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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Prazo para famílias desocuparem casas venceu, garante empresa



Prazo para famílias desocuparem casas venceu, garante empresa
São José do Cerrito, 18/04/2013, Correio Lageano, por Suzani Rovaris




Uma das propriedades na localidade de Canoas, interior de São José do Cerrito, teve três casas derrubadas no dia 10 de abril. O terreno faz parte da área afetada pela Usina Hidrelétrica Garibaldi. O prazo para as duas famílias desocuparem as casas, segundo a empresa Rio Canoas Energia, venceu, e por isso, elas foram demolidas.




Na edição desta quarta-feira, o Correio Lageano publicou matéria sobre o impasse entre moradores e o empreendimento. Cerca de 22 propriedades da localidade de Canoas serão atingidas e os moradores se sentem ameaçados.




A empresa Rio Canoas foi procurada pela equipe do jornal na terça-feira para dar a sua versão e somente se pronunciou ontem. Segundo o advogado da empresa, Renato Marques, todos os moradores afetados pela hidrelétrica estão sendo indenizados.



Conforme Marques, o valor é pago pelo terreno e as benfeitorias, e que a informação de que o pagamento é referente somente aos terrenos, não procede. Ainda de acordo com o advogado, a empresa faz uma pesquisa de mercado com base nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e realiza a avaliação. “Os nossos laudos são apresentados para a família. Cerca de 95% delas fizeram o acerto amigavelmente e receberam suas indenizações. Quando assinam esse contrato, eles sabem do prazo que têm para desocupar o imóvel, mas muitas não desocupam”.



Renato Marques explica que essas famílias são notificadas. Se não saem dos imóveis, a empresa busca o poder judiciário. “A decisão passa a ser judicial e tem que ser cumprida. Normalmente, os juízes dão prazo para a desocupação, cerca de 10 a 15 dias. Passado o prazo, a gente cumpre a determinação para entrar no imóvel”.



Situação de quem não é proprietário



Conforme o advogado da Rio Canoas, Renato Marques, dependendo do caso, as famílias, assim que recebem a indenização pelo imóvel, procuram outro lugar para morar, alguns ficam na região e outros mudam de cidade.



Ele complementa que há outras situações mais específicas relacionadas às pessoas que não são donas do imóvel. “Neste caso, existe a carta de crédito, o reassentamento em área remanescente ou coletivo. São muitas famílias e cada caso é único. A 13ª Promotoria do Ministério Público tem acompanhado o processo há mais de dois anos, inclusive sobre as áreas adquiridas para reassentamentos. Tudo é fiscalizado pela Fatma (Fundação do Meio Ambiente) e MP”.



Alguns desses arrendatários recebem cartas de crédito, mas muitas são negadas. A empresa afirma que são analisados inúmeros casos, as famílias que tiveram as cartas negadas foram encaminhadas e convidadas a compareceram na Fatma, munidos de documentos. “Existe uma demanda judicial das pessoas requerendo o benefício. Algumas famílias não se enquadram nos critérios do nosso Plano Básico Ambiental”.




Foto: Suzani Rovaris

terça-feira, 16 de abril de 2013

Comunidade se revolta com a demolição de casas no interior do Cerrito



Comunidade se revolta com a demolição de casas no interior do Cerrito
São José do Cerrito, 17/04/2013, Correio Lageano, por Suzani Rovaris


Parte da localidade Canoas fica no entorno da construção de uma hidrelétrica. Moradores que residem da área de acesso terão que sair, mas alegam que ação de empresa não deu tempo para eles se organizarem.



A destruição de casa na localidade Canoas, interior do município de São José do Cerrito, está provocando revolta entre os moradores que ali têm residência. Algumas propriedades serão afetadas pela Usina Hidrelétrica Garibaldi.




No período de uma semana, o casal Roni Corrêa Ramos, de 61 anos, e Idelma de Souza Ramos, 61 anos, trocou o conforto de sua casa para viver em um galpão. Esta não foi uma escolha deles, a casa onde moravam foi demolida na quarta-feira, dia 10, pois integra o grupo de propriedades atingidas.


Empresa se pronunciará hoje



O local onde Roni e Idelma moram era usado para guardar as máquinas agrícolas, que agora ficam na rua. A nova moradia não tem divisórias, os móveis foram dispostos conforme o espaço estabelecido pelo casal. O cheiro dentro da casa é de animais, pois ao lado é onde ficam os porcos e o gado.



No mesmo terreno havia mais duas casas que também foram demolidas, em uma delas morava a filha Inocência Pinho Corrêa. Atualmente, ela mora com parentes. Roni e Idelma nasceram na região e vivem no local há 33 anos. Segundo o casal, o terreno foi comprado por cerca de R$ 400 mil, mas receberam da empresa Rio Canoas Energia S.A., o valor de R$ 150.400,00.



