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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Homenagem aos 100 anos de Malinverni

Homenagem aos 100 anos de Malinverni
Lages, 11/09/2013, Correio Lageano



Sessão solene da Assembleia Legislativa, realizada na noite de ontem, no Clube Serrano, em Lages homenageou o centenário de nascimento do artista Malinverni Filho.
A viúva Maria do Carmo Malinverni, conhecida como “Mariechen” e familiares receberam placa de homenagem do Poder Legislativo catarinense.



Ana Paula Malinverni, neta do artista, manifestou, em nome da família, “a alegria pela homenagem ao artista que tão bem dignificou sua terra natal. Um homem simples, amante da natureza e que, se estivesse vivo, estaria aqui muito feliz”, disse.


O presidente da Assembléia, Joares Ponticelli, desta que que 1913 foi um ano pródigo para Santa Catarina, pois nasciam Willy Zumblick e Malinverni Filho, dois grandes artistas do Estado.



A sessão solene foi presidida pelo deputado Joares Ponticelli e contou com a presença do prefeito Elizeu Mattos (PMDB), do deputado Arnaldo Moraes (PP) e da deputada federal Carmem Zanoto (PPS), entre outras lideranças. O secretário regional Gabriel Ribeiro representou o governador Raimundo Colombo.


Foto:Julio Cancellier/Divulgação

domingo, 16 de junho de 2013

O acervo desconhecido de Malinverni Filho

O acervo desconhecido de Malinverni Filho
Lages, 17/06/2013, esta matéria foi produzida pela estudante Karoline Andrade Kitabayashi, do 8º ano da E.M.E.B. Suzana Albino França, orientada pelo professor Carlos Eduardo Canani e Ana Paula Vieira




Um século atrás, Lages via nascer seu maior artista de todos os tempos. Agostinho Malinverni Filho veio ao mundo para encher de cores e de orgulho a terra que o gerou. Entretanto, muitos são os que desconhecem a existência de um acervo do artista composto por obras de proprietários particulares.



Desenvolvida pela professora Mercedes Maria Gevaerd, Mestre em Educação e Cultura, com colaboração de acadêmicos da Universidade do Planalto Catarinense, a pesquisa “Acervo Desconhecido do artista Agostinho Maliverni” busca revelar à sociedade obras de grande relevância para a arte catarinense pertencentes a acervos particulares e que, por esta razão, são desconhecidas do público, já que nunca foram expostas.




Segundo Mercedes “estas ações estão fundamentadas no pensamento de conscientização e no sentido de valorizar e preservar o patrimônio histórico, artístico e cultural. A partir desses preceitos, busca-se valorizar o acervo não registrado no Museu Malinverni Filho, a fim de oferecer informações e conhecimentos à sociedade”.



O levantamento e o registro do acervo das obras foram efetuados na perspectiva de preservá-las como fonte organizada de informações históricas. “A coleta de dados fez-se através de investigação, entrevistas, depoimentos e registros fotográficos, com pessoas ou instituições que possuem obras do artista até mesmo em Florianópolis onde se encontra grande parte de seu acervo”, ressalta Mercedes.




Posteriormente, ocorreu a catalogação das obras, até então desconhecidas, nas quais se incluíam telas com retratos, paisagens, nus e naturezas mortas. Essas obras foram adquiridas a partir de compras, heranças ou presenteadas pelo próprio artista a amigos. Algumas dessas obras podem ser encontradas em lugares públicos da cidade como em hospitais, escolas e até mesmo na Prefeitura Municipal.




A trajetória do artista ao longo de sua vida passou a ser de fato uma representação artística e histórica, já que retratou características conceituais, culturais e vivenciais do povo serrano. A história de vida do artista mostra sua preocupação com a cultura local, pois fica evidente nas suas pinturas a temática que nos revela temas simples, cenas do dia a dia e paisagens regionais como cenário de destaque nas obras.




