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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Lages tem cerca de 60 mil pessoas pobres

Lages tem cerca de 60 mil pessoas pobres
Lages, 22/11/2013, Correio Lageano, por Adecir Morais




Lages tem 20 mil famílias no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), que recebem assistência governamental. Destas, 7.100 fazem parte do Bolsa Família. O número representa cerca de 60 mil pessoas (38,28% da população).




Os números foram apresentados pelo secretário municipal de Assistência Social, Amarildo Farias, durante o Seminário Catarinense de Desenvolvimento Social, nesta quinta-feira (21), na Uniplac. Organizado pela Assembleia Legislativa (Alesc), o evento contou com a presença da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello, dentre outras autoridades.




Para tentar mudar este quadro, Farias afirmou que Lages está investindo um volume expressivo de recursos na área social. Só este ano, o município recebeu R$ 8,3 milhões  do Governo Federal para investimento em programas sociais.




A ministra destacou que a qualificação profissional por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), é uma das saídas para reduzir a pobreza, além de outros programas, como o Bolsa Família, que beneficia 13,8 milhões de famílias no país.




Foto:Adecir Morais

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

505 famílias precisam fazer a revisão cadastral em Lages

505 famílias precisam fazer a revisão cadastral em Lages
Lages, 13/11/2013, Correio Lageano





Termina dia 13 de dezembro o prazo para a revisão cadastral de 505 famílias de Lages, beneficiárias do Bolsa Família que estão há mais de 24 meses sem atualizar as informações no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal.




Todos que se encontram nessa situação devem procurar o setor responsável pelo Bolsa Família em seu município para informar qualquer mudança com relação aos dados pessoais e à situação familiar, como mudança de endereço, nascimento de um filho, entre outros.




Caso as informações não sejam atualizadas, o benefício dessas famílias poderão ser bloqueados a partir de janeiro de 2014. No estado, 12 mil famílias precisam fazer a Revisão Cadastral.




Segundo o coordenador geral de Revisão de Benefícios do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Roberto Pojo, “com as informações atualizadas, é possível avaliar se as famílias cumprem os pré-requisitos para o recebimento dos benefícios.” Ele acrescenta que, uma vez bloqueado, o benefício poderá ser cancelado a partir de 14 de fevereiro de 2014.




Pojo alertou que as famílias que precisam fazer a Revisão Cadastral receberam mensagens nos extratos de pagamentos e cartas de convocação sobre a necessidade de atualizar os dados.



Documentos a apresentar

Para o responsável pela família (titular do cartão Bolsa Família) – Cadastro de Pessoa Física (CPF) ou Título de Eleitor. Já os responsáveis por famílias indígenas e quilombolas podem apresentar qualquer outro documento de identificação de validade nacional.



Para as demais pessoas da família – Pelo menos um dos seguintes documentos: Certidão de Nascimento, Certidão de Casamento, Certidão Administrativa de Nascimento do Indígena (Rani), CPF, Carteira de Identidade; Carteira de Trabalho e Previdência Social ou Título de Eleitor.



Outros documentos – Além da documentação obrigatória, as famílias podem levar outros documentos que ajudem a melhorar a qualidade das informações do Cadastro, como comprovante de residência, conta de energia elétrica, comprovante de matrícula das crianças e adolescentes na escola e carteia de Trabalho e Previdência Social.



Foto: Divulgação

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Homem aliciava filha e vendia drogas para usuária do Bolsa Família


Bom Retiro, 21/05/2013, Correio Lageano




 No último sábado, policiais civis de Bom Retiro autuaram em flagrante Ademir de Jesus, 59 anos e a filha dele, Marilda Monteiro de Jesus, 18 anos, por tráfico de drogas. Além de iniciar a filha no tráfico, na carteira de Ademir foi apreendido um cartão do benefício Bolsa Família, uma Carteira de Identidade e um recibo de saque.



Os documentos estavam emitidos no nome de uma usuária de crack. Em interrogatório, Ademir admitiu ter usado o cartão da mulher, que tem três filhos pequenos, para sacar R$322,00 e continuar alimentando o vício dela na droga.



O dinheiro sacado com o cartão “Bolsa Família” (programa do governo federal para ajuda financeira a famílias de baixa renda), seria usado na compra de 30 pedras de crack. A droga seria repassada à usuária no dia seguinte.




