Lages, 15/05/2013, Correio Lageano, por Joana Costa
Comerciantes reclamam do aumento do valor dos espaços. Empresa explica que reajuste decorre da diminuição de pontos
Há sete anos, o comerciante lageano Deivisson Vitória aproveita a Festa do Pinhão para garantir uma renda extra vendendo bebidas dentro do Parque Conta Dinheiro. No entanto, este ano, ainda não decidiu se vai instalar o seu bar dentro do parque em função do alto valor cobrado pelo aluguel. Segundo ele, o valor por todas as despesas do ponto em 2012 foi de R$ 4,5 mil. Mas nesta edição a empresa responsável pela locação está cobrando R$ 8 mil pelo mesmo local.
Segundo Deivisson Vitória, em 2011 o valor investido para o bar, incluindo aluguel, montagem do estande e impostos foi R$ 3,5 mil. Em 2012, o valor subiu para R$ 4,5 mil, sendo R$ 1,5 mil com o aluguel e R$ 3 mil com montagem do estande e impostos.
Em 2013 o valor apenas com o aluguel da mesma área, medindo nove metros quadrados, é de R$ 8 mil. Para ele, com o alto preço, a tendência é que isso seja repassado aos consumidores dentro da festa. “Se eu não pegar o ponto, outra pessoa de fora virá para ganhar dinheiro e vai repassar ao consumidor”, afirma.
O Correio Lageano conversou com outra empresa de Lages, especializada em venda de alimentos, que costuma montar estande no parque. A proprietária optou por não se identificar, mas compartilha da mesma reclamação de Deivisson Vitório. Em 2012, a emprega pagou R$ 8,5 mil pela locação, já com o estande montado. Este ano o valor cobrado é de R$ 11.870, sem a estrutura.
De acordo com ela, a justificativa dada pela empresa Sur-Loc para o aumento de preços é o fato de que este ano foi aumentado o valor da licitação pago à prefeitura pelo direito de explorar as locações. Por isso, o valor deve ser repassado aos empresários. “Eles até foram legais com a gente, mas pagaram muito para vender os espaços e agora têm que cobrar da gente”, declarou.
A empresa Sur-Loc, de São Paulo, foi a vencedora da licitação, oferecendo o valor de R$ 300 mil à prefeitura de Lages para ter o direito de comercializar os estandes dentro do Parque Conta Dinheiro. Ano passado, quem ficou responsável por este trabalho foi a empresa Art Grupo Ltda Me, que pagou R$ 234.999,90, conforme dados do Tribunal de Contas.
Empresa justifica o aumento dos aluguéis
A Sur-Loc justifica o aumento pela diminuição da quantidade de pontos para locação. “Estão sendo comercializados 55 espaços. No ano passado eram 105”, explica o representante da empresa Luciano Serpa.
Dois fatores foram considerados para justificar os preços. “Um deles é o valor pago à prefeitura, que esse ano subiu em relação ao ano passado e o segundo é o número de bares e restaurantes que vão operar”, acrescenta.
Serpa não sabe informar, precisamente, qual foi o acréscimo. “Varia de um lugar para o outro de acordo com a localização, tamanho do espaço, tipo do negócio. Então, é difícil calcular isso”, esclarece.
Também representando a Sur-loc, Carlos Krauss informa que a empresa avaliou o parque antes de definir preços. “Tem algumas diferenças de um e outro ponto”, disse. O menor aluguel cobrado é de R$ 4,5 mil, com 25 metros quadrados, na saída do parque. O ponto mais caro custa R$ 35 mil, com 100 metros quadrados na rua principal.
Em 2012 os impostos cobrados pela Receita Federal foram repassados aos comerciantes. Este ano, a Sur-Loc não decidiu se vai arcar com a despesa ou repassar. A informação dada pela empresa é que na terça-feira, 100% dos pontos estavam locados e todos para lageanos, e que há uma fila de espera.
Comerciantes podem lucrar mais este ano
O presidente da Comissão Central Organizadora, Toni Duarte, acredita que com a concorrência menor dentro do parque, os comerciantes vão lucrar mais. “Vai ter uma arrecadação maior em relação ao ano passado, porque tem menos concorrência dentro do parque”, fala.
Segundo ele, a prioridade é pela qualidade da alimentação oferecida. Por isso, a prefeitura optou por terceirizar a locação. “Durante todos os dias tem que fiscalizar a qualidade da alimentação, os procedimentos exigidos. Então, dá muito trabalho em relação a isso”, justifica. Porém, Duarte não descarta a possibilidade de o ano que vem a prefeitura passar a comercializar diretamente os pontos dentro do parque.
ShowPinhão vende todos os espaços
Também foram alugados todos os espaços do ShowPinhão. Nesta área do parque, a Associação Empresarial de Lages (Acil) é a responsável pela locação. A prioridade é para que os lageanos possam expor os seus produtor. “Nenhuma empresa de Lages que quis expor deixou de entrar”, declara o presente da Acil, Luiz Spuldaro. Segundo ele, todos os espaços estão locados e 90% dos estandes são de empresas locais. “Hoje só seis empresas são de fora”, completa.
Fotos:Joana Costa
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