Lages, 20/03/2013,Correio Lageano, por Suzani Rovaris
Moradores da rua Porto Alegre estão incomodados com os buracos, poeira e lama. A via tem uma distância de 1,3 quilômetro. Há apenas um pequeno trecho de calçamento.
Poeira, buracos e, quando chove, muita lama. Essa é a realidade de quem mora na rua Porto Alegre. Além desse, o Correio Lageano vai abordar nesta edição do CL Comunidade os problemas enfrentados pelos moradores do bairro Santa Helena.
Por cortar o bairro de um lado a outro, a rua já foi considerada entre as mais importantes, inclusive, estava cotada para receber a mesma pavimentação da Avenida Caldas Júnior, mas até hoje permanece de chão batido.
A rua Porto Alegre tem uma distância de 1,3 quilômetros. No início do trajeto, próximo à Avenida Santa Catarina, um pequeno trecho é calçado com lajotas e o restante é de chão batido. Em dias secos, quando o tráfego é mais intenso, os veículos que passam deixam uma alta cortina de poeira.
Como a maioria das casas fica à beira da rua, as janelas e portas raramente estão abertas. As donas de casa contam que a camada de pó é visível em cima dos móveis e que não adianta muita limpeza.
“No mesmo dia, a casa fica suja novamente”, afirma a dona de casa e cozinheira Lenita Correia. Mesmo morando aos fundos da casa do pai, Vilarino Correia, ela conta que o pó entra na sua residência. Lenita conta que o pai tem problemas respiratórios. As crises de asma e falta de ar são mais frequentes em dias secos.
Quando chove é ainda pior, porque a rua fica completamente tomada por lama. No lugar dos buracos, uma poça de água é formada. Os carros precisam passar devagar para não ficarem atolados.
Nos últimos dias, um caminhão da prefeitura espalhou pedra brita ao longo do trecho. Alguns moradores aprovaram a iniciativa, mas outros continuam reclamando. Lenita explica que o problema em frente a sua casa é a saída do carro, pois a brita não é espalhada por todo o local, deixando buracos entre as beiradas da estrada.
“Entre a saída da garagem e a estrada sempre ficava um desnível. Quando tirávamos o carro, várias vezes tivemos que espalhar melhor as pedras, pois os pneus atingiam o buraco e o para-choque encostava na parte elevada, onde tinhas as pedras”, explica.
Parte do calçamento da rua já foi paga
Há 10 anos, alguns moradores da Rua Porto Alegre pagaram uma quantia que na época correspondia a 25 sacos de cimento por cada lote. Esse valor seria usado no calçamento da rua, mas até hoje a obra não foi executada e o dinheiro caiu no esquecimento.
Uma das moradoras, que preferiu dar apenas o seu primeiro nome, Maria, diz que mora há 20 anos no local. “Eles (ela não explica quem) vieram até a nossa casa, contaram uma historinha e disseram que iriam calçar a rua. Como temos dois lotes, pagamos o equivalente a 50 sacos de cimento. Depositamos esse dinheiro, mas infelizmente não guardamos o comprovante. Quando fomos cobrar da prefeitura recebemos a resposta que não existia nenhum plano e muito menos dinheiro”, conta.
Outros moradores, como o comerciante Irineu Perin Madruga, não pagaram o plano de calçamento. “Não levei muita fé e por isso não pagamos, ainda bem, porque não fizeram nada na rua e ela continua do mesmo jeito”.
Unidade Básica de Saúde é alvo de reclamações
Moradores do bairro Santa Helena reclamam do atendimento da Unidade Básica de Saúde. Dois principais problemas foram elencados: as visitas das agentes de saúde e o retorno para apresentação dos exames.
Segundo um dos moradores, Antônio Martins, quando o paciente retorna para a consulta, os exames são apresentados aos médicos pelas enfermeiras e não pelo próprio paciente.
“Nós queremos mostrar nossos exames. Se temos alguma dúvida, queremos perguntar diretamente ao médico. Não precisamos de ninguém que faça esse meio caminho”. Sua mulher, Rosana Fogaça de Medeiros, conta que já passou por situação semelhante. “Precisei esperar a enfermeira mostrar o exame e depois ela veio me passar tudo o que o médico havia lhe dito”, conta.