Na casa onde pai e filha moravam, no bairro São José, em Bom Retiro, foram apreendidas mais de 80 pedras de crack. A maioria da droga estava escondida sob o colchão da cama onde Marilda dormia. Também foram apreendidos R$ 1.689,00 em espécie, dinheiro proveniente do tráfico. A abordagem foi feita em parceria com a Polícia Militar de Bom Retiro.



Depois de lavrado o flagrante, ambos foram encaminhados ao sistema prisional da cidade. As investigações estão sendo coordenadas pela delegada Raquel de Souza Freire.




Foto: Polícia Civil/Divulgação

domingo, 10 de março de 2013

Lages tem 7,5 mil famílias pobres



Lages tem 7,5 mil famílias pobres
Lages, 11/03/2013, Correio Lageano, por Adecir Morais



Muitas dessas pessoas estão desempregadas e dependem da ajuda do poder público e de entidades sociais para sobreviver



Delma Crescêncio, de 38 anos, vive com o marido e quatro filhos em uma casa simples do bairro Ferrovia, um dos mais pobres de Lages, na Serra Catarinense. Com uma renda de menos de um salário mínimo, fruto do Bolsa Família e da venda de lixo reciclável, a família sobrevive com muitas dificuldades. O dinheiro mal dá para comer.



A família de Delma faz parte de uma triste estatística em Lages. Está na linha da pobreza, com renda per capta de até R$ 70. De acordo com o secretário da Assistência Social do município, Amarildo Farias, a cidade possui hoje cerca de 7.500 famílias cadastradas no Bolsa Família, para uma população de cerca de 160 mil habitantes.



Apesar de a prefeitura considerar que a cidade tem 7,5 mil famílias pobres, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta outros números. De acordo com o censo de 2010, Lages tem 461 famílias miseráveis. Os números colocam a cidade no topo do ranking dos municípios catarinenses com mais família pobres. Para o secretário Amarildo Farias, a pobreza em Lages é fruto da falta de empregos e da desigualdade na distribuição de renda. Ele assegura que a prefeitura está trabalhando para melhorar os índices.



O Bolsa Família
 


O Bolsa Família surgiu em 2003. É um programa do Governo Federal, mas é executado pelos municípios. Beneficia famílias em situação de pobreza, cujo valor destinado a cada uma varia de R$ 32,00 a 306,00, dependendo da análise da situação de cada família.



Trabalhos do Lages 100 Fome estão paralisados


Além do Bolsa Família, muitas famílias pobres de Lages dependem da ajuda de entidades sociais, como o Programa Lages 100 Fome, que atende pessoas carentes nos quatro cantos da cidade, com a distribuição do tradicional sopão e cestas básicas. O programa faz 10 anos neste mês de abril.



As atividades são realizadas em praticamente todos os bairros. O programa, contudo, está com seus trabalhos paralisados desde o final do ano passado por falta de recursos.
O secretário da Assistência Social, Amarildo Farias explica que a retomada depende de um convênio a ser firmado pelas entidades, que fazem parte do programa, com a prefeitura. Após essa regulamentação, os recursos serão liberados por meio do Fundo Municipal de Assistência Social.



“As entidades já estão cientes e a pressa é delas em apresentar a documentação, que será avaliada pelo Conselho Municipal de Assistência Social. Vamos verificar a real necessidade de cada uma antes de destinar os recursos neecssários”, alerta.



O secretário acredita que o processo de análise de documentos termina ainda este mês, habilitando as entidades para receberem os recursos para a manutenção dos projetos.
Questionado, Farias ainda não sabe os valores dos recursos a serem repassados ao programa.



20 mil pessoas atendidas


Segundo Farias, na gestão  anterior eram repassados em torno de R$ 45 mil para serem divididos entre oito entidades que fazem parte da rede de atendimento do Lages 100 Fome.


Ele aproveita para informar que a ideia do município é fazer com que o programa se torne um braço das políticas públicas de combate à miséria em Lages.
Nilso Buogo é um dos idealizadores do Lages 100 Fome. Ele explica que o foco do programa é distribuir alimentos preparados e prontos para o consumo, e reforça que a retomada das atividades depende do convênio com a prefeitura. Segundo ele, o programa deverá continuar mantendo o mesmo número de atendimentos, que nos anos anteriores chegava a aproximadamente 20 mil pessoas atendidas.