Foto:Divulgação

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Uma placa em homenagem ao centenário de Malinverni Filho

Uma placa em homenagem ao centenário de Malinverni Filho
Lages, 16 e 17/02/2013, Correio Lageano




Uma placa. Esta é o homenagem que Lages deu para o centenário daquele que foi seu maior artista: Agostinho Malinverni Filho. O superintendente municipal de cultura, Maurício Neves de Jesus, diz que a placa entregue é apenas um resgate de uma dívida que a cidade tem com o pintor e escultor morto há 42 anos, um mês e um dia.



Depois de uma breve apresentação do museu, Maria do Carmo Lange Malinverni, viúva do artista, recebeu a homenagem póstuma das mãos do vice-prefeito Toni Duarte (PPS). Não houve café, celebração e apenas três veículos de imprensa acompanharam a cerimônia, além dos filhos do artista. “Infelizmente, ele nunca recebeu uma homenagem em vida”, disse, embargada, a idealizadora do museu.



Maurício rebateu e novamente pediu desculpas pela cidade que jamais reconheceu o artista e disse que, onde ele estivesse, estaria se sentindo agradecido. O superintendente, primeiro a visitar o museu em 25 anos, aproveitou para mostrar a programação do centenário de Malinverni Filho



Também disse que foi entregue um projeto para captação de recursos a fim de revitalizar o museu, que tem problemas de infiltração e estrutura que acabam comprometendo as obras. “Vamos mandar projetos para mais de um edital, inclusive pela Lei Rouanet, para a revitalização”, disse Maurício.



Ele lembrou de uma peça teatral, escrita por Neto Arruda, que foi encenada no museu durante a década de 90 relembrando a trajetória do artista. Tal espetáculo será reencenado durante o centenário de Malinverni Filho.



O Museu Malinverni Filho será o símbolo de um projeto da prefeitura que visa recuperar o patrimônio histórico municipal, que, nas palavras de Maurício, “está esquecido”.
O Museu talvez seja uma dos símbolos, já que várias atividades não poderão ser realizadas no local, dada as condições precárias da estrutura. Telas como a Rua Taylor, que resultou no primeiro prêmio ao artista, estão rachando por conta da estrutura em que se encontram.



A professora de artes plásticas da Udesc Rosângela Cherem explica que o esquecimento de grandes artistas não é exclusividade de Malinverni Filho. “O descaso está mais para a regra e um olhar atento e empenhado em lidar com as limitações é a exceção”.



Para Maria do Carmo Lange Malinverni, fica a placa e a esperança de melhores tratos com a memória de seu esposo, com quem completaria 65 anos de casamento no dia de ontem.



Foto: Thomas Michel

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Centenário do artista pode passar em branco

Centenário do artista pode passar em branco
Lages, 05/02/2013,Correio Lageano, por Thomas Michel



A Fundação Catarinense de Cultura, que expõe em sua página principal as comemorações dos 150 anos de Cruz e Sousa, não vai fazer menção alguma ao centenário de Malinverni Filho. Em Lages, a Fundação Cultural ainda está trabalhando em uma programação para o evento, mas não existe nada certo, uma vez que os trabalhos em relação ao tema começaram em janeiro.



Para que nem tudo passe em branco, o banheiro do museu será reformado, bem como alguns consertos emergenciais serão feitos e um projeto de captação de recursos está sendo confeccionado pela Fundação Cultural. Segundo o agente cultural Gilson Máximo de Oliveira, a prefeitura quer fazer uma reforma geral no Museu Malinverni Filho.



Nem um nome de rua Agostinho Malinverni Filho tem. Seu pai tem, porque esculpiu as pedras do Morro do Posto e as colocou na prefeitura e tem trabalhos no prédio rosa do colégio Vidal Ramos. Recebeu apenas duas homenagens depois de morrer: o nome do espaço de exposições na Câmara de Vereadores e um troféu referente à Estátua Mãe, sua última escultura.



