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domingo, 19 de maio de 2013

Morte de jovem aumenta para 242 número de vítimas de incêndio na boate Kiss


Morte de jovem aumenta para 242 número de vítimas de incêndio na boate Kiss
Porto Alegre, 19/05/2013, (EFE)


A estudante Mariane Wallau Vielmo, de 25 anos, faleceu neste domingo (19) por causa das queimaduras sofridas no incêndio na boate Kiss, ocorrido em janeiro em Santa Maria (RS), e com isso o número de mortos na tragédia subiu para 242.


A jovem, que estudava Sistemas de Informação, estava internada no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, informou a Secretaria Municipal de Saúde.


Outras três jovens continuam internadas em hospitais da capital gaúcha devido ao incêndio, que aconteceu durante uma festa universitária no dia 27 de janeiro.


O Ministério Público acusou quatro pessoas por homicídio em primeiro grau, entre eles dois proprietários da boate, Elissandro Spohr e Mauro Hoffman, o cantor Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor musical Luciano Augusto Bonilha Leão, e todos eles estão em prisão preventiva.


O incêndio começou devido ao uso de um sinalizador por parte da banda Gurizada Fandangueira. Em contato com o isolamento acústico do teto, o fogo do artefato deu origem a um gás tóxico que causou a maioria das mortes, segundo a polícia.



Foto: EFE/Divulgação

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Três casas noturnas estão interditadas

Lages, 16 e 17/02/2013, Correio Lageano, por Susana Küster



Corpo de Bombeiros fechou os estabelecimentos de Lages por não oferecerem a segurança necessária para seus clientes



Depois da morte de 239 pessoas no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, a fiscalização nas casas noturnas do Brasil foi intensificada. Em Lages, foram fechados, nesta semana, pelo Corpo de Bombeiros, três locais: Rancho Serrano, Bali Gode e Bailinho da Angélica.



E a fiscalização continuará durante os próximos dias O aspirante Borges, do Corpo de Bombeiros, afirma que os três locais foram interditados porque estão irregulares.
Os proprietários do Rancho Serrano, Claúdio Bianchini, e do Bailinho da Angélica, Luiz Nazareno Schuch, reclamam que não foi dado prazo para eles se adequarem.



O Correio Lageano entrou em contato com o Bali Gode, mas não obteve retorno.
Borges ressalta que não é possível dar prazo para um lugar se adequar se ele está irregular. “Faltam três locais para vistoriarmos. Por enquanto, esses três que foram interditados são os piores, mas há outros com problema de manutenção de extintores e luzes de emergência”, afirma o aspirante.



No Rancho Serrano, o proprietário precisou criar duas portas de emergência, já que possuía somente uma entrada e saída. O local tem capacidade para 900 pessoas.
Ele também trocou e aumentou a quantidade de extintores e trocou as baterias das luzes de emergência. “Há lugares piores em Lages que estão funcionando. A única coisa pendente é o laudo de prevenção de incêndio, que está sendo feito por um engenheiro”, ressalta.



Bianchini estima um prejuízo de mais de R$ 15 mil por semana, devido ao fechamento do local. “Fora as 20 famílias que têm como sustento o trabalho daqui e os estabelecimentos da rua que tem o movimento aumentado e terão prejuízo”, lamenta.




No Bailinho da Angélica, que funciona no bairro Universitário, o proprietário precisa aumentar a saída de emergência existente e criar outra na lateral do estabelecimento.
Schuch também terá que aumentar a quantidade de extintores. Ele reclama de não ter tido um prazo para se adequar e afirma que deve  haver outros locais em Lages com problemas.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Lageanos continuam na balada, mas agora atentos a segurança dos locais

Lageanos continuam na balada, mas agora atentos a segurança dos locais
Lages, 11/02/2013, Correio Lageano por Suzane Faita




A tragédia que matou 238 jovens na boate Kiss, em Santa Maria  (RS), mudou a cabeça dos jovens que frequentam as baladas em Lages. Agora, o item segurança é uma questão importante na hora de escolher o local para sair à noite. No fim de semana, a reportagem do Correio Lageano esteve em casas noturnas para observar e conversar com os baladeiros.