A Usina Hidrelétrica Garibaldi começou a ser erguida em abril de 2010. Vai atingir os municípios de Abdon Batista, Cerro Negro, Campo Belo do Sul, São José do Cerrito e Vargem. O investimento é de cerca de R$ 950 milhões. Aproximadamente, 540 famílias são afetadas no entorno da obra.



Na localidade de Canoas, interior de São José do Cerrito, 22 propriedades estão entre os terrenos atingidos.  Neles moram de uma a quatro famílias. Algumas são proprietárias, outras arrendatárias. Os moradores dizem que os arrendatários vão receber uma carta de crédito e os donos de terra vão receber, inicialmente, o valor do terreno e, depois, as benfeitorias. Um dos problemas abordados pelos proprietários é que o valor pago pelos terrenos é muito baixo.



Dois proprietários, Maria Tereza da Silva Corrêa e Eden Socrepa, possuem um terreno cada um, de pouco menos de um hectare. Eles afirmam que receberam cerca de R$ 1 mil pela área. Segundo informa a prefeitura de São José do Cerrito, o valor do hectare na região de Canoas vale em torno de R$ 4,2 mil.



Moradores preocupados


Sobre o pagamento das benfeitorias, os moradores dizem que a empresa não vai pagar pelo que existe em cima da terra. E esses, como afirmam, nem são os principais motivos para tirar o sono de quem mora na região. Eles contam que estão com medo da empresa demolir as casas sem dar prazo suficiente para encontrarem outro local.



O casal Roni e Idelma afirma que nunca recebeu notificação para sair de casa. Segundo Roni, um oficial de justiça foi quem os avisou para desocuparem a residência. Cinco dias depois, representantes da empresa e 10 policiais apareceram na propriedade para desmancharem as casas. “Nunca pensei que veria uma cena como aquela. Construí as casas com o esforço do meu trabalho e no dia não pude fazer nada, a não ser sentar do barranco e olhar”, comenta Roni.



Alguns moradores afirmam que as notificações para desocuparem as residências estão sendo entregue há cerca de 20 dias. Todos os moradores afetados são agricultores, o que representa que precisarão começar suas plantações do zero.



  •  Paulo Sérgio da Silva tem quatro propriedades que ficam à beira do rio e serão atingidas. Ele recebeu pelos quatro terrenos o valor de R$ 100 mil. Segundo ele, a empresa se comprometeu em lhe fornecer um documento para garantir o pagamento das benfeitorias, mas até agora não recebeu. “Eu agendo um horário para ir até a empresa pegar o documento, mas os funcionários afirmam que estão ocupados e não podem me atender Já fui várias vezes, mas nunca fui atendido”, diz. Em um dos terrenos há plantação de alfafa e milho e ele estima que toda a lavoura será perdida. Ele possui ainda uma residência mista e dois galpões. Além disso, Paulo possui um armazém e afirma que muitos moradores ficaram com medo de suas casas serem demolidas e se mudaram para municípios vizinhos e, por isso, o número de clientes reduziu, assim como o lucro, de R$ 12 mil passou para R$ 6 mil por mês.



  •  O agricultor José Godóy, de 89 anos, mora com a filha Salete Antunes Godóy, à beira da BR-282. Ele recebeu R$ 100 mil pelo terreno, que conforme diz, vale mais que R$ 200 mil. Há algumas semanas, José conta que representantes da empresa Rio Canoas queriam transferi-lo para um local afastado da rodovia, mas o agricultor tem problema de saúde e disse que prefere morar à beira da BR-282, pois é mais rápido para ser atendido. José é remanescente, ou seja, parte de seu terreno não vai ser atingido e, por isso, é onde vai construir a casa. Ele conta que vai perder galpão, estrebaria e a lavou de milho e feijão.



  •  A empregada Adriana Vitor de Oliveira é uma das pessoas arrendatárias. Ela mora em uma das propriedades de Paulo Sérgio da Silva. Ela já recebeu a notificação para sair de casa, mas ainda não recebeu a carta de crédito e afirma que a empresa se comprometeu em lhe dar um terreno na localidade de Laranjeiras, interior de São José do Cerrito.



Sem rumo


Moradores abaixo não receberam a carta de crédito e afirmam que precisam desocupar suas casas
• José Sirineu Borges e a mulher Sirlene Vitor de Oliveira nasceram na região e agora estão morando com a mãe de José.
• Ademir Machado e Elizangela Vitor de Oliveira, a família tem quatro filhos e não têm para onde ir.
• Adelir Onéris Ortiz, na última semana, voltou a morar em Lages.
• Rudnei Araújo e a mulher, tem dois filhos e não encontraram local para morar



O que diz o Ministério Público


A Promotoria do Meio Ambiente é um dos órgãos estaduais que participaram da negociação entre os moradores do Canoas e empresa. Segundo o promotor Renee Cardoso Braga, o valor pago para os moradores é referente ao terreno e as benfeitorias.