Talvez reflexo de sua postura em vida. Logo depois de voltar para Lages, em 1947, um jantar foi oferecido em sua homenagem. Aceitou somente esta honraria em toda sua vida. Seu biógrafo, Asdrubal Guedes, conta que durante sua vida, Malinverni Filho era meio avesso às condições impostas pela alta sociedade. Usar terno, seguir as regras de comportamento e interação que os ricos impunham, não eram coisas para um sensível artista.



Sua viúva, Maria do Carmo Lange Malinverni, conta que o artista gostava mesmo era de bilhar e baile de São João. “Eu não ia aos bailes, mas fazia as fantasias dele e ele sempre voltava com o primeiro lugar”.



Eram as únicas honrarias que gostava. Certa vez, pediram a ele um quadro para uma exposição. Depois de algum tempo, recebeu uma carta em que o felicitava pela primeira colocação e que ainda receberia um prêmio em dinheiro. Desdenhou, dizendo que só havia mandado uma tela para ajudar a projetar a exposição, sem saber que era uma competição. Malinverni justificava que não queria competir com os outros artistas, amadores, que não tiveram a oportunidade de estudar na Escola Nacional de Belas Artes.



Curiosamente, uma de suas maiores amizades era o ‘amador’ Willy Zumblick, que pintava temas e formas que fugiam ao academicismo exaltado por Malinverni. Já o joaquinense Martinho de Haro, serrano e com formação superior em artes, não participava do círculo de artistas em que o lageano tinha contato.



Morreu em 14 de janeiro de 1971. Nenhum convite de missa ou de condolências à família, como acontecia corriqueiramente com os notáveis da sociedade. Lages, desde aquela época, preferia dar os louros aos políticos e ricos de dinheiro do que aos que levaram cultura para a cidade.



A escola que frustrou Malinverni Filho



Ao invés de seguir a profícua carreira na Capital Federal, Malinverni veio a Lages. Queria ensinar seus conterrâneos sobre a importância das artes. Montou uma escola onde chegou a ter 64 alunos, segundo um documento da época (número que pode não ser real, já que alguns se matricularam, mas não foram às aulas). Foram cinco meses ensinando quem quisesse aprender.



Um dos alunos, Geraldo Canali, conta que o professor era exigente, de um “rigor amável”. Punha os estudantes em frente aos moldes de gesso (ainda preservados no Museu Malinverni Filho) e os mandava desenhar. Ensinava perspectiva, sombras, como usar o carvão e o grafite...



Nenhum aluno foi muito longe porque a escola fechou cinco meses depois de abrir. Os Cr$ 450 mil (cerca de R$ 130 mil em valores atuais) que investiu em um barracão não foram suficiente para controlar seu ressentimento pela falta da apoio. “Era muito flagrante a amargura que ele tinha, apesar de quase nunca falar sobre isso”, conta Geraldo.



A escola fechou por um protesto, já que a prefeitura não queria ceder um terreno de 14m por 3m onde o artista poderia construir um espaço para ensinar escultura. “Fechei e joguei a chave fora”, escreveu a um amigo jornalista do Rio de Janeiro. Sinal que jamais reabriria, como realmente fez. Era a primeira escola de Belas Artes em Santa Catarina.



Uma breve autorrealização do artista



A viúva de Malinverni Filho conta que o desejo do artista era pintar telas sobre a história de Lages, assim como Cândido Portinari fez com o passado do Brasil. Não teve tempo para isso. Um pedido da prefeitura de Lages, porém, o fez realizar um pouco de sua aspiração.



Lages iria comemorar o bicentenário e uma estátua do fundador foi encomendada ao melhor escultor que tinha na cidade: Malinverni Filho. O artista foi a São Paulo e estudou para saber quem era seu retratado. Através de descrições, criou um bandeirante parrudo e barbudo, chegando no terceiro sítio de sua missão de criar uma póvoa para defender a colônia portuguesa da invasão dos castelhanos. A estátua mais ou menos diz onde Lages seria erguida.