Outro problema que os moradores reclamam são as visitas das agentes de saúde nas casas. Eles afirmam que dificilmente elas têm feito esse trabalho. “Eu sou dono de um mercado. O que sabemos é que elas precisam bater o ponto às 8 horas, mas depois disso passam aqui no mercado, compram pão e vão para casa tomar café”, afirma um comerciante.
O problema foi levado até o conhecimento da enfermeira Nayara Alano Moraes, que responde pelo posto de saúde. Ela afirma que desde que trabalha na unidade, há cerca de dois anos, o paciente conversa diretamente com seu médico quando mostra seu exame, afirma ela.
Nayara explica ainda que as agentes de saúde têm a orientação de chegar até a unidade, registrar a entrada do expediente e sair para as visitas regulares até as casas dos moradores.
A enfermeira acrescenta que tem os registros das assinaturas de todos os moradores onde as agentes visitaram.
Canos e torneiras secas
A falta de água no bairro Santa Helena ainda é frequente. O principal motivo é decorrente do alto consumo, acima de 30% do normal. O problema é maior em pontos mais altos. Segundo alguns moradores e comerciantes, a água acaba geralmente no final do dia e fins de semana.
A reclamação é constante. Os moradores precisam ficar de um a dois dias sem água. O comércio sofre com isso, principalmente lanchonetes, pizzaria e restaurantes. A escassez ainda atinge posto de saúde e escolas.
Um reservatório abastece todo o bairro. A Semasa reconhece que a estrutura de toda a cidade é frágil. “Não produzimos água suficiente para atender toda a demanda. Se gasta mais do que se produz”, afirma o secretário Benjamin Schultz.
Além disso, na madrugada de sexta-feira (15), houve rompimento na rede e os técnicos ficaram dois dias procurando o local de vazamento, o que agravou o problema no bairro. Para melhorar o fornecimento está previsto para este ano a instalação de um booster (bomba de alta pressão), além disso é previsto a troca da rede de 200 milímetros para 300, mas esse projeto ainda está sendo estudado, de acordo com a Semasa.
Chuva forte e falta de saneamento incomodam
Moradores do bairro Santa Helena, entre as ruas Curitiba e Presidente Kennedy, sofrem com a chuva e grandes volumes de água. O local onde eles moram fica em um nível mais baixo que a avenida Caldas Júnior, por isso toda a água vai diretamente para essas regiões e se não bastasse, ainda misturada com esgoto.
Cerca de 15 residências são afetadas pela água quando ocorrem chuvas fortes. Uma oficina fica entre as propriedades mais altas da parte baixa e por isso, o proprietário Sebastião Osmar Ribeiro, precisou construir uma pequena lombada entre a rua e a entrada da sua casa e assim evitar o escoamento da água.
Quando chove forte o terreno fica coberto por cerca de um metro de água. “Toda a água da avenida Caldas Júnior desce para essa região, é como se formasse uma cachoeira na própria estrada”, conta. O muro que cerca a propriedade de Ribeiro tem abertura para vazão da água, mas mesmo assim não é suficiente.
Outro problema, além do volume da água, é que ela é misturada ao esgoto. Alguns moradores afirmam que no local não há saneamento básico e os dejetos são jogados na rede fluvial. “Quem mora aqui embaixo sofre todas as vezes que chove forte”.Por enquanto o problema vai continuar, a Semasa está ciente, mas ainda não há nenhum estudo para o tratamento de esgoto do bairro.
Segurança e policiamento no Santa Helena
• É o bairro onde há mais ocorrências
• 70% das ocorrências são de perturbação do sossego
• As ocorrências são mais frequentes nas sextas-feiras e sábados
• De janeiro a fevereiro deste ano, o número de ocorrências diminuiu em relação a igual período de 2012
• O bairro integra o setor 2 da Polícia Comunitária
• Apenas uma guarnição faz as rondas
• Não há câmeras de videomonitoramento no bairro
Fotos: Suzani Rovaris
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