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terça-feira, 11 de março de 2014

Criança que sobreviveu em acidente ganha alta

Lages, 11/03/2014, Correio Lageano



A menina de quatro anos, sobrevivente do acidente que matou três pessoas na SC-110, no fim de semana, em Bom Retiro, recebeu alta hospitalar nesta segunda-feira (10). A informação é do tio dela e presidente da Associação do Bairro Vila Mariza, em Lages, Célio Muniz Andrade.




O acidente ocorreu por volta das 22h30min de sábado (08). O caminhão Ford Cargo, dirigido pelo pai da menina, Cleito Ferreira Rogério, saiu da pista e bateu em uma árvore. Além de Rogério, morreram a mãe da criança, Jady Gabriela dos Santos Bueno, de 22 anos, e a irmã, de sete anos.



Segundo Célio Andrade, o estado de saúde da menina é bom, apesar estar abalada com o acidente. Segundo ele, o Corpo de Bombeiros informou que ela foi encontrada caída no assoalho do caminhão, com irmã morta sobre ela, “como se uma tentasse proteger outra”.




Foto:Agêndcia de Notícias São Joaquim Online/Divulgação

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Mulher sobrevive a raio e tem poucos ferimentos

Mulher sobrevive a raio e tem poucos ferimentos
Cerro Negro, 15 e 16/02/2014, Correio Lageano, por Suzani Rovaris




Quem olha para Ana Maria da Silva Mendes, de 75 anos, não acredita que ela foi atingida por um raio. Para os médicos, somente uma palavra define o que ocorreu: milagre. A moradora de Cerro Negro teve as roupas e o cabelo queimados, mas apenas pequenos ferimentos pelo corpo.



Ana Maria estava ao lado do fogão à lenha conversando com o marido e a filha, quando sentiu algo pesado nas costas. Depois, só lembra de rezar para a santa de sua devoção, Santa Bárbara. O marido Darci Xavier Mendes, de 77 anos, estava sentado em uma cadeira e a filha Jane Xavier Mendes, de 32 anos, escorada na pia, a poucos metros.



O acidente: Aquele 6 de fevereiro deveria ser mais um dia comum. Pela manhã, o casal viajou até Campo Belo do Sul para receber a aposentadoria e à tarde estava em casa. Como a família costuma ficar na cozinha assistindo à televisão e conversando, naquela noite não foi diferente.




Era por volta das 21h30min quando o acidente aconteceu. O marido diz que a mulher ficou imóvel na cadeira depois que o raio a atingiu. “Eu levantei ela para colocar no sofá, mas as pernas não mexiam. Consegui arrastar até a metade da cozinha”.



O casal possui outro filho, Sebastião Xavier Mendes. Enquanto Darci atendia a esposa, Jane correu até a casa do irmão que mora em frente. “Eu, minha esposa e meu genro estávamos conversando quando vimos que um raio havia atingido a casa deles. Corremos para atender porque estava tudo escuro”, lembrou Sebastião.



Atendimento médico foi imediato


A aposentada Ana Maria da Silva Mendes recebeu os primeiros atendimentos de dois enfermeiros da Unidade de Saúde do município e, em seguida, pelos profissionais do Samu. Segundo os familiares da vítima, Ana Maria foi encaminhada à emergência do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, mas como não havia leito, foi internada no Pronto Atendimento Tito Biachini.


Ana teve poucos ferimentos de queimadura pelos braços e pernas. Ficou em observação, por quatro dias, até a madrugada de domingo (9), depois voltou para casa.



Apenas roupas e o cabelo foram queimados



O raio é uma das mais violentas manifestações da natureza e, em uma fração de segundos, pode produzir uma carga de energia tão alta, cujos parâmetros ultrapassam os 100 milhões de volts ou um bilhão de watts (medida de calor).



Depois do fato,  Ana Maria ficou conhecida no município de Cerro Negro. O raio quebrou um espelho e jogou longe um cilindro elétrico. Os objetos estavam na área de serviço por onde o raio atravessou. Apesar de Ana ter poucos ferimentos, sua roupa, um camiseta branca, calça de malha azul e as íntimas ficaram bastante queimadas. Ela precisou cortar o cabelo que também foi queimado.