Com o prazo curto, Malinverni conseguiu adequar seu cronograma com ‘horas-extras’. Se antes trabalhava de manhã e à tarde, parando apenas para um café e o almoço, agora também precisava esculpir de noite e madrugada.



A estátua de gesso foi enviada para São Paulo onde seria fundida em bronze. No transporte, o molde caiu e o artista teve que recuperá-la em tempo recorde. Hoje é possível ver no museu a cabeça de Correia Pinto separada de seu corpo, parte da história de Malinverni.



Na inauguração, Malinverni mostrou a Lages sua obra. Por conta do esforço, conta a viúva, foi nesta época que o artista manifestou os primeiros sintomas de seu câncer que o mataria cinco anos depois.



A estátua custou Cr$ 22 milhões, que segundo o filho do artista, Jonas Malinverni, daria para comprar ‘alguns Fuscas’. “Ele nunca teve carro e queria usar o dinheiro para comprar um Simca, mas a doença tomou todo seu lucro”.


"É no silêncio eloquente da tumba que a glória vivifica e resplandece
Malinverni filho"


"Com razão sou tudo; nada sou sem ela"



"A minha vontade férrea elegerá, sob a fiscalização severa de minha consciência a razão entre as forças do cérebro e do coração"



"Todo homem superior deixa na Terra marcas luminosas de sua inteligência e bondade"



"Todo aquele que procura a perfeição segue o caminho da felicidade"



"O homem ocupado sente a vida curta; o preocupado, longa demais e o desocupado não sente"


Centenário ­Malinverni Filho

Fim de semana

• Um século de Malinverni
• A briga com Nereu Ramos


Segunda

• Memória esquecida do artista
• Estátua Mãe, a obra póstuma


Terça


• O Estado esquece do artista
• Uma breve realização pessoal



Fotos: Thomas Michel

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A memória do artista padece sem ajuda

A memória do artista padece sem ajuda
Lages, 04/02/2013,Correio Lageano, por Thomas Michel




Inaugurado em 22 de maio de 1986, o Museu Malinverni Filho mantém viva parte importante da cultura de Lages sob condições precárias. O artista, que chorou duas vezes por conta de malefícios que políticos fizeram a ele, agora tem sua memória relegada a uma ajuda de R$ 2 mil mensais da prefeitura.



Em quase 27 anos de história, a cidade teve seis chefes no Executivo, sendo que apenas um, Paulo Duarte, fundador do espaço, apreciou a história do maior artista lageano de todos os tempos. Dos secretários de Cultura, nenhum apareceu. Enquanto isso, sua premiada tela, Rua Taylor, apresenta rachaduras decorrentes da exposição à umidade excessiva e ao ambiente inadequado.



Não se pode reclamar que a prefeitura não ajuda, ressalta a viúva e idealizadora do museu, Maria do Carmo Lange Malinverni. São R$ 2 mil mensais e a cessão de funcionários que ajudam na manutenção. Foram duas reformas em 26 anos de história, nenhuma profunda. Agora, as madeiras que sustentam o telhado estão podres, ameaçam cair.



Um século após Lages parir um gênio, sua obra fica enfurnada em um ambiente sem as condições. O responsável pelo museu e filho do artista, Jonas Malinverni, conta que a umidade escorre pelas paredes no inverno e o único desumidificador não dá conta. “As tintas trabalham e a pintura racha”.




Talvez seja a continuidade do azar que Malinverni Filho tinha com os políticos. A vida curta de sua escola de artes se deveu a um protesto contra a prefeitura. Ele precisava da cessão de uma área de 14x3 metros (pertencentes ao município) atrás de sua escola para ampliar o barracão e dar aulas de escultura.



Vidal Ramos, irmão de Nereu (cuja história contamos na edição de sábado), não quis ceder. Maria do Carmo relembra a boa relação dos vizinhos com o político, o que pode ter pesado na decisão de não repassar o terreno.