Os jovens estão mais cuidadosos e atentos às saídas de emergência, coisa que há três semanas ninguém se preocupava. Os baladeiros não deixaram de curtir à noite, mas sem dúvida a atitude mudou. Observam o local para saber para onde se dirigir em caso de incidente, e onde ficam os extintores.




Os organizadores da tradicional Festa do Primeiro Dia, que reúne estudantes da Universidade de Santa Catarina, entraram em contato com a boate Serraria buscando informações sobre a segurança. “Ligaram e pediram se estávamos com alvará em dia e de acordo com as leis”, informou o gerente da boate, Magaiver de Gasperi.



Nova inspeção



Há pouco mais de uma semana, os proprietários da boate pediram uma nova vistoria do Corpo de Bombeiros no local. A preocupação era revisar os itens de segurança. “Aumentamos o número de extintores e tiramos uns tecidos que tínhamos no teto, pois precisamos de um laudo de 2013 atestando que o tecido não é inflamável”, salientou Gasperi. Lembrando o incidente na Kiss, argumentou na Serraria há quatro saídas de emergência e o pagamento do ingresso não é na saída.



O gerente comentou que a baixa de público é normal pela época do ano. Segundo ele, o movimento mais baixo nessa época se deve por serem férias, que seu público principal é de universitários, especialmente do CAV/Undesc.




Mães ficaram preocupadas




As estudantes Joice Borges Vieira, de 17 anos, e Camila Cardoso, de 16, não tinham saído ainda desde o que aconteceu em Santa Maria. Antes e entrar na boate comentavam que deveriam procurar as saídas de emergência. “Todo mundo está mais preocupado com a segurança. Antes ninguém ligava para isso”, disse Joice. As mães das duas também fizeram inúmeras recomendações. “Elas ficaram mais preocupadas”, contou Camila.




Jovem cogitou não sair mais à noite




A babá Patrícia de Liz (D), de 23 anos, a caixa Lurielli Harumi da Luz (C), de 19, e a estudante Maikeli da Luz Chagas, de 17, ficaram inseguras ao saírem na noite lageana. “Fiquei com medo de acontecer um incêndio”, admitiu Lurielli. Para Maikeli, o pior foi pensar que esse incidente poderia ser em Lages, em um local onde ela estivesse. “Na hora pensei em não sair mais à noite, mas depois desisti, só estou mais atenta as saídas de emergência”.



Professora contou as saídas e emergência




Josiane Vieira de Jesus, de 34 anos, e o marido saem ao menos uma vez a cada 15 dias. No fim de semana em uma boate, o casal observou as saídas de emergência pela primeira vez. “Antes nunca prestava atenção nesse detalhe”, confessou. Embora atenta, garante que não vai deixar de sair à noite por medo. “O que aconteceu lá (Santa Maria) serviu para aumentar a segurança das outras casas e haver mais cobrança e preocupação das autoridades”.



Músicos preocupados com locais de shows




O primeiro show, depois do incidente em Santa Maria, dos músicos Jonathan Alves, de 18 anos, e Matheus de Oliveira, de 19, que acompanham uma dupla de Lages, foi na sexta-feira de Carnaval em uma boate. Eles comentaram que tocaram em diversos locais que não eram seguros, mas não nunca deram importância para isso. “Agora observamos mais os locais, as saídas de emergência, extintores e a lotação máxima”, explicou Matheus. Os dois ainda receberam a orientação dos pais para não ingerirem bebidas alcoólicas quando estiverem tocando.



Primeira vez depois da tragédia




O auxiliar de produção, Gutierrez Silva Scoz, de 18 anos, saiu com amigos no fim de Carnaval, foi a primeira vez depois do incêndio na Boate Kiss. “Saio com receio, tenho medo que as boates de Lages não tenham segurança”, comentou. O estudante Bruno de Lima Castro, 18 anos, estava mais tranquilo. Pela diferenças da estrutura das casas de Lages com a Kiss, não vê tanto perigo, mas nem por isso deixou de observar as portas de emergência. “Antes eu não me preocupava com isso (segurança), mas vou continuar saindo mesmo assim”. O recepcionista Leonardo Monteiro, de 18, e o estudante Ackson Lemos da Silva, de 18 anos, contaram que os pais ficaram mais preocupados agora. “Dá um pouco de medo”, confessa Ackson.