Mesmo depois de uma descarga elétrica sob seu corpo, Ana, que atualmente fica deitada no safá da sala, relembra o fato e ainda faz brincadeira. “Sou mulher forte, acho que não era minha hora”. Desde que recebeu alta, as visitas chegam  a toda hora, todos os dias. São familiares, parentes e amigos que estão curiosos com a sobrevivente de um raio.




Foto: Suzani Rovaris

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Bebê sobrevivente de tragédia na BR-282 sai da UTI



Lages, 03/04/2013, CLMais com informações do Hospital Infantil Seara do Bem



O bebê de três meses, que sobreviveu a um acidente que matou cinco pessoas no último dia 15 na BR-282, em Bocaina do Sul, saiu da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), nesta terça-feira (02). No entanto, ele permanece internado no Hospital Infantil Seara do Bem, em observação.



Samuel Ribeiro, que sofreu traumatismo craniano, saiu do respirador dez dias após o acidente e passou a receber oxigênio, mas apesar da melhora, o seu estado de saúde ainda era considerado delicado.



De acordo com a médica pediatra e diretora clínica do hospital, Maria Cláudia Zanoni, que concedeu entrevista à reportagem do Correio Lageano no dia 25 último, o bebê só se salvou graças à rapidez do resgate e porque estava na cadeirinha.



Samuel estava em um Peugeot dirigido pelo seu pai, Adão Elbio Ribeiro. O carro bateu de frente com o Honda Civic no Km-175, em Bocaina do Sul. No Peugeot estavam, ainda, a sua mãe e os avós paternos. Todos morreram na hora. A família era residente de Braço do Trombudo, no Vale do Itajaí.


Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o acidente pode ter sido provocado pelo Honda, que teria invadido a pista contrária.



Foto: Arquivo

segunda-feira, 25 de março de 2013

Bebê sobrevivente de tragédia na BR-282, na Serra, sai do respirador



Bebê sobrevivente de tragédia na BR-282, na Serra, sai do respirador
Lages, 26/03/2013, Correio Lageano


Os sedativos também foram retirados e agora os médicos aguardam a criança acordar


O bebê de três meses, sobrevivente da tragédia que matou cinco pessoas no último dia 15 na BR-282, em Bocaina do Sul, Serra Catarinense, dentre elas seus pais e avós paternos, saiu do respirador ontem. Apesar disso, ele continua internado na UTI do Hospital Infantil Seara do Bem, em Lages.



Segundo a médica pediatra e diretora clínica do hospital, Maria Cláudia Zanoni, apesar de apresentar melhoras, o estado de saúde de Samuel Ribeiro ainda é considerado “delicado”. A criança, que sofreu traumatismo craniano no acidente, saiu do respirador e passou a receber oxigênio.



Ela explica que os sedativos também foram retirados, e o próximo passo é esperar o bebê acordar para avaliar se vai ficar ou não com sequelas. “Ainda é cedo para dizermos o que vai acontecer.  Vamos esperar ele acordar para avaliar a situação (neurológica do bebê)”, declarou a médica, informando que fora o traumatismo craniano, a criança não sofreu nenhuma outra lesão, e que ainda não há um prazo para receber alta hospitalar.



De acordo com ela, o bebê só se salvou graças à rapidez do resgate e porque estava na cadeirinha. Segundo informações, populares também ajudaram no socorro, o que foi determinante para a sobrevivência da criança. “Não fosse tudo isso, as consequências seriam piores”, acrescentou.



Morador de Braço do Trombudo, no Alto Vale do Itajaí, Samuel estava em um Peugeot dirigido pelo seu pai, Adão Elbio Ribeiro. O carro bateu de frente com o Honda Civic no Km 175, em Bocaina do Sul. No Peugeot estavam, ainda, a sua mãe e os avós paternos.