Para a artista plástica Katja Volkert, é a área da cultura como um todo que foi deixada em frangalhos. Ela mesma parou de pintar por um período dada a falta de apoio que a sociedade como um todo tinha pelas artes. O estado do museu é só um exemplo. Maria é resignada, sabe que existem outras prioridades para a sociedade, como a saúde e a educação, mas acha que existe um dinheiro que nunca chega para a cultura.



Jonas ressalta que trabalha em projetos para captação de recursos continuamente, mas é raro quando consegue algo. “Estou esperançoso com o pessoal que está aí, parecem dispostos, espero que continuem assim”.



A garota do retrato 66 anos depois


Pintor acadêmico, Malinverni Filho era um dos raros versáteis que conseguia pintar paisagens, retratos e interiores (além de esculpir) com alta qualidade. Recém-casado, pediu para sua esposa posar. “Não tinha muito o que fazer e eu ficava sentada, conversando, enquanto ele pintava”, conta a viúva, Maria do Carmo Lange Malinverni. À época da pintura, tinha 20 anos, hoje, 86. A obra beirava a perfeição.



Uma jóia no pescoço, desenhada por Malinverni, foi feita exclusivamente para a esposa. O projeto foi rasgado, para que ninguém mais pudesse reproduzir aquela peça. Findada a pintura, um garoto fixou nos olhos azuis do quadro. Colocou um dedo em cada e puxou para baixo. A tinta, ainda fresca, escorreu. O artista corrigiu, mas segundo Maria, Malinverni achava que a beleza da obra não era mais a mesma depois do restauro.


Estátua Mãe: a obra póstuma do artista


A estátua Mãe, esculpida por Malinverni Filho, foi um marco técnico do artista e uma das duas obras que não viu completa em vida. Também foi a última decepção que teve com políticos. Nilton Rogério Neves, prefeito na época, comprou a obra que deveria ser colocada em frente à maternidade Tereza Ramos. O próximo mandatário, Áureo Vidal Ramos, prometeu que iria fundir em bronze a obra que já estava pronta, mas não o fez. O artista morreu dois anos antes da inauguração da estátua



Já tomado pelo câncer, Malinverni Filho tinha na cidade oito esculturas de bronze. Propôs uma obra que seria a homenagem para Anna Ângela Corsetti Malinverni e para sua esposa, Maria do Carmo Lange Malinverni, genitora de seus quatro filhos.



Maria posou como modelo para a estátua que já havia sido rabiscada em alguns cadernos. Certo dia, conta a viúva, Malinverni ria sozinho em seu ateliê. Quando subiu para ver o que acontecia, a mulher viu o bebê da estátua mãe no chão. O artista então questionou. “Por que você não segurou o bebê direito?”



Bem humorado, mesmo quando as coisas não davam certo, relembra a esposa, contagiado pelo clima materno proporcionado pela obra, chegou a escrever uma poesia.
Maria poupava seu marido doente das notícias que o prefeito não estava colaborando para a realização da obra. Dois anos depois, com Juarez Furtado, a estátua mãe foi inaugurada na praça da Santa Cruz, onde o casal Malinverni se conheceu. “Ela ficou ali provisoriamente durante 40 anos”, conta Maria.


Mãe

É tão grande meu Deus, tua graça
Que do nada este mundo fizeste,
Terminada esta prenda sem jaça
Com amor a beleza reveste.

Como tudo de Deus é perfeito,
Nem retoque se fez necessário.
Colocou-nos bem dentro do peito
O mais nobre e sensível sacrário
Dentro dele três letras gravou...
Onde toda beleza encerra
Esse nome que Deus consagrou
É o mais santo e querido da Terra

É com M que o nome começa
Depois A com til encimado
Pondo E nada mais interessa
Pois o nome está bem declarado!