Amigas só ficam em boate se estiverem seguras




As estudantes Caroline Salmória, de 17 anos, Gabriela Rodrigues Lima, de 18, e Karla Pinheiro, de 18, disseram que costumam observar o local onde estão e se apresenta algum tipo de risco, como superlotação ou falta de saídas de emergência, procuram outro lugar. “Minha mãe está mais preocupada também com a infraestrutura dos locais”, contou Gabriela. Para Caroline é preciso precaução, mas não exagerada. “Não tem como deixar de fazer uma coisa para cada tragédia que acontecer”, definiu.




Bombeiros também estão mais atuantes após a tragédia



Foi depois da tragédia na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, no final de janeiro, que a maioria das casas noturnas, bares, e outros locais onde há grande concentração de pessoas, aumentaram a preocupação com a segurança. O Corpo de Bombeiro de Lages também está mais atento, tanto que identificou uma série de irregularidades no Ginásio Municipal Ivo Silveira.



Da tragédia, continuam internadas 53 vítimas do incêndio na Kiss em Santa Maria. A informação foi passada pela Secretaria de Saúde do Estado no fim de semana. Dessas, 16 respiram com ajuda de aparelhos. No domingo, 12 pessoas que estavam internadas por conta da tragédia receberam alta hospitalar, sendo oito em Porto Alegre e quatro em Santa Maria.



Familiares das vítimas que se reuniram no sábado, pretendem criar uma associação de parentes das vítimas. O encontro foi realizado no auditório do Colégio Marista, no centro da cidade, e uma comissão voltará a se reunir no próximo dia 23, no mesmo local. O intuito é buscar amparo legal para cobrar os resultados das investigações da polícia e quanto às demandas indenizatórias. Neste primeiro encontro, foram cadastradas 199 pessoas, familiares de 163 vítimas fatais. Os outros 36 são parentes de sobreviventes. A criação do grupo também contou com a presença do defensor público Andrey Melo.



O incêndio na Kiss, ocorrido no dia 27 de janeiro, deixou 238 mortos e mais de cem feridos. O fogo começou quando a banda Gurizada Fandangueira se apresentava. Segundo testemunhas, durante o show foi utilizado um sinalizador — uma espécie de fogo de artifício chamado “sputnik” — que, ao ser lançado, atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se alastraram em poucos minutos.




Fotos: Suzane Faita

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Catarinense descreve os passos para a vida

Catarinense descreve os passos para a vida
Serra Catarinense, 29/01/2013, Correio Lageano, por Joana Costa


Patrícia de Souza Fukushima, de São Joaquim, detalha os momentos de desespero durante o incêndio na boate gaúcha e como saiu do local




Das pontentes caixas de som da boate Kiss, em Santa Maria (RS), a música gaúcha embalava 1.500 jovens, a maioria universitários. Patrícia Fukushima de Souza, de São Joaquim, que estuda em Engenharia Florestal na Udesc, em Lages, e faz estágio no RS, dançava com três amigos.



Estavam perto da única porta e decidiram se aproximar do palco. Ainda estavam a caminho quando o grupo percebeu o empurra-empurra provocado pelo começo do incêndio. Eram apenas 30 metros para percorrer, mas foi o trajeto mais difícil da vida dela. Na segunda-feira (28), ainda abalada pela tragédia que matou 231 pessoas, Patrícia detalhou ao Correio Lageano os momentos decisivos que lhe salvaram a vida.




Sábado à noite Patrícia Fukushima, de 22 anos, se produziu, vestiu um short branco, camiseta verde, salto e caprichou na maquiagem. Era para ser apenas um momento de diversão e boas risadas com o grupo de amigos.



Ela relata que estava aproveitando a festa. “Uns dez minutos antes de tudo acontecer a gente pensou em ir para a frente, para ficar mais ou menos no centro da boate”. Patrícia lembra que começou o empurra-empurra, e ela e os amigos o atribuíram a uma possível briga. Instintivamente, o grupo se voltou para a porta de saída da boate. “Depois é que eu ouvi o pessoal gritando fogo, o corre-corre e a fumaça vindo. Não vi o fogo, só a fumaça preta e o pessoal indo em direção a porta, e a gente foi indo também.”