Todos morreram na hora. Já o condutor do Honda faleceu no hospital. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a colisão teria sido provocada pelo Honda, que invadiu a pista contrária e bateu de frente com o Peugeot.



Criança vai ficar com irmão no Vale do Itajaí


Samuel deve ficar com o irmão mais velho, Ariel Ribeiro, que reside com o avó materno, em Braço do Trombudo. Segundo informações, a família viajava para Florianópolis para convidar os padrinhos de batizado.



A tragédia envolvendo a família do bebê não é a primeira na BR-282. Só este ano, outras sete pessoas com laços familiares perderam a vida na rodovia, em um trecho de apenas 25 Km de extensão, entre Lages e Bocaina do Sul.  Segundo a PRF, a imprudência, como o excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas, foi a principal causa das tragédias que chocaram a população.




Foto: Adecir Morais

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Catarinense descreve os passos para a vida

Catarinense descreve os passos para a vida
Serra Catarinense, 29/01/2013, Correio Lageano, por Joana Costa


Patrícia de Souza Fukushima, de São Joaquim, detalha os momentos de desespero durante o incêndio na boate gaúcha e como saiu do local




Das pontentes caixas de som da boate Kiss, em Santa Maria (RS), a música gaúcha embalava 1.500 jovens, a maioria universitários. Patrícia Fukushima de Souza, de São Joaquim, que estuda em Engenharia Florestal na Udesc, em Lages, e faz estágio no RS, dançava com três amigos.



Estavam perto da única porta e decidiram se aproximar do palco. Ainda estavam a caminho quando o grupo percebeu o empurra-empurra provocado pelo começo do incêndio. Eram apenas 30 metros para percorrer, mas foi o trajeto mais difícil da vida dela. Na segunda-feira (28), ainda abalada pela tragédia que matou 231 pessoas, Patrícia detalhou ao Correio Lageano os momentos decisivos que lhe salvaram a vida.




Sábado à noite Patrícia Fukushima, de 22 anos, se produziu, vestiu um short branco, camiseta verde, salto e caprichou na maquiagem. Era para ser apenas um momento de diversão e boas risadas com o grupo de amigos.



Ela relata que estava aproveitando a festa. “Uns dez minutos antes de tudo acontecer a gente pensou em ir para a frente, para ficar mais ou menos no centro da boate”. Patrícia lembra que começou o empurra-empurra, e ela e os amigos o atribuíram a uma possível briga. Instintivamente, o grupo se voltou para a porta de saída da boate. “Depois é que eu ouvi o pessoal gritando fogo, o corre-corre e a fumaça vindo. Não vi o fogo, só a fumaça preta e o pessoal indo em direção a porta, e a gente foi indo também.”




Nesse instante, a confusão se generalizou. A jovem joaquinense estava na companhia de uma garota e dois rapazes. A outra jovem conseguiu sair na frente e os rapazes ajudaram Patrícia a manter o equilíbrio, segurando-a pelo braço. “Comecei a ficar nervosa com tudo aquilo acontecendo, aquele tumulto”, lembra. Ela passou a se sentir mal e pediu ajuda aos amigos. “Tinha muita fumaça vindo, pessoas caídas pelo chão, elas devem ter tropeçado e a gente caiu por cima delas”.




No desespero, todos se levantavam rapidamente e continuaram a caminhada em direção à porta. “Uma guria me puxou pelo braço e a gente saiu”, relata, lembrando que esses foram os dez minutos mais longos e nebulosos de sua vida. Em meio à fumaça e aos gritos de desespero, todos tentavam deixar a Kiss já em chamas.



O horror do lado de fora


Do lado de fora, as cenas eram de terror. Desnorteada, Patrícia Fukushima de Souza conseguiu chegar à rua, onde ambulâncias, bombeiros e pessoas tentavam ajudar os que ainda não tinham saído. Um garoto retornou para o interior da boate na tentativa de resgatar um conhecido, mas não voltou. “Havia corpos no chão, foi horrível”.



Golpeada pela fumaça tóxica e pelas cenas de horror, Patrícia caminhou pela rua, assistindo à movimentação de outras pessoas que conseguiram escapar. Outra jovem foi deixada ao lado de Patrícia.



