Lages, 03/09/2013, Correio Lageano, por Adecir Morais e Susana küster
Um apartamento no primeiro andar do edifício Dona Emília, no Centro de
Lages, foi palco de cenas de horror e medo para três famílias da cidade.
O local foi usado como cativeiro de 15 pessoas que ficaram sob a mira
de sequestradores por cerca de 13 horas. O alívio só veio na manhã
desta segunda-feira (02), quando os reféns conseguiram pedir ajuda.
As vítimas são parentes de três gerentes da agência do Banco do Brasil,
do Bairro Coral, em Lages. Elas foram rendidas por volta das 21 horas do
último domingo em suas residências. Após, foram levadas ao apartamento
onde mora um dos gerentes.
No imóvel, os reféns foram colocados em um quarto de cerca de 20 metros
quadrados e tiveram os pulsos amarrados com algemas. Durante a noite de
domingo para segunda, ficaram sob a mira dos criminosos que estavam
fortemente armados. “Eles usavam fuzis e andavam para lá a para cá, a
noite inteira. Mas todos estavam calmos e não agrediram ninguém”, contou
o parente de uma das vítimas.
Segundo informações da polícia, as famílias foram rendidas uma a uma e
depois levadas ao cativeiro. A ação foi praticada por pelo menos 20
bandidos, que usavam três carros.
As vítimas foram encontradas pela polícia somente por volta das 11 horas
de ontem. Após, todas foram levadas à Divisão de Investigação Criminal
de Lages (DIC) para prestar depoimento.
Medo: Reportagem do CL teve acesso ao
cativeiro. O local ficou todo bagunçado, com colchões e cobertas por
todos os lados. As vítimas ficaram amarradas à noite inteira. Antes de
fugir, o bando deixou as vítimas trancadas no apartamento. Uma delas
conseguiu se soltar, foi até a janela e acenou para uma viatura da
polícia que passava pela frente do prédio em diligências ontem de manhã.
A fechadura da porta do apartamento estava trancada.
Trauma: O vai e vem na sede da DIC, no bairro São
Cristóvão, ontem, foi intenso durante o dia todo. As vítimas chegavam a
todo instante para prestar depoimento. No semblante de cada uma, era
possível perceber resquícios de medo e pavor que passaram nas mãos dos
bandidos. Algumas precisaram ser amparadas por policiais. Crianças de
colo, filhos das vítimas, também chegavam ao local. O movimento se
estendeu até o início da noite de segunda.
Frustrado plano de assalto ao banco
Assaltantes que sequestraram e fizeram reféns 15 pessoas das famílias de
três gerentes da agência do Banco do Brasil, do Bairro Coral, em Lages,
não conseguiram roubar o dinheiro que queriam. O bando desistiu do
plano ao amanhecer.
As famílias foram rendidas por volta das 21 horas de domingo, uma a uma.
Em seguida, foram levadas para o apartamento de um dos gerentes, no
edifício Dona Emília, no Centro da cidade, onde foram amarradas e
mantidas reféns até a manhã de ontem. A ação foi praticada por cerca de
20 bandidos fortemente armados e organizados.
As vítimas, incluindo quatro crianças, foram encontradas pela polícia
por volta das 11 horas. Segundo o delegado Raphael Bellinati, uma delas
conseguiu se soltar e, após avistar uma viatura fazendo diligências nas
proximidades, pediu ajuda.
Uma ampla operação policial foi montada para tentar localizar os
criminosos. O IGP fez o levantamento no apartamento usado como
cativeiro. O banco fechou as portas para os clientes e o que se via no
local eram policiais armados.
Segundo a polícia, a intenção do bando era conseguir, por meio dos
gerentes, o dinheiro do banco. Entretanto, algo deu errado e a quadrilha
desistiu do plano. O bando fugiu em direção a São José do Cerrito, onde
trocaram tiros com policiais da região.
Força tarefa para conseguir pegar os criminosos
Quase 100 pessoas estão envolvidas na captura dos criminosos que,
possivelmente, fazem parte de uma quadrilha (em torno de 20 pessoas) que
agiu no arrombamento da agência do Banco do Brasil de Ponte Alta e de
Curitibanos, e no sequestro das três famílias de gerentes do banco em
Lages. Polícias Civil e Militar, Instituto Geral de Perícias, Deic e
Bope se uniram para encontrar os bandidos. Dois helicópteros fazem
ajudam a fazer uma varredura na região.
Na operação, duas pessoas foram presas em Fraiburgo, por volta das
13h30min de ontem. Eles estavam em um Corolla de placas AWO-1806, de
Maracaju, cidade do Mato Grosso do Sul.
Antes dessa prisão, quase na mesma hora, aconteceu um tiroteio em São
José do Cerrito entre a Polícia Civil e criminosos que fugiram, deixando
um Chevrolet Spim de placas AWM-4286, de Fazenda Rio Grande, município
do Paraná, e um celular. O carro tinha registro de furto no estado de
origem.
O delegado da Polícia Civil Raphael Belinati disse que tudo leva a crer
que a quadrilha é grande e organizada, pois desistiu do roubo em Lages
sem ferir ninguém, quando algo que foi planejado saiu do controle.
“Possivelmente, as três ocorrências [Ponte Alta, Curitibanos e Lages]
estão ligadas, mas precisamos analisar as imagens das câmeras dos bancos
e do pedágio de Correia Pinto para constatar isso”, explica. Ele diz
que os bandidos são articulados e organizados.
O sequestro: As primeiras vítimas foram feitas às 21
horas de domingo. Depois, os bandidos sequestraram as outras famílias,
uma a uma. As 15 pessoas, incluindo quatro crianças de 3 a 12 anos,
foram levadas no carro de um dos gerentes para o apartamento de um dos
executivos, localizado no Centro de Lages. Pela manhã, os bandidos, que
passaram a noite ameaçando os reféns, fugiram sem levar nada.
Às 11 horas, a Polícia Civil encontrou as 15 pessoas no apartamento, a
maioria estava amarrada e outras tinham conseguido se soltar e correram
pelo prédio pedindo ajuda.
A polícia encontrou as vítimas enquanto fazia ronda próximo ao local do cativeiro.
BB diz que não vai se manifestar
Banco do Brasil não vai se manifestar sobre a tentativa de roubo à
agência do bairro Coral e sequestro de famílias de três gerentes em
Lages, nem sobre os arrombamentos em Ponte Alta e Curitibanos.
A gerência de comunicação da superintendência do banco em
Florianópolis afirma que o silêncio é para não atrapalhar as
investigações da polícia. Por telefone, o responsável pela gerência
falou ao CLMais que informações só serão obtidas “se a própria polícia
se manifestar”.
O BB tem câmeras de vigilância em seu sistema de segurança e, segundo
a gerência de comunicação, cumpre o que está estabelecido sobre
segurança nas agências. A Polícia Civil está investigando as imagens.
Fotos:Adecir Morais