Lages, 12 e 13/10/2013, Correio Lageano, por Núbia Garcia
A cultura de Estado grande desembarcou no Brasil com dom João VI em 1808. E de lá pra cá só aumentou. Portanto, observar salas e prédios públicos vazios em Lages não chega a surpreender, e o problema afeta as três esferas de poder.
São exemplos de espaços hoje fechado ou apenas em parte ocupados os prédios que abrigavam a Regional de Saúde (na Praça João Ribeiro), a Policlínica Municipal (ao lado do INSS), a Procuradoria Geral do Estado (na rua Correia Pinto, que tem o andar térreo vazio) e o local onde funcionava a Sociedade de Apoio ao Menor Trabalhador (Samt), junto à secretaria de Assistência Social.
A Regional de Saúde mudou de endereço para um espaço locado porque o prédio onde funcionava, do estado, era precário e não atendia as regras de acessibilidade. Desde então, o local está vazio.
Lixo, mato e telhas quebradas são o saldo de meses de desativação. Em março, foi anunciado que o prédio teria sido repassado do Estado para o município e passaria por pequena reforma no teto para receber setores da administração. Com isso, a prefeitura reduziria o número de contratos e os gastos com aluguel.
Reforma: De acordo a assessoria da Secretaria do Desenvolvimento Regional (SDR), este prédio precisa de uma ampla reforma, pois a precariedade do espaço foi o motivo pelo qual a Gerência de Saúde foi transferida. Sobre a doação do prédio à prefeitura, a assessoria informou que Estado e município estão debatendo a viabilidade.
Aglutinar e reduzir o aluguel é a meta
A prefeitura de Lages tem discutido a criação de um centro administrativo, que aglutinaria pastas afins. Porém, a ideia está no desenho, como define o secretário da Administração, Pedro Ortiz. Para se tornar um projeto viável depende de aquisição ou permuta de área que facilite a vida da população.
Enquanto se discute o centro administrativo, explica Ortiz, está em execução a segunda etapa de um programa de aproximação de setores afins. A meta é chegar em junho do ano que vem com redução de 30% no atual valor que a prefeitura paga em aluguéis.
Como o problema da ocupação de imóveis é histórico, não terá uma solução rápida, admite o secretário da Administração. Ortiz calcula que em quatro anos é possível reduzir significativamente o valor do aluguel e aglutinar pastas afins, mas é impossível resolvê-lo.
Saiba mais
Município
Transferência facilita o público, mas gera aluguel
A Sociedade de Apoio ao Menor Trabalhador (Samt) deixou de funcionar na Secretaria de Assistência Social e passou a atender numa casa alugada. De acordo com o secretário de Assistência Social, José Amarildo Farias, era necessário desvincular o trabalho da Samt, que é uma organização não governamental, ao da secretaria.
Com a mudança, a Samt passou a pagar aluguel. De acordo com Farias, a entidade tem um prédio próprio, no bairro Santa Mônica. Entretanto, o espaço está locado para o município, pois abriga o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) que atende aquela comunidade.
Adequação: “O espaço que a Samt tem fica em um bairro muito distante e não é adequado para atender aos serviços que oferece”, avalia o secretário Farias, ao ressaltar que, caso a Samt passasse a funcionar lá, seria necessário mudar de endereço o Cras, que hoje atende duas mil famílias.
Farias explica que o espaço que ficou ocioso no prédio da secretaria poderá receber serviços como o CAD Único, que atende os usuários do Bolsa Família em uma casa locada na Rua Correia Pinto, área nobre da cidade, além do Conselho Tutelar, na Rua Coronel Serafim de Moura.
Para fazer a transferência dos serviços, Farias explica que é necessária a aprovação de um projeto para a reforma das salas junto a Secretaria de Planejamento (Seplan). Segundo ele, há R$ 600 mil liberados para a execução da reforma na parte do prédio onde funcionava a Samt.
Casan será um centro administrativo
O prédio onde fica a Procuradoria Geral do Estado, na Rua Correia Pinto, é do Estado. O secretário de Desenvolvimento Regional, Gabriel Ribeiro, disse que o lugar será vendido. Isto depende de etapas administrativas, mas a venda poderá ocorrer ainda neste ano.
