Lages, 21 e 22/07/2012, Correio Lageano, por Susana Küster
A falta de um
segurança nas
lotéricas deixa a população exposta a
assaltos. Neste ano, três já ocorreram em unidades de Lages
Desde 2009, a lei estadual 14.737, estabelece a obrigatoriedade de serviço de
segurança nas casas
lotéricas e agências dos Correio. Mas, na prática, nenhuma lotérica possui
segurança, pois afirmam ser inviável. Enquanto a lei não é cumprida, os
assaltos continuam ocorrendo.
No ano passado, três
assaltos foram registrados pela Polícia Civil. Em apenas sete meses, a mesma quantidade foi registrada neste ano.
De acordo com a delegada regional da Polícia Civil, Luciana Rodermel,
várias ações por parte dos proprietários e funcionários de casas
lotéricas podem inibir a intenção de delinquentes.
A permanência de
seguranças privados, tal como ocorre em agências bancárias e conforme previsão legal é a primeira das ações.
A delegada elenca outras ações como: a disposição de obstáculos na
entrada no local, tipo biombos e separadores de filas; não colocar os
caixas próximos à porta de entrada; colocar câmeras de filmagem e
gravação em pontos estratégicos e que possibilitem a identificação de
pessoas; a permanência ininterrupta de no mínimo três funcionários na
agência; e a instalação de sistemas de alarme que possam ser acionados
durante uma ação criminosa.
“É preciso ter consciência de que a Polícia Militar não tem efetivo
suficiente para monitorar toda a cidade e todo o tempo para isso. Os
crimes acontecem e, após sua ocorrência, é que a Polícia Civil é
acionada para investigar a autoria do delito”, afirma a delegada.
Ela ressalta que, por isso, é imprescindível que os proprietários e
funcionários de estabelecimentos também providenciem artifícios capazes
de diminuir a facilidade da operação dos criminosos em
assaltos. Na
enquete realizada pelo
Correio Lageano, todas as pessoas entrevistadas, afirmaram que não se sentem seguras em
lotéricas.
A maioria delas sugeriu um
segurança armado para inibir
assaltos às agências
lotéricas.
O vigilante Francisco de Assis Correa, comenta que as
lotéricas
estão muito expostas. “Elas precisam de um vigilante. Não adianta
colocar alarme, tem que ter um vigilante armado dentro, que inibe muito a
ação criminosa”, afirma. Ele acredita que a falta de
segurança, faz os
assaltos continuarem nas
lotéricas.
Cartilha de segurança foi feita no Paraná
Depois de anos de pesquisa, uma cartilha de
segurança em
lotéricas foi criada no Paraná. Ela traz sugestões e dicas, como pequenos cuidados diários e estratégias para inibir
assaltos.
Com o slogan, “Quem não previne o crime, colabora com ele”, a cartilha é bem didática e ilustrativa.
Em sua introdução, há um trecho explicando que o descaso, a indiferença
ou o simples comodismo de algumas pessoas, em qualquer atividade dentro
da comunidade, criam condições para que delinquentes, amadores ou
“profissionais”, possam atuar na criminalidade com razoável chance de
sucesso.
Em Santa Catarina, não há cartilha. Mas, de acordo com o gerente geral
da agência da Caixa em Lages, José Dercilio de Bittencourt, várias
reuniões são feitas por ano com os agentes lotéricos no intuito de
orientar ações de
segurança.
Além disso, ele conta que a Caixa, incentiva medidas de
segurança.
“Nós damos incentivo financeiro para que os agentes lotéricos contratem
carro forte para fazer o transporte de valores”, comenta. Além deste
incentivo, há uma ajuda de custo para equipamentos de
segurança, como alarme e câmeras de videomonitoramento.
Ele ressalta que a
segurança é responsabilidade do empresário lotérico. “Temos linha de financiamento para blindagem, porta giratória e outras artifícios de
segurança”, completa.
O gerente frisa que o índice de criminalidade em
lotéricas é bem menor do que no comércio. “Nos mercados e lojas há bem mais crimes do que nas
lotéricas”, salienta. Apesar de existir lei estadual, ele explica que a Caixa não obriga nenhuma lotérica ter
segurança armado ou usar equipamento de
segurança. “Nós orientamos, mas a responsabilidade é do empresário”, finaliza.
Empresário afirma que vigilante é inviável
Empresário de três
lotéricas,
Jorge Barbosa, trabalha há 25 anos como lotérico. Neste tempo, ele já
sofreu dois arrombamentos e uma tentativa de assalto. Antes mesmo de
sofrer os crimes, ele já usava mecanismos de
segurança. Suas
lotéricas
possuem câmaras de videomonitoramento 24 horas, acesso restrito na
lotérica, cofre boca-de-lobo, e o transporte de valores somente é feito
por carro forte.
Ele diz que não pretende colocar porta giratória, porque isso constrange as pessoas e seria preciso um
segurança para controlar a entrada. “Fica inviável ter um
segurança, a comissão já é pequena, trabalhamos para a Caixa, o dinheiro é deles”, comenta.O empresário conta que reza todos os dias pela
segurança de suas
lotéricas. “Qualquer assalto ou arrombamento já dá muito prejuízo”, diz.
Polícia dá várias dicas
O tenente Álvaro Josué Moraes Paes, da Polícia Militar de Lages, dá dicas de
segurança, aos usuários das
lotéricas e a seus empresários:
* O fácil acesso das
lotéricas e a movimentação de dinheiro, atrai os criminosos. Por isso, é importante a instalação de porta giratória;
* As pessoas que trabalham nestes locais, devem estar sempre atentas.
Não se deve deixar o dinheiro muito exposto e não encher de propaganda a
fachada do local, comprometendo a vigilância natural;
* É importante ter câmaras de vigilância dentro e fora do
estabelecimento, com uma boa imagem, para a polícia poder visualizar a
rota de fuga dos criminosos;
* Não colocar os caixas próximos das portas.
Ele ressalta as atitudes que as pessoas devem ter caso estejam em um assalto:
* Nunca se deve reagir, qualquer bem material não vale mais do que a tua vida;
* É preciso manter a calma, não fazer movimentos bruscos e obedecer o
criminoso. Muitos deles estão sob efeito de entorpecentes na hora do
crime, e não pensam duas vezes antes de atirar;
* Aliado a tudo, as pessoas devem prestar atenção nas características
do criminoso para ajudar a polícia na busca pelo assaltante. Cores e
estilo da roupa, ajudam a localizar o criminoso.
Você se sente seguro nas lotéricas?
Iolita Souza, aposentada. Não temos
segurança em nenhum lugar. Só Deus para dar
segurança hoje em dia”.
Sandra Soares, vendedora
" Acho melhor ter um
segurança na porta para cuidar de quem entra e sai. É muita circulação de dinheiro”.
Patrícia Tavares,
vendedora
"Não me sinto segura, teria que ter um
segurança”
Hélio Tadeu Pereira Alves,
autonômo
"Não me sinto seguro em nenhum lugar aqui em Lages”.
Sérgio Tadeu Wolff,
segurança
"Teria que ter um guarda com experiência para dar
segurança para as pessoas”.
Margarete Mazzaro Amaral, autonôma
" Deveria ser mais segura, ficamos muito expostos, principalmente os idosos”.
Fotos: Susana Küster