sábado, 16 de fevereiro de 2013

Indícios mostram que PGC age na Serra Catarinense

Indícios mostram que PGC age na Serra Catarinense
Serra Catarinense, 16 e 17/02/2013, Correio Lageano, por Adecir Morais


A facção criminosa, que atua dentro e fora dos presídios catarinenses, é apontada por espalhar o terror por todo o Estado




Os atentados a ônibus em Bom Retiro e em São Joaquim colocaram a Serra na indesejada linha de tiro dos ataques que começaram no litoral e se alastraram pelo interior catarinense. As ações podem ter sido orquestradas pelo Primeiro Grupo Catarinense (PGC).



O PGC é uma facção criminosa surgida no presídio de São Pedro de Alcântara há 10 anos e que tem imposto o pânico na população. Possui ramificações em todo o Estado. Quando houve a primeira onda de violência, em novembro de 2012, um telefonema entre bandidos, interceptado pela polícia, fazia menção a São Joaquim.



No diálogo, a Polícia Civil identificou dois presos fazendo menção aos ataques. Um em Blumenau e outro em São Joaquim. Os criminosos deram ordens para que os atentados fossem amenizados a partir de 15 de novembro, dias depois, as ações cessaram.



O texto faz comentários sobre como se organizam os membros da fação criminosa no Estado. Trechos fazem menção ao dízimo, no valor de R$ 100,00, pago pelo integrante em liberdade para financiar as atividades da facção, como compra de droga e armas. O estatuto também faz ameaças à polícia.



As investigações policiais para elucidar as ações na Serra estão em curso. Por isso, até pode ser precipitado vincular os dois atentados daqui às ordens dadas pelo PGG. Por outro lado, seria muito otimismo imaginar que os ataques em Bom Retiro e São Joaquim não têm nada a ver com a onda de terror que assola o estado.



Na ação em Bom Retiro, um homem foi preso – e depois libertado por falta de provas. Ele teria sido visto próximo ao ônibus incendiado. Além disso, também tem amizade com um detento de São Pedro de Alcântara, de onde estaria partindo as ordens dos atentados.




Em São Joaquim, a polícia ainda não tem pistas de quem cometeu o crime, que deixou a população assustada e com medo.



Policial confirma  suspeita de relação do PGC

Um policial civil da região afirma que existe, na Unidade Prisional Avançada de São Joaquim (UPA), pelo menos dez presos suspeitos de integrarem e estarem ligados ao PGC. Alguns são de alta periculosidade e cumprem pena por crimes como roubo, tráfico de droga e associação ao tráfico.



Outro fator que reforça a tese de que membros do PGC agem  na Serra foi registrado em fevereiro do ano passado. Um detento do Presídio Regional de Lages, que havia sido beneficiado com a saída temporária, foi preso pela PM no bairro Habitação. Com ele a polícia encontrou um estatuto do PGC.




Trechos do diálogo interceptado pela polícia ano passado, que colocaram um preso de São Joaquim como responsável pelos ataques:

"Amanhã já pode normalizar tudo, tá, meu irmão" (preso Blumenau)
— Firmeza! (São Joaquim).
— Agora eu vou chegar ali na [cadeia] Pública [de Florianópolis] e passo um salve ali, tá? (Blumenau).
— Firmeza. Eu vou passar um salve para [o presídio de] Biguaçu também (São Joaquim).
— Fica o agradecimento de nós todo, tá ligado, irmão?, pelo apoio que os irmãos deram. (Blumenau).





Força Nacional está no Estado

Desde sexta-feira (15), soldados da Força Nacional estão no estado para reforçar o combate aos ataques. O grupo chegou a de avião por volta das 14h. No final de tarde, autoridades da cúpula da Segurança Pública se reuniram para discutir como será a operação nas cidades catarinenses.



Uma das funções da Força será auxiliar na transferência de presos do Estado, que estariam por trás dos ataques, para penitenciárias federais. Não foi divulgado o número de oficiais que vieram ao Estado e nem em quais cidades eles vão concentrar os trabalhos.



Fotos:Divulgação

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