Nesse instante, a confusão se generalizou. A jovem joaquinense estava na companhia de uma garota e dois rapazes. A outra jovem conseguiu sair na frente e os rapazes ajudaram Patrícia a manter o equilíbrio, segurando-a pelo braço. “Comecei a ficar nervosa com tudo aquilo acontecendo, aquele tumulto”, lembra. Ela passou a se sentir mal e pediu ajuda aos amigos. “Tinha muita fumaça vindo, pessoas caídas pelo chão, elas devem ter tropeçado e a gente caiu por cima delas”.




No desespero, todos se levantavam rapidamente e continuaram a caminhada em direção à porta. “Uma guria me puxou pelo braço e a gente saiu”, relata, lembrando que esses foram os dez minutos mais longos e nebulosos de sua vida. Em meio à fumaça e aos gritos de desespero, todos tentavam deixar a Kiss já em chamas.



O horror do lado de fora


Do lado de fora, as cenas eram de terror. Desnorteada, Patrícia Fukushima de Souza conseguiu chegar à rua, onde ambulâncias, bombeiros e pessoas tentavam ajudar os que ainda não tinham saído. Um garoto retornou para o interior da boate na tentativa de resgatar um conhecido, mas não voltou. “Havia corpos no chão, foi horrível”.



Golpeada pela fumaça tóxica e pelas cenas de horror, Patrícia caminhou pela rua, assistindo à movimentação de outras pessoas que conseguiram escapar. Outra jovem foi deixada ao lado de Patrícia.



“Estava queimada, com a pele saindo, o braço vermelho, toda suja de fuligem. Não conseguia falar, caída no chão e com dificuldade para respirar”, descreve a catarinense, recordando que a garota pedia que água fosse jogada em seus ferimentos e que fossem retiradas as pulseiras de seus braços. “Eu não sabia o que fazer. Logo chegaram os amigos dela, colocaram-na num carro e a levaram para o hospital.”



Até então, Patrícia não tinha noção da tragédia. Ela passou em frente à boate minutos mais tarde. “Essa foi a pior parte, porque tinha um monte de gente caída no chão. Foi muito ruim”, conta.



No cenário de terror, o vai e vem de macas, pessoas passando com os corpos que eram deixados no estacionamento, aguardando os caminhões que iriam recolhê-los. “Só queria sair dali, tinha pessoas que haviam tirado a blusa para cobrir o rosto. Os corpos que eles retiravam estavam com as roupas rasgadas, todos pretos por causa da fumaça”, completa.



Professor da Udesc diz que cidade mudou


A cidade universitária, que costuma promover festas, normalmente frequentada por estudantes da UFSM, vive profunda consternação. Durante todo o dia de ontem, cortejos fúnebres cruzavam as ruas em direção aos cemitérios. A todo momento, os moradores descobrem que tinham mais um amigo, colega, vizinho ou conhecido entre as vítimas do incêndio.



Fabricio Mozzaquatro é professor da Udesc em Lages há um ano e meio. Ele nasceu em Santa Maria e estudou de 1996 a 2008 na UFSM. O docente conta que estava na cidade em visita à família no último fim de semana e descreve ao Correio Lageano o dia seguinte à tragédia.



Segundo Mozzaquatro, a consternação é grande. “A comoção é generalizada, a gente cruza com cortejos fúnebre a todo o momento”, relata, lembrando que todos os santa-marienses têm algum conhecido vítima da tragédia e compartilham da mesma dor. “A gente vai recebendo notícias de amigos e cada vez se apavora mais”, comenta.



O professor relata que cemitérios e o necrotério ficaram todo o dia repletos de pessoas sepultando seus entes ou buscando informações. “Eram bons alunos e suas vidas foram ceifadas de uma maneira muito bruta”, lamenta, lembrando que a maioria das vítimas eram alunos da UFSM.



De acordo com o professor, a sensação se refletem em todo o Rio Grande do Sul, pois grande parte dos jovens mortos na tragédia era proveniente de outras cidades. Ele conta que passou o fim de semana com a família em uma propriedade rural e tinha planos de retornar à Lages no domingo, mas adiou a volta devido à tragédia.



Polícia prende envolvidos no incêndio na boate Kiss



Três pessoas envolvidas no incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria, foram presas otnem em caráter temporário. A informação foi confirmada pelo delegado da 1ª Delegacia de Polícia do município, Marcos Viana.



Segundo o delegado, os pedidos de prisão temporária de cinco dias foram decretados em razão de boatos de que eles poderiam deixar a cidade sem prestar depoimentos à polícia.