Foto: Adecir Morais

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tarifa Social de energia elétrica é subutilizada

Tarifa Social de energia elétrica é subutilizada
Lages, 03/10/2012,Correio Lageano



Apenas 37% das famílias que têm direito ao benefício fazem uso dele.



A tarifa social da energia elétrica, que pode render até 65% de desconto para famílias de baixa renda, está disponível para mais de 15 mil famílias em Lages, mas somente 5.768 fazem uso.
Para ter acesso a este desconto, o cidadão deve estar registrado no Cadastro Único e a família não pode receber mais que meio salário mínimo per capta. Quem possui um idoso ou deficiente em casa que receba o benefício de prestação continuada também tem direito à tarifa social.



Segundo portaria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), famílias indígenas com consumo abaixo de 50Kwh conseguem até 100% de desconto.Para fazer um comparativo, 30 Kwh mensais é o consumo somado de uma geladeira e 4 horas diárias de televisão.



Não é problema para Luiz Carlos de Oliveira. O catador, que mora no bairro Habitação, tem somente uma geladeira, um forno e chuveiro. Não tem energia elétrica constante há dois anos, quando usava apenas ‘vela de sebo’ para a iluminação a noite.



No lugar onde seu relógio de luz ficava, há apenas dois fios cortados. “Não dava conta de pagar, sempre dava uns 100, 200 reais”, diz Luiz. Na sua casa moram oito pessoas e, além do dinheiro que ganha com a reciclagem, a renda é complementada por R$ 216 de Bolsa Família e a venda de grampos de sua mulher. “Dá uns 400 reais”.



Ele tem direito à tarifa social da Celesc, mas desconhecia o benefício. Sua energia vai ser religada em breve, garante, e espera cerca de R$ 35 mensais de conta de luz. Informado que sua conta poderia cair mais da metade, ele diz que vai procurar a empresa para conseguir o benefício. “Tem mês que não dá de pagar a luz”.Segundo a Celesc, a divulgação da tarifa social é feita periodicamente via fatura, e a fiscalização é realizada através da Aneel.



15.712  famílias lageanas têm direito à tarifa social

Apenas 5.768 fazem uso dela




O que Luiz precisa fazer para conseguir a tarifa social?

Luiz Carlos Oliveira precisa levar seus documentos para um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) ou procurar a Celesc
  • Documentos necessários
  • Número de Inscrição Social (NIS) ou número do benefício social que recebe (no caso de Luiz, o Bolsa Família)
  • Documento de identidade com foto
  • CPF




Foto :Thomas Michel

sábado, 29 de setembro de 2012

Programa Bolsa Família atende mais de 11 mil pessoas em Lages

Programa Bolsa Família atende mais de 11 mil pessoas em Lages
Lages, 29 e 30/09/2012, Correio Lageano, por Susana Küster



Avaliando que uma pessoa por família recebe o benefício do programa e que Lages possui 156 mil habitantes, em torno de 7% dos habitantes são beneficiados, com um valor que pode chegar até R$ 306,00



Atualmente, o Programa Bolsa Família atende em Lages mais de 11 mil famílias. De acordo com dados do último Censo do IBGE, realizado em 2010, a população da cidade é de 156 mil. Considerando que uma pessoa por família recebe o programa, em torno de 7% dos habitantes de Lages são beneficiários do Bolsa Família.



O Programa Bolsa Família surgiu em 2003 em todo o país com a unificação do Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Auxílio Gás e Cartão Alimentação. Ele beneficia famílias em situação de pobreza (com renda mensal por pessoa de R$ 70 a R$ 140,00) e extrema pobreza (com renda mensal por pessoa de até R$ 70,00).



O valor que as famílias recebem pode variar de R$ 32,00 a R$ 306,00, dependendo da análise da renda feita pelo Governo Federal através das informações que as famílias declaram quando fazem o Cadastro Único. De acordo com a assistente social e coordenadora da central de cadastro único, Any Pellizzaro Pereira, as famílias recebem o benefício se assumirem alguns compromissos.



