Lages, 22/02/2013, Correio Lageano
Serra tem a pior representação política da sua história. Apenas um
deputado estadual eleito, que deixou o cargo, e uma suplente na câmara
federal, que só entrou porque o titular deixou a vaga
Com um potencial de 220 mil eleitores, a Serra Catarinense vive seu pior
momento político da história. Com exceção de uma suplente, que
atualmente exerce o cargo de deputada federal, a região não tem mais
nenhum representante no Parlamento.
A cidade que deu o maior número de governadores para Santa Catarina
viveu sua melhor época entre 1962 e 1974, quando teve um governador e
chegou a ter por três eleições consecutivas sete representantes, se
somadas a Assembleia Legislativa e o parlamento federal.
Desde então, vem numa decrescente, com exceção de 1986, quando elegeu
novamente sete representantes. Naquele ano, despontavam lideranças
políticas como João Raimundo Colombo (PSD), hoje governador, Ivan
Ranzolin (PR) e Francisco Küster (PT). Somou-se à velha guarda do
ex-governador joaquinense Henrique Córdova (PSD) e dos ex-prefeitos
Juarez Furtado e Dirceu Carneiro.
Daquela nova guarda que surgia, todos continuam, de uma forma ou outra na política.
Küster, em menos de 10 anos, não conseguiu mais se eleger. Ranzolin
migrou da Assembleia para a Câmara de Deputados e não se candidata desde
2006. Apenas Colombo não se viu derrotado.
Depois daquela turma de 1986, alguns nomes ficaram marcados para os
serranos: Fernando Coruja (PPS), Paulo Duarte (PP), Antônio Ceron (PSD)
e, mais tarde, Sérgio Godinho (PTB) e Elizeu Mattos (PMDB), hoje
prefeito.
Majoritariamente, os nomes são lageanos, mas eventualmente surgiram
nomes de fora de Lages, como Henrique Córdova e Sandro Tarzan, ambos de
São Joaquim.Godinho ficou na suplência em 2006 e longe de uma cadeira na
Assembleia em 2010. Novos nomes, como Arnaldo Moraes (PP) e Willy Brun
Filho (PSD) não conseguiram nada. Era o fim de uma representatividade.
O presidente da Associação Comercial de Lages, Luiz Spuldaro, afirma que
os serranos estão tentados pelos candidatos de fora e os partidos
políticos lançam candidatos demais, pulverizando os votos.
A região é a que tem menos representantes no estado. Em 2010, só elegeu
Elizeu Mattos para deputado estadual. Agora tem, suplentemente, Carmen
Zanotto (PPS) na Câmara Federal. Um representante para 220 mil votos.
“Dá para eleger um deputado federal e até dois estaduais
tranquilamente”, diz Spuldaro.
A título de comparação, a segunda região com menor representatividade, a
Grande Florianópolis, tem sete vezes mais que a Serra. Luiz Spuldaro
ressalta que o resultado disso é a falta de apoio para discutir
orçamento regional e receber emendas da União.
Motivos para a baixa representação
Pulverização de votos
Em 2010, a região teve cinco candidatos a deputado estadual. Todos se
elegeriam apenas em um cenário ideal, onde todos os serranos votassem
neste candidatos equalitariamente e não houvesse abstenção. Como isso,
não ocorre em nenhuma eleição, apenas Elizeu Mattos se elegeu e Arnaldo
Moraes ficou perto da vaga.
Mesmo com 13 mil votos em Lages, Sérgio Godinho ficou longe, Willy Brun
Filho também. Ambos ajudaram a eleger outros candidatos de suas
coligações no litoral. Luiz Spuldaro define a questão. “Todos os
partidos querem lançar um candidato e ninguém acaba se elegendo”.
Abstenção
Lages, onde estão lotados metade dos votos, teve mais de 24 mil
pessoas que deixaram de votar ou optaram pelo nulo e branco. Somente
este contigente era suficiente para eleger com folga Carmen Zanotto para
a Câmara Federal ou mais um deputado estadual.
Candidatos de fora levam os votos
No ano de 2010, Lages apresentou 89.969 votos válidos para o cargo de
deputado federal. 38.548 destes foram para candidatos de fora da
região. Hélio Furlan (PT), um dos dois candidatos serranos, recebeu
menos votos que Jorginho Mello (PSDB), por exemplo. Para o cargo de
deputado estadual, 19 mil votos foram para não-serranos.
Foto: Reprodução CLMais