Lages, 04/09/2012, Correio Lageano, por Susana Küster
O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para deixar os prédios municipais adequados foi prorrogado para janeiro de 2013
O prazo para cumprir o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que prevê
à acessibilidade aos prédios públicos municipais foi prorrogado para
janeiro de 2013. Dentre os locais observados pelo
Correio Lageano,
a prefeitura, a secretaria do Meio Ambiente, o Balcão Cidadão, e a
Seplan, ainda não estão adaptados aos portadores de deficiência física
em Lages.
O TAC foi assinado em 25 de novembro de 2010 e proposto pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Em matéria publicada pelo
Correio Lageano, no dia 12
de outubro de 2011, o secretário de Administração, Antônio César Arruda,
disse na época, que até o final do ano, 80% das repartições da
prefeitura estariam acessíveis aos portadores de deficiência física.
Arruda afirmou ainda, que dois elevadores já tinham sido licitados e
até dezembro de 2011, eles estariam instalados. Um ficaria na prefeitura
e outro na Secretaria de Planejamento (Seplan). A equipe do
CL esteve no local e constatou que os elevadores ainda não estão instalados.
O prazo para conclusão das obras ou adaptações necessárias era de 14
meses, a contar da data de assinatura do TAC, ou seja, o prazo
terminaria em janeiro deste ano.
Segundo informações da 14ª promotoria da Justiça e Cidadania de Lages, a
prefeitura pediu prorrogação do prazo para janeiro de 2013.
O Ministério Público achou aceitável a solicitação de adiar as
adequações e próximo do prazo previsto, os prédios públicos municipais
serão fiscalizados.
Caso não cumpra o acordo no prazo previsto, o município fica sujeito à
multa, a ser revertida ao Fundo de Reconstituição dos Bens Lesados do
Estado de Santa Catarina.
Porém, o TAC prevê a prorrogação do prazo desde que a solicitação seja justificada antes do seu vencimento.
O procurador geral do município, Sandro Anacleto, disse que poderia se posicionar sobre o assunto somente hoje.
Mais de 45 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência no país
Segundo dados do Censo 2010, há no Brasil, 45,6 milhões de pessoas com
algum tipo de deficiência. Isso representa 23,8% da população
brasileira, dos quais 13,1 milhões apresentam grande dificuldade ou
impossibilidade de falar, ouvir, enxergar ou se locomover.
Na semana passada, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou
carências nas condições de acesso de pessoas com deficiência a prédios e
serviços públicos federais.
O levantamento foi feito nas principais unidades dos seis órgãos
públicos que mais atendem a população pessoalmente: Empresa de Correios e
Telégrafos (Correios), Caixa Econômica Federal (Caixa), Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS), Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE), Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e Defensoria
Pública da União (DPU).
As principais barreiras de acesso identificadas referem-se à
sinalização para deficientes visuais, como a existência de mapas ou de
pisos táteis direcionais.
Algumas instituições ofertam esses dispositivos em menos de 2% das
unidades de atendimento. Há ainda pouca oferta de elevadores,
sanitários, mesas, balcões, rampas, escadas, corredores e portas
acessíveis. Os dados foram coletados em 11.069 unidades, em pesquisa que
teve como base a percepção dos gestores dos órgãos.
As dificuldades também afetam as instituições de ensino. Segundo dados
de dois censos de educação, 45,7% dos cursos realizados em
estabelecimentos federais não oferecem condições de acesso adequadas.
Falta de acesso limita vida social
Deixar de sair com os amigos para vários locais de lazer em Lages, já é
rotina para a secretária da Associação dos Deficientes Físicos (ASDF),
Vanilda Antunes Correa.
Ela lamenta a falta de acessibilidade em Lages e estima que em torno de 70% dos locais públicos não sejam acessíveis.
“Antes o deficiente não andava na rua, mas hoje é diferente. É preciso
os locais se adequarem para nós não ficarmos limitados”, frisa.
Vanilda afirma que muitas rampas que estão sendo instaladas nos prédios
públicos municipais são inadequadas. “Deveriam perguntar para alguém
que tenha deficiência, antes de fazerem as rampas. Hoje é passível de
processo à falta de acessibilidade ”, lembra.
Além disso, quando os prédios municipais possuem rampas, elas são
geralmente nas laterais ou nos fundos das estruturas e não possuem
nenhuma indicação por placa.
Ela explica que é preciso seguir as normas universais de acessibilidade
para construir rampas. “Quando preciso de algo em prédios públicos,
peço para outras pessoas irem em meu lugar”, finaliza.
Fotos: Susana Küster