O beneficiário do programa precisa manter os filhos na escola, além disso, o calendário vacinal e as consultas periódicas têm de estar em dia. “Caso haja descumprimento dos compromissos, como as faltas na escola, pode levar ao bloqueio e até a suspensão do benefício”, explica.



Ela afirma que é através do cadastro único realizado para se inscrever no Bolsa Família, que o Governo Federal fica sabendo quem são, onde estão e quais são as necessidades das famílias mais vulneráveis. “O Bolsa Família é considerado um dos principais programas de combate a pobreza do mundo, pois amplia sobretudo o acesso a educação e promove inclusão social”, salienta.



As famílias beneficiárias do Bolsa Família também são atendidas por outros programas e políticas sociais do governo federal como: tarifa social de energia elétrica; cartão do idoso; cursos de alfabetização, de educação de jovens e adultos, e de qualificação profissional; entre outros.



Any diz que o programa não vai erradicar a pobreza. “Mas se o benefício chegar até as pessoas que necessitam dele, juntamente com a articulação de políticas públicas, pode contribuir bastante para a diminuição da pobreza”, finaliza.



Ausência do benefício faz falta


A copeira Elisangela Aparecida Galvani, 35 anos, recebeu por três anos o auxílio financeiro do Bolsa Família. Porém, o benefício foi cortado porque sua renda mensal por pessoa, extrapolou o limite R$ 140,00. Ela mora com os três filhos e o pai que se aposentou recentemente. “Ganho um salário mínimo e meu pai também. Faz muita falta o bolsa, com ele pagava gás ou a luz ou comprava alimento”. Atualmente, ela está de licença médica por problemas de saúde e tem gastado com medicamentos. “Iria me ajudar muito se continuasse ganhando”.




Elevação da renda diminui desigualdade no país


A redução da desigualdade foi resultado da elevação da renda, sobretudo do trabalho (responsável por 58%), da Previdência (19%), do Programa Bolsa Família (13%), do Benefício de Prestação Continuada (4%) e outras (6%). “Ou seja, há muitos programas sociais, aposentadoria e pensões, mas o principal motor desta subida na vida e saída da pobreza no Brasil foi a renda do trabalho, embora esses programas sejam importantes”, avalia o presidente do Instituto de Pesquisa Economica Aplicada (Ipea), Marcelo Néri.



A pesquisa também mostrou que a renda subiu mais para os analfabetos (88,6%) do que para aqueles que têm mais de 12 anos de estudo (queda de 11,1%). Segundo Neri, isso é reflexo de um “apagão de mão de obra” não qualificada. Ou seja, como a escolaridade do brasileiro melhorou, menos gente quer fazer trabalhos não qualificados.



Segundo os dados da Pnad, os 10% mais pobres tiveram aumento real de renda (91,2%), maior que os 10% mais ricos (16,6%). Do mesmo modo, cresceu mais no Nordeste (72,8%) que no Sudeste (45,8%) e teve elevação maior nas zonas rurais pobres (85,5%) que nas cidades (57,5%).



Néri afirma que os números mostram que a melhoria das condições sociais devem continuar na década atual. A partir da Pesquisa Mensal do Emprego (PME), do IBGE, os pesquisadores do Ipea demonstram que a renda média do brasileiro continua crescendo (5,7% entre junho do ano passado e de 2012.)No mesmo período, o Índice Gini caiu 3,2% e a pobreza nas metrópoles foi reduzida em 11,1%. Fonte: MDS



Pobreza no Brasil cai 55% em 10 anos


Pesquisa mostra que as linhas de pobreza e extrema pobreza reduziram 55% em 10 anos



O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fez um estudo sobre a pobreza no Brasil, que mostrou redução na desigualdade. Levantamento afirma que o Programa Bolsa Família é importante para a melhoria das condições de vida dos brasileiros mais pobres.



Em uma década, as linhas de pobreza e extrema pobreza no Brasil reduziram mais de 55%. “Ou seja, a gente cumpriu a meta do milênio, que era fazer isso em 25 anos”, afirma o presidente do Ipea, Marcelo Néri. Ele apresentou o relatório “A Década Inclusiva (2001-2011): Desigualdade, Pobreza e Políticas de Renda”, feito a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2011 (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



Segundo o relatório, durante a última década, o Brasil reduziu a desigualdade social, fato que não ocorria de forma contínua e não chegava a índices tão baixos desde 1960, quando a série histórica começou a ser construída. “Este é o menor nível de desigualdade da história documentada, embora o Brasil ainda seja desigual”, enfatiza Néri.



