Lages, 21/09/2012, CLMais, por Fabiana Nonjah, com informações repassadas pela Polícia Civil de Lages e do arquivo CL
A Polícia Civil de Lages prendeu o ex-diretor do Departamento de
Recursos Humanos (DRH) da prefeitura, André Rau Ávila, acusado de
desviar R$ 820.339,32 enquanto exercia a função. Do total, R$ 232.100,81
representam soma de dinheiro público. O restante teria sido retirado do
banco Itaú, de forma ilegal, como empréstimo.
Uma Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada no ano passado pela
Câmara de Vereadores de Lages, que ficou conhecida como "CPI da Folha",
apontou Ávila como o principal articulador de um esquema que incluia não
só desvios de recursos públicos, mas também, falta de controle interno
sobre os funcionários da prefeitura, especialmente, na questão de horas
extras de trabalho e na adulteração de folhas de pagamento.
A CPI divulgou seu relatório final em 31 de outubro de 2011. O
documento, em 81 páginas, relatava o indiciamento de 16 pessoas. Ele foi
encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MP), Tribunal de
Contas do Estado (TCE-SC) e para a prefeitura de Lages.
A CPI ainda cobrou a responsabilização dos secretários municipais da
Administração, Antônio Cesar Arruda; de Finanças, Walter Manfrói; e do
prefeito Renato Nunes de Oliveira (Renatinho).
Na época foi observado que Ávila não tinha bens em seu nome. Isso
tornava impossível reaver o dinheiro desviado. Então, os vereadores
sugeriram indiciar a mulher e o enteado dele. Para a CPI, os dois seriam
beneficiados com os valores retirados da prefeitura e do empréstimo no
Itaú. A comissão chegou a afirmar que uma casa foi construída no bairro
Bom Jesus, em nome da mulher de Ávila, com dinheiro dessa natureza.
Àvila chegou a ser intimado até pela Polícia Federal (PF), mas sumiu
de Lages. Existiam indícios de que ele estaria em Itapema. Na manhã
desta sexta-feira, ele foi preso naquela cidade, preventivamente.
Inicialmente, o delegado Márcio Schultz contou que Ávila caminhava por
uma rua de Itapema quando um policial o chamou pelo nome e ele atendeu.
Ao perceber que se tratava da Polícia Civil, Ávila negou sua identidade e
alegou estar sem documentos. Em seguida, se disse injustiçado e
declarou não ser o único envolvido no esquema investigado.
O delegado explica que o mandado de prisão foi emitido pela 3ª Vara
Crime da Comarca de Lages há aproximadamente duas semanas. Schultz
acompanhou a prisão pessoalmente. Ávila será encaminhado ao Presídio
Regional de Lages.
Fotos: Adecir Morais (prisão) e
Facebook/Divulgação