Lages, 26/11/2013, Correio Lageano, por Joana Costa
A dona de cada Eloí Puerare morou 40 dos seus 68 anos de idade, em na
residência na rua João Pedro I, bairro Penha. Segundo ela, o bairro é
um bom local para viver, exceto por um detalhe: a falta de ruas
asfaltadas. “Eu tenho que limpar a casa três vezes por dia, se não forma
aquela camada grossa de pó. Até para a respiração da gente é ruim”,
reclama.
Esta é a mesma reclamação do vizinho Armando Neri, 67 anos, que se diz
cansado de ouvir promessas. “Entra ano e sai ano, entra prefeito e sai
prefeito e é sempre a mesma promessa, mas nunca fazem nada”, reclama.
A Associação de Moradores do Penha tem a mesma preocupação e estima que
das cerca de 70 ruas do bairro, apenas 14% são pavimentadas. Para o
presidente da associação, Volni Meros dos Santos, isso é inaceitável. “A
última rua pavimentada foi há mais de 20 anos”, declara.
A maior necessidade, segundo ele, é asfaltar a rua Nossa Senhora da
Penha com quase um quilômetro de extensão, corta o bairro. O projeto
para o asfaltamento da via, incluindo calçadas, canteiro central e
estacionamento está pronto e o orçamento é de R$ 2,8 milhões para a
obra.
Outro pedido é a melhoria na avenida Manoel Antunes Pessoa. “É a chegada
da cidade para quem vem de São Joaquim. Tem que ter um asfalto melhor,
um portal. Vamos reivindicar isso”, promete.
Sem recursos
O secretário de Planejamento, Jorge Raineski, esclarece que existem
projetos prontos para melhoramento das vias do bairro. “Os projetos
estão em andamento e estamos em busca de recursos”, afirma.
Além da rua Nossa Senhora da Penha, outras que aguardam recursos para
pavimentação são Almirante Barroso (ligação com o bairro São Miguel),
Vitor Meireles, Olavo Bilac, José Edésio Araújo, João Maria de Souza,
Emília Stefen e João Paulo I (ligação com o loteamento Nadir).
“Em abril foi enviado projeto para o Governo Federal, mas não veio
recurso suficiente para tudo. Nós vamos nos reunir com a associação de
moradores para definir o que é prioridade e o que dá para fazer”,
informa o arquiteto da Seplan, Gastão Karsten.
Todos os projetos estão na Seplan e preveem asfalto para as vias,
construção de rede para escoamento da água da chuva e calçadas. Não há
previsão de quando ela será realizada.
Novo Centro de Educação Infantil vai ser construído
Em dezembro de 2011, 130 famílias passaram a viver no loteamento
Nadir, no bairro Penha. A estimativa é que o bairro recebeu acréscimo de
1,4 mil pessoas em sua população total. Isso reflete em maior demanda
de atendimento nas áreas de educação e saúde. Demanda infraestrutura no
bairro.
No entanto as instituições locais têm sentido dificuldade em absorver o
acréscimo. É o caso do Centro de Educação Infantil (Ceim) Bem-Te-Vi,
que trabalha hoje com a capacidade máxima. São 157 crianças
matriculadas.
A diretora Cíntia Cassia Batista destaca que a creche passou por
ampliação há três anos, mas não é o bastante. “A gente faz o que pode,
mas temos crianças na fila de espera”, afirma.
Segundo a secretária de Educação, Marimilia Coelho, há previsão para
construção de um novo centro de educação infantil no loteamento Nadir em
2014. “O investimento total será de R$ 1,9 milhão, com o terreno e
contrapartida da Prefeitura”, explica. Os recursos são do Governo
Federal e o novo Ceim atenderá 160 crianças.
Ampliação
O bairro conta com a Escola de Educação Básica Godolfin Nunes de
Souza, com ensino fundamental e médio. A escola passou por ampliação em
2004 e atende 800 alunos.
A assistente de educação da instituição Daiane Lisboa de Almeida
acredita que no futuro isso não será o bastante. “Vai precisar de uma
segunda escola no bairro, ou ampliar aqui. É uma coisa que vai acontecer
em todo o lugar que cresce.” diz.
Saúde
A alta demanda também afeta na área da saúde. A Penha possui uma
Unidade de Saúde, onde trabalham 22 funcionários, entre médicos,
dentistas, enfermeiros e técnicos, atuando na atenção básica e saúde da
família.
A enfermeira responsável Tatiane Matos acredita que a unidade fundada em
1992 está perto de atingir sua capacidade máxima. “Temos muitos idosos.
Precisava de uma segunda unidade no loteamento Nadir. Acredito que isso
é uma coisa que vai vir para o bairro no futuro”, acrescenta.
Fotos:Joana Costa