Ele explica que a empresa não paga por benfeitoria considerada “de má-fé”, referente as construções sem utilidade erguidas para aumentar artificialmente o valor da propriedade.
Sobre as reclamações de valores abaixos do que os moradores esperavam, e inclusive o exemplo citado de que alguns receberam de R$ 1 mil por suas propriedades, o promotor afirma que a informação não procede e complementa que desconhece o caso de algum morador receber preços tão baixos. Pelo contrário, ressalta, os valores são bem positivos.



Em relação às notificações, o promotor diz que é solicitado ao morador sair de sua residência somente depois que o valor é pago e que os arrendatários recebem as cartas de crédito conforme é avaliado cada caso. De acordo com Braga, a promotoria tem recebido diversas reclamações sobre as cartas de crédito negadas para alguns arrendatários.




Empresa se pronunciará nesta quarta-feira (17)



A reportagem do Correio Lageano esteve em contato com a Triunfo Rio Canoas desde as 9h30min de ontem para ouvir a versão da empresa. No primeiro contato, a assessoria informou que teria resposta no começo da tarde. Foram feitos novos contatos às 13h, às 15h, às 16h45min, às 17h. Neste último, a empresa pediu as perguntas por e-mail e prometeu as respostas até as 18h. Foram enviadas seis perguntas, mas até o horário combinado não havia respostas.



Pouco depois das 18h30min, a assessoria da Triunfo Rio Canoas enviou e-mail à redação do jornal considerando que, por se tratar de um processo complexo, que envolve muitas particularidades e informações técnicas, a melhor forma de esclarecer todas as dúvidas seria por meio de uma entrevista. A empresa ficou de entrar em contato com a redação do Correio Lageano hoje.



Fotos: Suzani Rovaris

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Lageana é morta asfixiada por ex-marido em Rio do Sul

Lageana é morta asfixiada por ex-marido em Rio do Sul
Lages/Rio do Sul, CLMais, por Patrícia Vieira, com informações da Polícia Civil de Rio do Sul



A Polícia Civil encontrou na manhã de segunda-feira (04) o corpo da mulher,  nos fundos da localidade conhecida como Vila Ipiranga, ao lado do Parque Municipal Harry Hobus, às margens de um riacho no Bairro Canoas, depois de receber denúncias da comunidade.



Efetuada a perícia oficial no local, através do IML/IGP, os Agentes de Polícia Civil foram informados que a vítima foi morta asfixiada. Identificada com Camila Souza Duarte, de 24 anos, é natural de Lages. Morava na rua Canoinhas, no Bairro Canta Galo, em Rio do Sul, há dois anos.  O crime teria acontecido por volta das 3horas da madrugada de segunda-feira.



 Um inquérito foi instaurado para investigar o autor do crime. O ex-marido, Gilberto Silva, de 37 anos, também de Lages,  foi preso preventivamente como o principal suspeito. De acordo com informações de familiares o casal já estava separado há sete meses. Inclusive Camila já havia entrado com a separação judicial. Porém eles viviam na mesma casa, com os três filhos, de 6 anos, 3 anos e um ano de idade.



O caso



A Polícia Civil, por meio da Divisão de Investigação Criminal de Rio do Sul em conjunto com a Delegacia de Polícia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), desvendou, em menos de 8horas, o homicídio qualificado com ocultação de  cadáver, de Camila Souza Duarte.


A Polícia Civil começou as investigações, coordenados pelos Delegados Almiro da Costa e Karla F. B. Miguel, na manhã de segunda-feira (04), logo após encontrarem o corpo de Camila.



Durante a investigação, foi apurada a suspeita do ex-companheiro, Gilberto Silva,  o qual Camila possuía um relacionamento conturbado. Os dois ainda moravam na mesma residência, mesmo encontrando-se separados. Aliado a isso, Camila estava se relacionado com um homem da cidade de Imbuia (SC).



A investigação apontou que Silva matou Camila, no interior da residência, asfixiando a vítima com as próprias mãos. Em seguida, colocou-a em seu carro, um Ford/Escort Hobby, e deslocou-se até os fundos do Parque Municipal Harry Hobus, onde jogou o corpo às margens do ribeirão.



Silva e outras testemunhas foram conduzidas à Divisão de Investigação Criminal (DIC) para oitiva e demais diligências. Por fim, foi cumprido o Mandado de Prisão Preventiva.




Foto:Divulgação/Ilustrativa