"A amizade é um sentimento espontâneo que nasce no coração"

"Saudade é a presença de um passado que nos traz gratas recordações"


"Quando se sabe o que faz // Ao dar um passo para trás // Dá-se automaticamente // Mais de dois passos a frente


"Através de nossa sabedoria, deixamos indeléveis traços de nossa burrice"


"Com razão sou tudo; nada sou sem ela"


"É na meditação das coisas belas que o espírito se eleva e purifica".


"Saudade é a presença agradável do passado"


"A arte abstrata é um pensamento cheio de nada, concretizado pelos rabiscos desordenados de pseudo-artistas e interpretados pelos charadistas amantes de quebra-cabeças"


"Pelo amor que te consagro, domino meu sentimentalismo para que tua bondade não se condoa de minha fraqueza"



"A arte abstrata é um pensamento cheio de nada, concretizado pelos rabiscos desordenados de pseudo-artistas e interpretados pelos charadistas amantes de quebra-cabeças"


"É na meditação das coisas belas "

Centenário Malinverni Filho


Fim de semana

• Um século de Malinverni
• A briga com Nereu Ramos


Segunda

• Memória esquecida do artista
• Estátua Mãe, a obra póstuma


Terça

• O Estado esquece do artista
• Uma breve realização pessoal




Fotos :Thomas Michel

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A grandeza do artista esquecido: um século de Malinverni Filho

A grandeza do artista esquecido: um século de Malinverni Filho
Lages, 02 e 03/02/2013, Correio Lageano, por Thomas Michel



Pode se contar nos dedos os sabedores de que 2013 é o centenário de um dos maiores  artista de Santa Catarina. O lageano Malinverni Filho foi genial no que fez: pintou e esculpiu a ponto de morrer  intoxicado pelas tintas. Manteve sua família com a arte, mas não conseguiu sequer comprar um carro. Hoje seus numerosos quadros valem mais de R$ 10 mil cada. “Está morto, podemos elogiá-lo a vontade”, recomendaria Machado de Assis aos lageanos.



Nascido caçula do italiano Agostinho Maliverni, recebeu o nome do pai e os dotes da arte. Naquele 16 de fevereiro de 1913, veio ao mundo na casa do escultor responsável pela mais bela cantaria da região, no prédio do Colégio Vidal Ramos.



Enquanto seu pai esculpia as pedras na frente de casa, Agostinho Malinverni Filho desenhava sua mãe costurando e usava carvão para retratar paisagens no chão. Aos 13 anos, pintou seu primeiro quadro, Santa Luzia, com tintas inapropriadas para tela.



Quando tinha 17, já havia retratado, entre outras pessoas, seu pai e, no mesmo mês da posse, o novo presidente brasileiro Getúlio Vargas. As telas se tornavam maior que a própria vida.



Fez a mala, iria fugir, estudar arte. Quando descobriu o plano, o pai disse que tentaria realizar o sonho do filho, mesmo sem condições financeiras. Conseguiu, por intermédio de um conhecido, que o governo catarinense concedesse a primeira bolsa para a Escola Nacional de Belas Artes.



O dinheiro mal dava para se manter, e o período no Rio de Janeiro foi à base de pão com banana. Pintava com restos de materiais de outros alunos, pois não tinha como comprar.
De sua pensão, pintou Rua Taylor em 1936, quando não tinha atingindo nem a metade do curso. Seu quadro competiu com outros alunos mais avançados. Malinverni recebeu com surpresa o primeiro lugar. Ali começavam os louros recorrentes até sua chegada em Lages.



As exposições se iniciaram em 1941 e foram até 1955, quando não conseguia mais reunir obras suficientes, pois vendia todas. No ano de 1949, em Porto Alegre, chegou a marca de 45 telas compradas das 50 expostas.



Em 1947 voltou a Lages, queria difundir o gosto cultural apurado que adquirira no Rio de Janeiro. Montou a primeira escola de Belas Artes do estado, que durou cinco meses. Fechou em protesto à falta de apoio da prefeitura.



Daquele momento em diante, suas obras eram vendidas para viajantes, turistas e quem mais quisesse. Vendeu para 14 países e levantou algumas das estátuas mais importantes da cidade: a de Correia Pinto e a de Nereu Ramos.