“Em razão disso, concluímos pela necessidade de pedir a prisão temporária, já que acreditamos que os depoimentos deles são necessários para nos ajudar a esclarecer o episódio”, declarou o delegado.



O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, ficou abalado com o incêndio na boate Kiss. Em uma nota, o porta voz da ONU descreveu que Ban Ki-monn “ficou especialmente comovido com a notícia do grande número de jovens, incluindo estudantes universitários, que, segundo relatos, faleceram como resultado do fogo”.



As autoridades estaduais confirmaram que, dos 231  mortos, 101 eram alunos da Universidade Federal de Santa Maria. O incêndio é apontado por especialistas como o segundo mais faltal da história do Brasil. A pior tragédia ocorreu em 1961 no Gran Circus Norte-Americano, em Niterói (RJ), com 503 mortos.




Foto: Agência Brasil/Divulgação

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Santa Maria começa a enterrar seus mortos após incêndio em boate

Santa Maria começa a enterrar seus mortos após incêndio em boate
São Paulo. 28/01/2013, Pop News Brasil



Após uma noite de luto, Santa Maria, no Rio Grande do Sul, começou nesta segunda-feira a enterrar os mortos da festa universitária que se transformou em tragédia com o incêndio de uma boate na madrugada de domingo.



O balanço de mortos foi revisto para baixo pelas autoridades, de 233 a 231, porque alguns corpos foram "identificados duas vezes", explicaram.



Este continua sendo o segundo maior incêndio da história do Brasil em número de vítimas. Em 1961, em Niterói, o incêndio de um circo deixou 503 mortos, sete em cada dez eram crianças.



O Brasil ainda está em choque um dia após esta tragédia, provocada por uma série de imprudências, a 500 dias do início da Copa do Mundo de 2014.



Uma cerimônia prevista para esta segunda-feira no Estádio de Brasília para marcar simbolicamente a contagem regressiva para o Mundial foi cancelada em sinal de luto.



Os habitantes de Santa Maria, uma cidade de 262.000 habitantes a 300 km de Porto Alegre, se solidarizaram com as famílias das vítimas no velório, fazendo preces, antes do enterro coletivo.



Vários corpos foram transportados para suas cidades de origem para serem velados e enterrados, alguns deles para a cidade de Porto Alegre, onde estão hospitalizadas 14 vítimas com queimaduras graves.



A maioria das vítimas morreu asfixiada, 180 delas nos banheiros do estabelecimento por onde tentaram fugir, segundo o capitão da polícia militar Edi Paulo Garcia.



Nesta segunda-feira, a entrada da boate estava fechada e era protegida por dois policiais, à espera dos especialistas que devem realizar a perícia no local.



Sabe-se que a licença para o funcionamento da boate estava vencido desde o mês de agosto, de acordo com os bombeiros.



Um grupo de seis jovens, estudantes de agronomia, se reuniu na entrada da boate Kiss. Ainda não tinham visto o local onde 14 de seus colegas faleceram. Em seguida, seguiram para o centro esportivo e se preparavam para comparecer ao enterro de um de seus amigos em Uruguaina, na fronteira com o Uruguai.

Incêndio: mais de 180 pessoas morreram no banheiro da boate, diz capitão

São Paulo, 28/01/2013, Pop News Brasil



A Brigada Militar informou que a maioria das vítimas do incêndio que atingiu a boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, tentou escapar pelo banheiro do estabelecimento. De acordo com o capitão Edi Paulo Garcia, um dos primeiros a chegar ao local, ele se deparou com uma "cena terrível, triste de ver."



"Tirei mais de 180 pessoas dos banheiros. Eles estavam tentando fugir pelos banheiros. (...) Foram cinco vezes que o caminhão foi utilizado para retirar esses corpos para trazer para fazer o reconhecimento. A cena é muito triste", disse durante o programa "Domingão do Faustão".



O número de mortos na tragédia chegou a pelo menos 231, enquanto 106 ainda estão hospitalizados. O fogo teria começado por volta das 2h30, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira. Pelo menos 101 vítimas eram estudantes da Universidade Federal de Santa Maria.



Cerca de 50 vítimas devem ser enterradas nesta segunda-feira, dia 28, no cemitério municipal de Santa Maria.