O Índice Gini, que mede a desigualdade, chegou a 0,527 em 2011, quanto mais próximo de 0, menos desigual é um país. Em 2001, o Índice Gini do país era 0,61 e, em 1960, era 0,535.
 O presidente do Ipea, destaca a importância das políticas públicas brasileiras para este bom desempenho. Ele lembra que, quando houve a crise dos alimentos em 2007, os preços subiram e o governo federal reajustou o valor do benefício do Bolsa Família, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS),  para garantir a alimentação.



Outro exemplo importante citado por ele foi a ação Brasil Carinhoso, lançada em maio, que já está sendo paga e vem reduzindo ainda mais a extrema pobreza. Ele ressalta a efetividade do Bolsa Família para a redução da desigualdade, com custo menor para o Estado que outras transferências. “Cada Real que você gasta com o Bolsa Família reduz a desigualdade 350% mais que cada Real que você gasta com Previdência”.



A avaliação do Ipea é que se todos os recursos gastos com a Previdência Social na década fossem para o programa, a desigualdade teria caído 129%.



O que você acha do Programa Bolsa Família?


James Duarte, estudante "Sou a favor de selecionar somente as pessoas mais carentes para receber o programa”.


Liliane Madruga Santos, dona de casa " Recebo o bolsa e ajuda muito. Compro até remédio com o dinheiro”.


Omariano Vargas, aposentado " Não está fácil arrumar emprego, acho bom ter esse programa”.


Valdir Luiz Venturi, aposentado "Acho bom o programa, ajuda os mais necessitados”.


Vanessa Pires dos Santos, dona de casa "Acho bom o programa, mas o valor poderia ser maior”.


Odair José, autônomo "Lá em casa recebemos o bolsa e ajuda bastante”.




Fotos: Susana Küster

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Estado pretende erradicar a miséria

Estado pretende erradicar a miséria
Serra Catarinense, 06/07/2012,Correio Lageano




Plano Brasil Sem Miséria chega a Santa Catarina. Objetivo é melhorar a qualidade de vida de mais de 20 mil famílias



Santa Catarina é o 15º estado e o segundo do Sul do país a aderir ao Plano Brasil sem Miséria, do Governo Federal, e a efetuar o complemento dos repasses do Bolsa Família com o programa Santa Renda. O Governo do Estado vai investir R$ 328 milhões para retirar milhares de famílias catarinenses da extrema pobreza.



O objetivo desses programas é a transferência de renda, a inclusão produtiva e a ampliação dos serviços públicos de assistência social oferecidos à população, o resgate da cidadania, a recuperação dos laços comunitários e a elevação da renda das famílias beneficiárias para que superem a linha da extrema miséria. O lançamento do programa foi nesta quinta-feira(05), durante a visita da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello, ao Estado.



A Secretaria de Estado da Assistência Social, Trabalho e Habitação (SST) irá executar os investimentos em programas sociais que integram o Plano Santa Catarina sem Miséria. O governo catarinense vai garantir que os benefícios recebidos cheguem a R$ 70 mensais por pessoa para 28.204 famílias ou 115.636 catarinenses considerados em situação de extrema miséria. Outros programas estão previstos para serem implantados.



Alguns com co-participação do Estado e outros com recursos federais. Em todos os programas, busca-se a ampliação dos investimentos aplicados. Dentre os programas do Plano Santa Catarina sem Miséria, estão a transferência de renda (Santa Renda), a construção de equipamentos de assistência social – CRAS/Creas/Centros Dia para Idosos, Programa de Economia Solidária, Construção de cisternas, Programa de aquisição de alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec Social Santa Catarina).



Pesquisa revela perfil da assistência social na Serra Catarinense


Na Serra Catarinense, a necessidade de investimento nesta área é comprovada pelo diagnóstico social realizado dos municípios. Foram semanas de pesquisas, cruzamentos de dados e checagem de informações. O estudo foi coordenado pelo assessor da Assistência Social da Amures, Lauro Francisco dos Santos.



