou que a secretaria tem uma solução para o fechamento do acesso,
mas acrescentou que não pode dar maiores detalhes, pois precisa
apresentar ao prefeito, Elizeu Mattos, antes da divulgação.
Em 2004, a então gestão administrativa desenvolveu um projeto. O desenho
mostra os dois acessos até a Vossko do Brasil e sugere um acostamento
na BR-116 para tornar regular o acesso que foi fechado pela Autopista
Planalto Sul. Desde essa época a obra nunca saiu do papel.
Na última terça-feira, uma reunião foi realizada entre a Autopista
Planalto, secretários municipais e técnicos. De acordo com a assessoria
de comunicação da concessionária, os secretários municipais se
comprometeram em retomar o projeto realizado em 2004 e acrescentou que a
interdição foi uma determinação da Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT).
A agência define que, até fevereiro, todos os acessos irregulares
(municipais ou privados), sejam bloqueados, explica a concessionária. A
assessoria explica ainda que a Autopista só vai liberar o acesso quando
iniciarem as obras de acostamento.
O funcionário da Secretaria de Obras Wilson Sá disse que a administração
pública está empenhada em resolver o problema que afeta centenas de
pessoas, inclusive, o próprio município. “Não queremos adiar a solução
em tempo desnecessário. Esse vai ser um dos nossos principais
compromissos”, concluiu.
O Correio Lageano entrou em contato com a ANTT para maiores esclarecimentos, mas não obteve respostas.
Rota alternativa não é segura
O acesso bloqueado pela Autopista Planalto Sul foi fechado por ser
irregular. O acesso que a Vossko do Brasil utiliza como trecho
alternativo para a entrada e saída de carretas e carros oferece riscos,
pois o início do trecho é paralelo à BR-116 e os veículo que seguem em
direção ao Sul precisam parar na rodovia e fazer uma curva de quase
180º. O perigo é ainda maior quando a manobra é feita por carretas.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a manobra neste trecho é
muito arriscada e os motoristas deve estar atentos, principalmente quem
segue atrás de caminhões e carretas, para evitar ocasionalmente que
aconteça um engavetamento. A PRF disse que vai ficar atenta nos próximos
dias e monitorar o trecho.
A Autopista Planalto Sul informou que vai enviar um técnico para analisar o local e estudar as medidas que deverão ser tomadas.
Fotos:Suzani Rovaris