Lages, 04/07/2013, Correio Lageano, por Susana Küster
Pelo menos cinco Estados do país tiveram interdições de rodovias e a maioria realizou manifestação com interdição parcial de vias. Como o transporte rodoviário é o que faz a maior parte do carregamento de alimentos e de outros produtos, o transtorno para os consumidores e o prejuízo para as empresas é grande.
Gilberto Zart é um dos caminhoneiros que fez parte da manifestação de Lages que começou na segunda e pode terminar nesta quinta-feira (04). Para ele, é lamentável ter que atingir a população para o governo se sentir pressionado e resolver o que é de direito dos profissionais. “O governo teria que ser o prejudicado, mas infelizmente é a população que sofre com o atraso”, completa
O que mais incomoda Zart é a lei que exige parada de uma hora a cada quatro horas trabalhadas. “Eles fazem a lei, mas não dão estrutura. Paramos nos postos de combustíveis e às vezes estamos em locais que não tem como parar quando chega a hora da folga”, frisa.
A proposta dos caminhoneiros é de trabalhar oito horas e folgar o restante, mas a parada deve acontecer quando o profissional achar conveniente. Ele reclama das multas que a polícia tem aplicado ao surpreender caminhoneiros que não respeitam a parada. “Foi dado 180 dias para o Ministério dos Transportes dar um parecer sobre a questão. Passou o prazo, eles não deram e a polícia começou a multar”, lamenta.
Horas trabalhadas
Uma forma de comprovar se o caminhoneiro fez a folga é o diário de bordo que possui a quilometragem rodada e as horas trabalhadas. O coordenador do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), Jorge Flores, diz que a situação dos profissionais piora em alguns trechos. “De Curitiba para São Paulo, eles dormem no acostamento. E lá têm que entrar na cidade antes das 5 horas e sair depois das 22 horas, ou seja, trabalham na hora do bandido”, reclama.
PF investigará bloqueios de rodovias pelos motoristas
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou, ontem, a abertura de inquérito para que a Polícia Federal (PF) investigue a atuação do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) na convocação da paralisação geral da categoria.
Desde segunda-feira (1º), caminhoneiros bloqueiam trechos de rodovias em diversos estados para reivindicar redução nos custos dos transportes, o que inclui diminuição nos preços dos pedágios e do óleo diesel.
A decisão de Cardozo se dá em resposta a um pedido encaminhado pelo ministro dos Transportes, César Borges. Segundo o documento, enviado por Borges, o representante do MUBC, Nélio Botelho, declarou à imprensa que, a partir de 48 horas de paralisação, haveria desabastecimento em todo o país, principalmente em relação a produtos essenciais, como combustíveis e gêneros alimentícios.
“Diante dessas notícias, dos documentos que acompanham o presente expediente e da constatação de que as paralisações em rodovias federais ainda estão ocorrendo, solicito a Vossa Excelência a adoção das providências cabíveis para apuração de eventual ilícito penal praticado”, diz o documento.
Foto:Susana Küster
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