A proposta da pesquisa foi discutir a importância dos indicadores sociais no processo de gestão. Pelo que apurou Lauro dos Santos, nos 18 municípios da Serra Catarinense estão inscritas no cadastro único do governo federal 31.939 famílias cuja renda global mensal é inferior a três salários mínimos. Quer dizer, somando a renda de todos os membros da família, não ultrapassa o limite de R$ 1.866,00.



O agravante nesse diagnóstico é que, do total de famílias do cadastro único, 22.163 tem renda per capita mensal de até R$ 140,00. Logo, estão aptas a estarem inscritas no Programa Bolsa Família. Mas, estão efetivamente inscritas apenas 14.245 famílias. O que significa dizer que 35,72% das famílias pobres da região estão desassistidas pelo programa. São 7.918 famílias à margem do maior programa social federal.



Para ter direito ao benefício, é preciso ter o cartão de vacinas dos filhos de até 7 anos em dia. Para mulheres na faixa de 14 aos 44 anos é obrigatório, no caso de gestantes ou nutrizes (lactantes), realizar o pré-natal e o acompanhamento da sua saúde e do bebê.



Lauro dos Santos aponta também, que na educação, todas as crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos devem estar matriculados e com frequência escolar mensal mínima de 85% da carga horária. Para os estudantes entre 16 e 17 anos, a frequência mínima é de 75%. Ele aponta, ainda, que na assistência social, as crianças e adolescentes com até 15 anos em risco ou retiradas do trabalho infantil devem participar dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos do Peti com frequência mínima de 85% da carga horária mensal.




Quatro tipos de benefícios sociais são oferecidos




Pelo que levantou Lauro dos Santos, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome trabalha com quatro tipos de benefícios sociais. O básico, concedido apenas às famílias extremamente pobres, com renda per capita igual de até R$ 70,00. O benefício variável com valor de R$ 32,00 concedido às famílias com crianças de zero a 15 anos, gestantes ou nutrizes, limitado a cinco benefícios por família.



Tem ainda, o benefício variável vinculado ao adolescente com valor de R$ 38,00 concedidos pela existência na família de jovens entre 16 e 17 anos, limitado a dois jovens por família e, por último, o benefício variável de caráter extraordinário com valor calculado caso a caso.
Para realizar a pesquisa, Lauro dos Santos empregou recursos metodológicos de coleta de informações e análise documental. “Os indicadores sociais são imprescindíveis para monitoramento da realidade social para fins de formulação e reformulação de políticas públicas”, argumenta.



A pesquisa de campo se focou no planejamento, implementação, execução, avaliação dos programas, projetos e no serviço social em curso nos municípios. Só assim, segundo Lauro dos Santos, será possível determinar onde se situa a região, aonde se quer chegar e de que forma seguir no enfrentamento às questões sociais.



Deficientes e idosos também são assistidos


Mais de 3 mil pessoas recebem Benefício de Prestação Continuada



O Benefício de Prestação Continuada pago às pessoas idosas ou portadoras de deficiências também foi pesquisado por Lauro dos Santos. E o resultado foi a identificação de 3.769 pessoas cadastras em toda a Serra Catarinense. Este tipo de benefício, segundo o assistente social, integra a proteção social básica, no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (Suas). “Para ter acesso a esse benefício, independe de a pessoa ter contribuído com a Previdência Social. É um benefício individual, não vitalício e intransferível e corresponde ao valor um salário mínimo”, diz Lauro dos Santos.



Na Serra Catarinense, 2.470 pessoas portadoras de deficiência estão cadastradas no Benefício de Prestação Continuada e 1.299 são idosas. No caso dos deficientes, segundo Lauro dos Santos, em qualquer idade, com impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, podem ser alcançados pelo benefício.



“Basta em ambos os casos comprovar não possuir meios de garantir o próprio sustento, nem tê-lo provido por sua família. A renda mensal familiar per capita deve ser inferior a um quarto do salário mínimo vigente”, observa o assistente social. No Brasil são 3,6 milhões beneficiários do Benefício de Prestação Continuada, sendo que 1,9 milhão são pessoas com deficiência e 1,7 idosos.