O imóvel era de uma empresa e foi entregue em troca de dívida tributária. A venda deve ser por leilão e o lance inicial está estimado em R$ 3 milhões. Segundo Ribeiro, o dinheiro da venda pode ser usado na reforma do prédio onde era a Casan.
Esse imóvel da Casan fica no bairro São Cristóvão e está vazio. O local foi desativado há uma década, quando o sistema de águas passou a ser municipal. De acordo com Ribeiro, a ideia é transformar o prédio num lugar que reúna os órgãos do Estado, como a Gerência de Saúde e a própria SDR. Os projetos arquitetônicos estão em andamento e, após, o governo lançará a licitação.
Hoje, dois órgãos estaduais pagam aluguel: Sine e Gerência de Saúde. Os dois aluguéis somam R$ 7 mil. Há cerca de três meses, a gerência regional da Cohab foi transferida para a SDR. A mudança representou economia de R$ 5 mil mensais.
Imóvel do governo federal abriga setor do município
O imóvel onde funciona o INSS é da União. Parte dele estava cedido ao município, até 2012, para abrigar serviços como odontologia e a policlínica. De acordo com o gerente da agência, Rubens Rambo, com a transferência da policlínica, no espaço da união ficaram os serviços de odontologia, que foi transferida em agosto, e de curativos.
Ele afirma que a intenção é mudar o setor de arquivos do INSS, que funciona no primeiro andar, para o térreo. “São toneladas de papel que prejudicam a estrutura do prédio”, explica.
Segundo Rambo, após a retirada completa dos serviços do município, o prédio precisará ser restaurado para receber o arquivo. É cogitada a ideia de que a agência de Lages volte a ser uma Gerência Regional. Assim, todo o prédio passaria a ser ocupado por serviços do órgão.
Receita: O prédio da Receita Federal funciona em espaço locado, na Avenida Presidente Vargas. Abriga administração, atendimento ao público, garagem e depósitos de mercadorias apreendidas. Não há orçamento para compra de terreno ou prédio para o órgão. O delegado da Receita, Mauro de Brito, está em contato com o estado e o município para a cedência ou permuta para que seja iniciado um projeto.
Fotos: Núbia Garcia
A cultura de Estado grande desembarcou no Brasil com dom João VI em 1808. E de lá pra cá só aumentou. Portanto, observar salas e prédios públicos vazios em Lages não chega a surpreender, e o problema afeta as três esferas de poder.
São exemplos de espaços hoje fechado ou apenas em parte ocupados os prédios que abrigavam a Regional de Saúde (na Praça João Ribeiro), a Policlínica Municipal (ao lado do INSS), a Procuradoria Geral do Estado (na rua Correia Pinto, que tem o andar térreo vazio) e o local onde funcionava a Sociedade de Apoio ao Menor Trabalhador (Samt), junto à secretaria de Assistência Social.
A Regional de Saúde mudou de endereço para um espaço locado porque o prédio onde funcionava, do estado, era precário e não atendia as regras de acessibilidade. Desde então, o local está vazio.
Lixo, mato e telhas quebradas são o saldo de meses de desativação. Em março, foi anunciado que o prédio teria sido repassado do Estado para o município e passaria por pequena reforma no teto para receber setores da administração. Com isso, a prefeitura reduziria o número de contratos e os gastos com aluguel.
Reforma: De acordo a assessoria da Secretaria do Desenvolvimento Regional (SDR), este prédio precisa de uma ampla reforma, pois a precariedade do espaço foi o motivo pelo qual a Gerência de Saúde foi transferida. Sobre a doação do prédio à prefeitura, a assessoria informou que Estado e município estão debatendo a viabilidade.
Aglutinar e reduzir o aluguel é a meta
A prefeitura de Lages tem discutido a criação de um centro administrativo, que aglutinaria pastas afins. Porém, a ideia está no desenho, como define o secretário da Administração, Pedro Ortiz. Para se tornar um projeto viável depende de aquisição ou permuta de área que facilite a vida da população.
Enquanto se discute o centro administrativo, explica Ortiz, está em execução a segunda etapa de um programa de aproximação de setores afins. A meta é chegar em junho do ano que vem com redução de 30% no atual valor que a prefeitura paga em aluguéis.
Como o problema da ocupação de imóveis é histórico, não terá uma solução rápida, admite o secretário da Administração. Ortiz calcula que em quatro anos é possível reduzir significativamente o valor do aluguel e aglutinar pastas afins, mas é impossível resolvê-lo.