Refém do academicismo, acreditava que nas artes não era permitido ao homem alterar a obra de Deus. Abominava o futurismo e o modernismo da época, que, para a artista plástica Katja Wolkert, o impediu de alçar voos maiores.



“Era meio fora do ponto. Enquanto outras escolas se impunham, ele era conservador”, diz o ex-aluno e jornalista Geraldo Canali. Quando Cândido Portinari morreu, Malinverni Filho afirmou que o paulista não havia sido envenenado pelas suas tintas, como diziam, mas pela sua má arte. Coincidentemente, o câncer que se desenvolveu no lageano também era resultado do convívio excessivo com as tintas.



Segundo sua viúva, Maria do Carmo Lange Marlinverni, o artista não chegou a realizar sua grande obra. À la Victor Meirelles, queria escrever com os pincéis a história de sua terra.



As encomendas constantes de paisagens de pinheiros e flamboyants ocupavam todo seu tempo e apuravam a técnica. Morreu no auge, um mês após a última pincelada, no quarto 13 do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, às 18h30.  No último quadro, inacabado, não consta a assinatura de um homem digno de ocupar um lugar no panteão dos artistas.



A vingança esculpida com virtuosidade


Malinverni Filho era sensível, mas chorou apenas duas vezes na vida, segundo conta a viúva Maria do Carmo. Uma delas, foi por conta de Nereu Ramos. Quando o ex-presidente era interventor estadual, em 1937, cortou a bolsa de estudos que o artista recebia de Santa Catarina.



O dinheiro deveria ir para as aulas de pintura, mas, por influência dos professores, a escultura também entrou no currículo e o político cancelou o benefício. A vingança veio 20 anos depois, na última visita antes da morte do então senador da República.



Os cruzeiros não chegaram às mãos de Malinverni. Já sabia que a matrícula na disciplina de escultura tinha resultado nesse imbróglio. Na concepção de Nereu, não se podia ser pintor e escultor ao mesmo tempo. Talvez não conhecesse Michelangelo.



Para Maria do Carmo Malinverni, o político apenas usou o argumento como pretexto para conceder a bolsa a Martinho de Haro, que viajou para a Europa estudar arte.
Depois de muito insistir, Malinverni conseguiu audiência com o então interventor e foi recebido com a máxima: “Você volte para Lages e vá plantar batatas”. O desmerecimento fez o artista levantar a mão para o conterrâneo, sendo contido por um guarda. “Foi a salvação dele, imagina bater no governador? Iria estar preso até hoje”, brinca a viúva.



Se virou no Rio de Janeiro onde montou um ateliê no porão da escola de belas artes e, posteriormente, no teatro João Caetano e com sua arte sobrevivia e ganhava fama. Quando contratado para fazer a homenagem ainda em vida ao político, aceitou.



Iria fazer o melhor trabalho de sua vida para mostrar que era um grande escultor. Nereu, a estátua, só faltava sair andando, dada a riqueza de detalhes. O presidente nada falou para o artista, que não foi convidado para a inauguração. Assistiu à cerimônia da sacada do prédio Dr. Accacio, estava acima do político.



"A arte é a religião do belo. A pintura é uma oração colorida"

"Ninguém nesse mundo é inteiramente feliz, pois felicidade se consiste num moto-contínuo de sensações agradáveis"


"Saber esperar é uma virtude que só os fortes praticam"


"A fortaleza do homem torna-se impotente diante da fragilidade feminina"


"Perspectivas: são linhas mentirosas que dizem a verdade"


"Sendo Deus o supremo artista, deturpar a natureza é profanar sua obra"


Centenário Malinverni Filho


Fim de semana
• Um século de Malinverni
• A briga com Nereu Ramos

Segunda
• Memória esquecida do artista


Terça
• O estado esquece do artista
• Uma breve realização pessoal





Foto: Thomas Michel