Região concentra maior número de famílias do Bolsa Família em SC




Com 14.245 famílias abrigadas pelo Bolsa Família, a Serra Catarinense possui 10,21% do total de famílias com indicativo de pobreza de Santa Catarina. Até abril passado 139.509 famílias viviam basicamente do Bolsa Família. Ao estabelecer um paralelo com a abrangência do Bolsa Família em todo Estado, Lauro dos Santos aponta estar na Serra o maior percentual de famílias dependentes dos programas federais.



Até dois meses atrás, a estimativa de famílias pobres em Santa Catarina era de 171.434. Enquanto que na Serra Catarinense os números indicavam a existência de 16.259 famílias, equivalente a 9,48% do total dos catarinenses nesta condição. O que observa o assistente social é que as famílias inscritas no Cadastro Único, não necessariamente sejam famílias assistidas pelos programas federais.



“Estão inscritas no Cadastro Único as famílias com renda de até três salários. E em Santa Catarina são 393.217. Aqui na Serra Catarinense existem 31.939 famílias vinculadas ao Cadastro Único. Comparado à demanda estadual somos 8,12% dos catarinenses nesta condição”, descreve o assistente social.



Na pesquisa de campo foi detectado ainda que em Santa Catarina existem 234.161 famílias com renda per capita de até R$ 140,00. Ao passo que na Serra Catarinense nesta condição estão 22.163 famílias que representam no universo catarinense 9,46% das famílias.




Quase oito mil famílias fora do programa




O maior programa de inclusão social do governo federal ainda não chegou para 7.918 famílias da Serra Catarinense. Eles fazem parte de um universo de 94.625 catarinenses excluídos do Bolsa Família e que estão na fila de espera.  Por motivos diversos, que vão do cumprimento de normas para receber o benefício até por falhas do sistema, estas famílias estão de “pires na mão” e o Bolsa pode ser a única renda digna para sua sobrevivência.



O número de famílias serranas cadastradas no Bolsa e que esperam pelo “cartão de crédito” que indica a existência de dinheiro na conta todo mês é grande. Eles representam 8,36% do total das famílias catarineneses nesta condição.  Mas há um número menos desolador. Lauro dos Santos detectou no Programa de Benefício de Prestação Continuada, que 2.470 pessoas portadoras de algum tipo de deficiência estão amparados na Serra Catarinense.



Já o número de pessoas idosas que recebem o benefício federal na região é 1.299 pessoas. O que destaca Lauro dos Santos é que também nos casos do benefício de prestação continuada existem pessoas fora do programa e a recomendação é que procurem o Cras para se cadastrar.



Diagnóstico em municípios é necessário para levantar prioridades e soluções



Levantar os problemas sociais da Serra Catarinense demandou semanas de pesquisas do assistente social Lauro dos Santos. Mas para ele, identificar os pontos “críticos” não foi o bastante. Lauro também se preocupou em propor soluções, e dentre elas está a contratação de equipe técnica através de concurso público para atender as demandas.



“O co-financiamento do Estado para a política de assistência social, recursos para construção de casa populares e implantação de um sistema informatizado de monitoramento e avaliação na Secretaria de Estado da Assistência Social também são fundamentais”, aponta Lauro dos Santos.



Como política de governo ele cita ainda, a implantação do Banco de Alimentos a nível regional, assim como o co-financiamento do Estado para o pagamento dos benefícios eventuais a todos os municípios. As limitações financeiras das prefeituras para resolver os problemas sociais também são indicações de que o governo estadual e federal tem de priorizar mais as ações nos municípios, que é onde as coisas acontecem.



Por isso, Lauro dos Santos diz necessário elaborar diagnóstico social de todos os municípios para levantar as prioridades. Ele reitera, ainda, que ter profissionais capacitados para gerenciar o Cadastro Único e o Programa Bolsa Família é fundamental.




Questões no enfrentamento à pobreza



  • Construção de Centro de Referência de Assistência Social – CRAS em cada município.
  •  Equipe Técnica para trabalhar nos CRAS através de concurso público.
  •  Capacitação técnica continuada.
  • Co-financiamento do Estado para manutenção dos Programas de Assistência Social executadas nos CRAS.
  • Meio de transporte para equipe do CRAS realizar a busca ativa e o atendimento às famílias ou pessoas impossibilitadas de chegar aos Programas de Assistência Social.
  • Levar para os Centros de Referência de Assistência Social o Programa de Inclusão Produtiva como forma de qualificar a população usuária da assistência social
  • Equipar os CRAS para que sejam importantes ferramentas para tirar as famílias da condição de pobreza e pobreza absoluta.