Saiba mais
Município
- 45 contratos de locação
- R$ 143.971,53 gastos mensalmente
- 2 contratos de locação
- Cerca de R$ 7 mil gastos mensalmente
- Receita Federal
- R$ 25.813,14/mês com locação
Transferência facilita o público, mas gera aluguel
A Sociedade de Apoio ao Menor Trabalhador (Samt) deixou de funcionar na Secretaria de Assistência Social e passou a atender numa casa alugada. De acordo com o secretário de Assistência Social, José Amarildo Farias, era necessário desvincular o trabalho da Samt, que é uma organização não governamental, ao da secretaria.
Com a mudança, a Samt passou a pagar aluguel. De acordo com Farias, a entidade tem um prédio próprio, no bairro Santa Mônica. Entretanto, o espaço está locado para o município, pois abriga o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) que atende aquela comunidade.
Adequação: “O espaço que a Samt tem fica em um bairro muito distante e não é adequado para atender aos serviços que oferece”, avalia o secretário Farias, ao ressaltar que, caso a Samt passasse a funcionar lá, seria necessário mudar de endereço o Cras, que hoje atende duas mil famílias.
Farias explica que o espaço que ficou ocioso no prédio da secretaria poderá receber serviços como o CAD Único, que atende os usuários do Bolsa Família em uma casa locada na Rua Correia Pinto, área nobre da cidade, além do Conselho Tutelar, na Rua Coronel Serafim de Moura.
Para fazer a transferência dos serviços, Farias explica que é necessária a aprovação de um projeto para a reforma das salas junto a Secretaria de Planejamento (Seplan). Segundo ele, há R$ 600 mil liberados para a execução da reforma na parte do prédio onde funcionava a Samt.
Casan será um centro administrativo
O prédio onde fica a Procuradoria Geral do Estado, na Rua Correia Pinto, é do Estado. O secretário de Desenvolvimento Regional, Gabriel Ribeiro, disse que o lugar será vendido. Isto depende de etapas administrativas, mas a venda poderá ocorrer ainda neste ano.
O imóvel era de uma empresa e foi entregue em troca de dívida tributária. A venda deve ser por leilão e o lance inicial está estimado em R$ 3 milhões. Segundo Ribeiro, o dinheiro da venda pode ser usado na reforma do prédio onde era a Casan.
Esse imóvel da Casan fica no bairro São Cristóvão e está vazio. O local foi desativado há uma década, quando o sistema de águas passou a ser municipal. De acordo com Ribeiro, a ideia é transformar o prédio num lugar que reúna os órgãos do Estado, como a Gerência de Saúde e a própria SDR. Os projetos arquitetônicos estão em andamento e, após, o governo lançará a licitação.
Hoje, dois órgãos estaduais pagam aluguel: Sine e Gerência de Saúde. Os dois aluguéis somam R$ 7 mil. Há cerca de três meses, a gerência regional da Cohab foi transferida para a SDR. A mudança representou economia de R$ 5 mil mensais.
Imóvel do governo federal abriga setor do município
O imóvel onde funciona o INSS é da União. Parte dele estava cedido ao município, até 2012, para abrigar serviços como odontologia e a policlínica. De acordo com o gerente da agência, Rubens Rambo, com a transferência da policlínica, no espaço da união ficaram os serviços de odontologia, que foi transferida em agosto, e de curativos.
Ele afirma que a intenção é mudar o setor de arquivos do INSS, que funciona no primeiro andar, para o térreo. “São toneladas de papel que prejudicam a estrutura do prédio”, explica.
Segundo Rambo, após a retirada completa dos serviços do município, o prédio precisará ser restaurado para receber o arquivo. É cogitada a ideia de que a agência de Lages volte a ser uma Gerência Regional. Assim, todo o prédio passaria a ser ocupado por serviços do órgão.
Receita: O prédio da Receita Federal funciona em espaço locado, na Avenida Presidente Vargas. Abriga administração, atendimento ao público, garagem e depósitos de mercadorias apreendidas. Não há orçamento para compra de terreno ou prédio para o órgão. O delegado da Receita, Mauro de Brito, está em contato com o estado e o município para a cedência ou permuta para que seja iniciado um projeto.
Fotos: Núbia Garcia
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