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domingo, 10 de março de 2013

Lages tem 7,5 mil famílias pobres



Lages tem 7,5 mil famílias pobres
Lages, 11/03/2013, Correio Lageano, por Adecir Morais



Muitas dessas pessoas estão desempregadas e dependem da ajuda do poder público e de entidades sociais para sobreviver



Delma Crescêncio, de 38 anos, vive com o marido e quatro filhos em uma casa simples do bairro Ferrovia, um dos mais pobres de Lages, na Serra Catarinense. Com uma renda de menos de um salário mínimo, fruto do Bolsa Família e da venda de lixo reciclável, a família sobrevive com muitas dificuldades. O dinheiro mal dá para comer.



A família de Delma faz parte de uma triste estatística em Lages. Está na linha da pobreza, com renda per capta de até R$ 70. De acordo com o secretário da Assistência Social do município, Amarildo Farias, a cidade possui hoje cerca de 7.500 famílias cadastradas no Bolsa Família, para uma população de cerca de 160 mil habitantes.



Apesar de a prefeitura considerar que a cidade tem 7,5 mil famílias pobres, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta outros números. De acordo com o censo de 2010, Lages tem 461 famílias miseráveis. Os números colocam a cidade no topo do ranking dos municípios catarinenses com mais família pobres. Para o secretário Amarildo Farias, a pobreza em Lages é fruto da falta de empregos e da desigualdade na distribuição de renda. Ele assegura que a prefeitura está trabalhando para melhorar os índices.



O Bolsa Família
 


O Bolsa Família surgiu em 2003. É um programa do Governo Federal, mas é executado pelos municípios. Beneficia famílias em situação de pobreza, cujo valor destinado a cada uma varia de R$ 32,00 a 306,00, dependendo da análise da situação de cada família.



Trabalhos do Lages 100 Fome estão paralisados


Além do Bolsa Família, muitas famílias pobres de Lages dependem da ajuda de entidades sociais, como o Programa Lages 100 Fome, que atende pessoas carentes nos quatro cantos da cidade, com a distribuição do tradicional sopão e cestas básicas. O programa faz 10 anos neste mês de abril.



As atividades são realizadas em praticamente todos os bairros. O programa, contudo, está com seus trabalhos paralisados desde o final do ano passado por falta de recursos.
O secretário da Assistência Social, Amarildo Farias explica que a retomada depende de um convênio a ser firmado pelas entidades, que fazem parte do programa, com a prefeitura. Após essa regulamentação, os recursos serão liberados por meio do Fundo Municipal de Assistência Social.



“As entidades já estão cientes e a pressa é delas em apresentar a documentação, que será avaliada pelo Conselho Municipal de Assistência Social. Vamos verificar a real necessidade de cada uma antes de destinar os recursos neecssários”, alerta.



O secretário acredita que o processo de análise de documentos termina ainda este mês, habilitando as entidades para receberem os recursos para a manutenção dos projetos.
Questionado, Farias ainda não sabe os valores dos recursos a serem repassados ao programa.



20 mil pessoas atendidas


Segundo Farias, na gestão  anterior eram repassados em torno de R$ 45 mil para serem divididos entre oito entidades que fazem parte da rede de atendimento do Lages 100 Fome.


Ele aproveita para informar que a ideia do município é fazer com que o programa se torne um braço das políticas públicas de combate à miséria em Lages.
Nilso Buogo é um dos idealizadores do Lages 100 Fome. Ele explica que o foco do programa é distribuir alimentos preparados e prontos para o consumo, e reforça que a retomada das atividades depende do convênio com a prefeitura. Segundo ele, o programa deverá continuar mantendo o mesmo número de atendimentos, que nos anos anteriores chegava a aproximadamente 20 mil pessoas atendidas.



Foto: Adecir Morais