Famílias vivem basicamente do Bolsa




Desempregada há mais de um ano, Daiane Carvalho do Nascimento, 29 anos, moradora do bairro Passo Fundo, vive basicamente com os R$ 102,00 que recebe de benefícios sociais do governo federal. Além dos R$ 70,00 do Bolsa Família, ganha mais uma complementação de R$ 32,00 por estar desempregada. “Não me vejo sem este dinheiro. Compro roupa, comida e calçado para meu filho. Até material escolar da creche comprei com o Bolsa. Para mim este aqui não é um auxílio, mas o meio para sustentar eu e meu filho”, afirma Daiane do Nascimento. Ela começou a receber o Bolsa em janeiro do ano passado. E não descuida com o filho para não correr o risco de ficar sem o benefício.



Todo mês Daiane do Nascimento leva o filho para pesar, medir e fazer avaliação médica no posto de saúde. “Faço com o maior gosto. E uma vez por ano faço a renovação do cadastro. Bom seria se aumentasse um pouquinho o valor do Bolsa”.



Para Viviane Carolina Vieira, 26 anos, mãe de quatro crianças, também moradora do bairro Passo Fundo, o Bolsa significa roupa e comida garantidos. Ela recebe R$ 198,00 por mês e se orgulha ao mostrar o cartão magnético do programa federal. Ela revela que dos filhos gêmeos recebia o equivalente a um benefício. Reivindicou o passou a receber um para cada filho. “Fácil não é, mas tenho que me virar com este dinheiro”, diz. Separada, Lidiane ganha também uma ajuda do ex-marido e está desempregada há mais de um ano.



Viúva há poucos meses, Márcia Rodrigues também tem no Bolsa Família a fonte de sobrevivência. Como não era casada legalmente ficou apenas com a herança de um filho do ex-marido. E tem sido do programa social federal que consegue comprar alimentos e roupas. Conta também com a ajuda de vizinhos que dividem o pouco que ganham numa das comunidades mais pobres de Lages.



Serra precisa de tratamento diferenciado



Conhecedor da realidade social da Serra Catarinense, o presidente da Amures, prefeito de Ponte Alta, Luiz Paulo Farias, defende um tratamento diferenciado para os municípios serranos. Para ele, a região tem créditos com o Governo do Estado, por ter financiado por muitos anos no passado, o desenvolvimento de outros municípios catarinenses.



O empobrecimento da região entrará, inclusive, na pauta da reunião dos prefeitos na próxima semana, em Capão Alto. Eles discutirão como acessar aos recursos do Programa Nacional de Habitação Rural - Minha Casa Minha Vida, que prevê atender prioritariamente famílias pobres residentes no interior. “Um dos diretores da Gerência de Desenvolvimento Urbano-Engenharia, da Caixa Econômica, o Estivalet Teixeira, participará da reunião para nos orientar como acessar os recursos a fundo perdido”, antecipou o prefeito.



Para o presidente da Amures, programas de fomento às agroindústrias familiares poderiam a ajudar a reverter o quadro de pobreza da Serra Catarinense. “Ainda não conseguimos estancar a sangria do êxodo rural. As prefeituras não tem fôlego para bancar sozinhas com este custo. Os governos estadual e federal precisam nos apoiar no enfrentamento da situação, com estradas e infraestrutura diversa”, defende Paulinho.



O que está claro para o presidente da associação dos municípios é que, se existem mais de 16 mil famílias em situação de pobreza na Serra Catarinense, é porque predominantemente deixaram o interior. E se deixaram o interior foi por falta de condições dignas de sobrevivência. Por isso determinou como prioridade na Amures, projetos que assegurem a permanência do homem no campo, com renda e condições de para exercerem a atividade rural.



Outra ação defendida pelo prefeito Luiz Paulo Farias é a qualificação do trabalhador rural e a educação no campo. Através do Fórum dos Secretários de Educação da Serra Catarinense, tem se construído soluções para que as famílias não deixem o interior em busca de estudo para os filhos. Além do transporte escolar de qualidade, os prefeitos têm investido na infraestrutura das escolas como medida preventiva a problemas sociais futuros.



Foto: Onéris Lopes