“Estava queimada, com a pele saindo, o braço vermelho, toda suja de fuligem. Não conseguia falar, caída no chão e com dificuldade para respirar”, descreve a catarinense, recordando que a garota pedia que água fosse jogada em seus ferimentos e que fossem retiradas as pulseiras de seus braços. “Eu não sabia o que fazer. Logo chegaram os amigos dela, colocaram-na num carro e a levaram para o hospital.”



Até então, Patrícia não tinha noção da tragédia. Ela passou em frente à boate minutos mais tarde. “Essa foi a pior parte, porque tinha um monte de gente caída no chão. Foi muito ruim”, conta.



No cenário de terror, o vai e vem de macas, pessoas passando com os corpos que eram deixados no estacionamento, aguardando os caminhões que iriam recolhê-los. “Só queria sair dali, tinha pessoas que haviam tirado a blusa para cobrir o rosto. Os corpos que eles retiravam estavam com as roupas rasgadas, todos pretos por causa da fumaça”, completa.



Professor da Udesc diz que cidade mudou


A cidade universitária, que costuma promover festas, normalmente frequentada por estudantes da UFSM, vive profunda consternação. Durante todo o dia de ontem, cortejos fúnebres cruzavam as ruas em direção aos cemitérios. A todo momento, os moradores descobrem que tinham mais um amigo, colega, vizinho ou conhecido entre as vítimas do incêndio.



Fabricio Mozzaquatro é professor da Udesc em Lages há um ano e meio. Ele nasceu em Santa Maria e estudou de 1996 a 2008 na UFSM. O docente conta que estava na cidade em visita à família no último fim de semana e descreve ao Correio Lageano o dia seguinte à tragédia.



Segundo Mozzaquatro, a consternação é grande. “A comoção é generalizada, a gente cruza com cortejos fúnebre a todo o momento”, relata, lembrando que todos os santa-marienses têm algum conhecido vítima da tragédia e compartilham da mesma dor. “A gente vai recebendo notícias de amigos e cada vez se apavora mais”, comenta.



O professor relata que cemitérios e o necrotério ficaram todo o dia repletos de pessoas sepultando seus entes ou buscando informações. “Eram bons alunos e suas vidas foram ceifadas de uma maneira muito bruta”, lamenta, lembrando que a maioria das vítimas eram alunos da UFSM.



De acordo com o professor, a sensação se refletem em todo o Rio Grande do Sul, pois grande parte dos jovens mortos na tragédia era proveniente de outras cidades. Ele conta que passou o fim de semana com a família em uma propriedade rural e tinha planos de retornar à Lages no domingo, mas adiou a volta devido à tragédia.



Polícia prende envolvidos no incêndio na boate Kiss



Três pessoas envolvidas no incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria, foram presas otnem em caráter temporário. A informação foi confirmada pelo delegado da 1ª Delegacia de Polícia do município, Marcos Viana.



Segundo o delegado, os pedidos de prisão temporária de cinco dias foram decretados em razão de boatos de que eles poderiam deixar a cidade sem prestar depoimentos à polícia.



“Em razão disso, concluímos pela necessidade de pedir a prisão temporária, já que acreditamos que os depoimentos deles são necessários para nos ajudar a esclarecer o episódio”, declarou o delegado.



O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, ficou abalado com o incêndio na boate Kiss. Em uma nota, o porta voz da ONU descreveu que Ban Ki-monn “ficou especialmente comovido com a notícia do grande número de jovens, incluindo estudantes universitários, que, segundo relatos, faleceram como resultado do fogo”.



As autoridades estaduais confirmaram que, dos 231  mortos, 101 eram alunos da Universidade Federal de Santa Maria. O incêndio é apontado por especialistas como o segundo mais faltal da história do Brasil. A pior tragédia ocorreu em 1961 no Gran Circus Norte-Americano, em Niterói (RJ), com 503 mortos.




Foto: Agência Brasil/Divulgação